
Vários – “Somewhere In Brazil – The Brazilian Tribute to Iron Maiden” (2020)
Armadillo Records | Secret Service Records
#HeavyMetal, #PowerMetal, #Thrashetal, #DeathMetal, #BlackMetal
Para fãs de: Iron Maiden (ah vá?)
Nota: 8,5
E lá vamos a mais um excelente tributo lançado pela gravadora subsidiária da Secret Service Records, a Armadillo Records, e obviamente um dos pilares do Heavy Metal mundial não podia ficar de fora: Iron Maiden!
Que fixe bem na cabeça de todos os fãs da banda, alguns até xiitas demais, que um tributo não é exatamente um cover idêntico ao original, mas sim releituras da banda homenageada para o estilo das bandas que a executam. Algumas mudam muita coisa na melodia e estrutura caindo na famosa “desconstrução”. Se isso descaracteriza ou “blasfema” as mesmas vai depender do grau de fanatismo de cada ouvinte. Eu pessoalmente não tenho problema nenhum com desconstruções, desde que não saia do âmbito Metal. Logicamente que existem os covers fieis, sem mudanças significativas que, também, não me incomodam, ou seja, sendo Metal para mim está valendo. A única coisa que eu pego no pé para todos esses casos é a produção e o esmero na gravação. Não adianta a banda fazer uma baita versão monstruosa e ter uma produção padrão Fifa Brasil, se é que vocês me entendem (risos).
Pois bem, vamos a essa nova belezinha, que pela minhas contas já deve é o sexto tributo de grandes nomes mundiais com bandas brasileiras lançadas pela gravadora. E meus caros, mais um golaço foi dado. São 26 bandas, dos mais variados estilos (dentro do Metal) prestando sua devida homenagem, com uma leve pendência para os clássicos dos anos 80.
Bulletback – “Where Eagles Dare”
Excelente sacada abrir com essa faixa por conta da introdução antológica de bateria e praticamente fiel a originalidade da mesma, talvez um pouco mais pesada na parte das guitarras, o que me agradou e muito! Vocal na medida certa, sem soar forçado, ou mera cópia. Excelente!
Sacrificed – “Lord Of The Flies”
Talves seja a melhor faixa da fase Blaze Bayley para esse quem vos escreve, então tive um olhar um pouco mais “ferrenho” a essa execução. E não é que mandaram muito bem? Alguns andamentos mais rápidos e passagens de guitarras com pequenas diferenças sutis aqui e ali surtiram efeito e mostraram muita identidade! Sem contar a voz feminina potente de Kell Hell que não se parece em nada com o timbre mais soturno de Blaze, e também em nada com Bruce Dickinson. Agradou em cheio!
Obskure – “Phantom Of The Opera”
Essa fiquei extremamente impactado positivamente por conta do peso e dos climas soturnos de teclado. Até o vocal urrado e grave combinou com todo esse peso descomunal, o que de fato me deixou apreensivo antes de ouvi-la, já que sabemos todo o tino clássico da original. Se você, assim como eu, gosta daquelas bandas de Death Metal que a cada passagem e riff te dão aquelas marteladas no ouvido, seja bem vindo! O mais interessante é que conseguiram manter a estrutura da música sem desconstruí-la. Bravo!!! Sabe aquela aula bacana que você gostava na escola, mas dada por aquele professor que você também gostava? Pois bem, imagine ela sendo dada regada a muita cerveja gelada de qualidade num lugar aberto, gostoso, arejado e sem nenhum tipo de cobrança. É essa a sensação de ouvi-la!
Rage In My Eyes – “Aces High”
Essa no início me preocupou um pouco por conta da produção, que não é ruim, bem longe disso, mas faltou um pouco mais de corpo e profundidade no som. Extremamente bem executada e fiel a original. Inclusive os vocais de Jonathas Pozo lá nas alturas foram perfeitamente bem feitos e encaixados. Versão honesta, bem feita e digna, eu que sou chato mesmo (risos).
SYREN – “Be Quick Or Be Dead”
Muitos vão achar estranho o que vou dizer, mesmo sendo um fã da banda desde 86, e já tendo quase 44 anos nas costas. Para mim, é a faixa que mais gosto do Iron Maiden, mesmo tendo saído no “Fear Of The Dark”, que muitos adoram odiar para passarem aquela imagem de “fã maduro”. Eu o adoro, e ponto final! E não, o melhor é o “Powerslave” para mim, antes que alguém pergunte. Enfim, essa versão do Syren também se trata de uma execução fiel, sem muitas novidades, delongas ou extremismos, já que a versão original é assim, curta, seca e grossa. Excelente solo, produção, bateria, vocal sujo, tudo no lugar. Parabéns!
PATRIA – “The Number Of The Beast”
Black Metal sujo e clássico, não é minha praia, mas a excelente gravação, produção e fidelidade a melodia original ficou bem interessante e audível, com belo solo! Muito boa mesmo! Achei que eu iria assinar minha sentença de morte já que em tributos anteriores eu não gostei das versões deles. Ufa, acho que escapei (risos).
CHEMICAL DISASTER – “Wrathchild”
Talvez seja uma das únicas bandas que participaram de todos os tributos lançados pela gravadora. Death/Thrash Metal clássico, sujo, seco e visceral como tem que ser. Bem fiel a original, sem invencionismos e que impôs muito bem sua identidade. É jogo ganho! Só acho que eles deveriam apostar um pouco mais na produção, deixa-la com mais profundidade. Fica a dica!
KAMALA – “The Wicker Man”
Aí está um belo exemplo de produção com profundidade! Dá mais ambiência na hora da audição, e isso me agrada muito! Versão também fiel a melodia original, extremamente pesada e mais agressiva, inclusive nos vocais dobrados que ficaram excelentes! Banda tinindo! Grande nome do metal nacional!
PASTORE – “Flash Of The Blade”
Aí está a segunda melhor música do Iron Maiden para mim. Eu simplesmente amo essa música e essa versão bem fiel a original se tornou numa cacetada de tirar o fôlego. E Mário Pastore mandou muitíssimo bem como de costume, interpretando, mesclando as partes graves/sujas e agudas com perfeição e sem exageros. Um dos destaques do tributo na minha opinião pelo conjunto da obra, produção e execução. (Lord) Johnny Moraes faz bonito nessas bases e solos!
STEEL WARRIOR – “Moonchild”
Execução perfeita, climática como a original e com muito esmero. Particularmente gosto muito quando fazem covers e colocam mais peso que o original, principalmente nas bases de guitarra, e mais velocidade nos bumbos da bateria. Me agradou demais, pois tudo ficou no lugar correto!
ATTRACTHA – “Tailgunner”
Muitos descem o porrete no álbum “No Prayer For The Dying”, mas ai eu vejo os mesmos elogiando o medonho “The Final Frontier”, que coerência é essa? Nessa versão, juro para vocês que achei que um Tim “Ripper” Owens mais grave estava cantando (risos). Sério! Como sou amigo do cara, o timbre me pareceu muito quando ele não se envereda a gritar feito um louco (te amo Tim, você sabe disso), mas não, não é ele, é Cleber Krichinak, um baita vocalista também, sejamos francos! Gostei muito da agressividade dessa versão e acreditem, mesmo não tendo o baixo tanto em evidência como na original, ficou excelente e bem ‘parruda’!!!
QUINTESSENTE – “Wasting Love”
E lá vem polêmica. Não tenho nada contra “Wasting Love”, como já disse lá em cima, também nada contra o “Fear Of The Dark”. De todas as faixas que ouvi nesse tributo, até aqui é a mais diferente mesmo mantendo a melodia principal em evidência. Um belíssimo dueto de vocal masculino e feminino, dando uma áurea mais gótica casou muito bem nas melodias! Até mesmo inserções de teclado no lugar das guitarras principais caíram como uma luva. Versão muito bonita e gostosa de se ouvir. Palmas para a banda que teve o brio de passar por cima dos xiitas e apostar nessa faixa. E mandou dignamente bem!
TAILGUNNERS – “The Clansman”
Outra das melhores faixas da fase de Blaze Bayley, e na minha opinião chega até ser melhor que muita música da fase Paul Di’Anno e Bruce Dickinson! E o Tailgunners mandou uma das versões mais fiéis de todas nesse tributo. Não tem nem mais o que falar, tudo perfeito! A única coisa que notei é que, na parte vocal, a banda se calcou na versão ao vivo com Bruce Dickinson, assumam vai? (risos)
HELLISH WAR – “Heaven Can Wait”
Abrindo o CD 2, temos o Heavy Metal clássico do Hellish War que dispensa comentários. Os caras são um dos mestres do estilo mais tradicional no Brasil e nunca vi nada feito por eles que não tenha me agradado. Escolha perfeita para esse tributo e execução ímpar. Guitarras cortantes, vocais na medida certa, tudo redondinho! Palmas!
POSTHUMOUS – “The Evil That Men Do”
Achei que passaria batido depois do que falei do Pátria, mas ai aparece o Black Metal do Posthumous. Melodias fiéis, tudo bem executado e encaixado, mas não gostei da produção das guitarras. Juro que não é birra nem ranço, gosto de muitas bandas de Black Metal (as mais modernas e cadenciadas, não tanto bandas clássicas como Immortal e afins, aquilo eu acho insuportável), mas essa versão, longe de ser ruim e sendo respeitoso como sempre, não entraria na minha lista de melhores do tributo.
SAVAGEZ -“From Here To Eternity”
Olha só que belíssima surpresa! Quem diria que alguém faria uma versão pesada e agressiva tão bacana dessa música como essa aqui! Gostei muito! Produção excelente, guitarras bem definidas e com riffs ‘ganchudos’ como eu gosto, certa velocidade de bateria em algumas partes. Vocais tipicamente Death Metal, urrados e que casaram bem com a proposta da banda, colocando sua identidade aqui com muita eficiência! Mandaram muitíssimo bem.
GENOCÍDIO – “Killers”
Cresci ouvindo esses caras aqui no bairro onde moro, pois Wanderley Perna (baixo) e Murillo Leite (vocal/guitarra) são originalmente do mesmo lugar e são amigos pessoais meus, mas não é por isso que se um dia eles fizerem algo ruim ou abaixo do padrão, eu não falaria. Eles sabem bem disso (risos). E não foi dessa (de novo) que eles ficarão putos comigo, pois simplesmente arregaçaram! Se não fosse o Iron Maiden, eu falaria para eles entrarem na justiça para pedir essa música para eles. Uniram a fidelidade da faixa original com a identidade da banda já consagrada dentro do Death Metal. Baixo estilingado na cara do ouvinte, produção soberba, vocal agressivo, rifferama encorpada, bateria explodindo sangue. Sensacional, outro grande destaque do tributo!
HEADHUNTER D.C – “To Tame A Land”
Difícil se criticar um trabalho de terceiros, pois todos sabemos toda a luta que uma banda nacional tem para conseguir “chegar lá”. O Headhunter D.C é um exemplo disso, pois está na ativa desde 1986 e sabe bem o que é levar chumbada por aí, se reerguer e continuar na luta. Mas, analisando essa versão para “To Tame A Land”, completamente diferente e desconstruída da original, chegando certas horas até ser impossível vermos conexão com a versão magnânima de “Piece Of Mind”. Como disse antes, não me incomoda e gosto quando as bandas saem fora da bolha, mas aqui o lance foi a produção que deixou bem a desejar. Vejam bem, não é mal executada, apenas destoou negativamente aos meus ouvidos.
ORQUÍDEA NEGRA – “Prodigal Son”
Produção cristalina, todos os instrumentos nítidos e jogando no mesmo time. A acentuação comercial da faixa original ficou mais evidente nessa versão do Orquídea Negra, o que não desmerece em nada o trabalho, pelo contrário, daria até para entrar em trilha sonora de novela de tão bonita que ficou! Não levem isso como negativo, pois não é! Destaque para o vocal de André Graebin que ficou naquele mesmo tom clássico de Paul Di’Anno!
REVENGIN – “Stranger In A Strange Land”
Amo a versão original dessa música!. “Somewhere In Time” foi o primeiro contato que tive com o Iron Maiden logo que saiu, o que me fez arregalar os olhos para a versão operística da Revengin. Definitivamente, não me agrada essas bandas estilo Nightwish, que enfiam clássico, teclado, violino em tudo e pior, deixam-nos em primeiro plano e as guitarras que o Metal necessita ficam lá embaixo. Me perdoem os fãs, está tudo bem feito, produzido, tocado, mas…não desce. Destaque para o solo final, que deixaria Adrian Smith bem orgulhoso, mas só isso para mim.
APPLE SIN – “Blood Brothers”
Conseguiram emular perfeitamente o baixo, melodia de guitarras, bateria, vocal, tudo nessa faixa! Versão praticamente idêntica, então quem seria o boçal para falar algo negativo? Para tocar de forma perfeita como a banda original tem que ter colhão e esses caras tem de sobra! (risos)
UGANGA – “Running Free”
Outra versão com pouquíssimas diferenças entre a original que, na minha opinião, só pecou na parte dos refrões, onde poderiam jogar mais força e mais gana nos vocais, mas de resto muito bom.
ANDRALLS – “Chains Of Misery”
Olha o “Fear Of The Dark” de novo presente! E dessa vez uma música bem lado b e pouquíssimo lembrada pelos fãs. Não é memorável em sua versão original, e aqui o Andralls deu uma bela recauchutada, deixando-a mais agressiva e visceral, dando aquele toque mais “thrash”, o que gosto muito, diga-se.
ENCÉFALO – “Man Of The Edge”
A faixa original já é um petardo veloz como “Be Quick Or Be Dead”. Aliás, reparem que ambas músicas da Donzela em questão tem praticamente a mesma estrutura, por isso são lindas (risos). Aqui, o Encéfalo acelerou um pouco mais e colocou mais ‘punch’ e agressividade, o que casou muito bem!! Sabe aquele jogo de Copa do Mundo que trocam o centroavante cansado do time e colocam outro mais forte, descansado e mais novo no lugar, e esse entra e faz o gol da vitória aos 45 minutos do segundo tempo? E a torcida de um estádio não muito lotado vai a loucura…
DARKSIDE – “Two Minutes To Midnight”
Mais Power Metal que a versão clássica, mas empolgante da mesma forma. Os vocais não tanto agudos deram uma cara mais moderna a faixa, o que caiu super bem. Solos impecáveis! Muito boa!
IGNISPACE – “Afraid To Shot Strangers”
No tributo ao Kiss, a Ignispace foi um dos grandes destaques para mim com “Forever”. Gosto da voz suave e sexy de Larissa Zambon e a versão aqui disponível não deixou a desejar, mesmo eu esperando algo mais soturno para essa versão por conta da original ser nessa vibe.
Resumindo, um tributo que primou quase que em sua totalidade pela fidelidade ao material e execuções originais, sem praticamente descaracterizar nada e que agradará a todos os fãs exatamente por conta desse ponto. Ou seja, provavelmente, a Armadillo Records/Secret Service Records não terá ninguém atordoando e enchendo o saco por besteira (risos). Excelente trabalho gráfico em digipack duplo como todos os outros tributos lançados (exceto o tributo feminino ai Deep Purple que é cd simples em acrílico) capa sensacional com uma ótima sacada do Eddie refletido no capacete do astronauta, clássicos e mais clássicos revigorados e o melhor, 100% nacional (sim, a gravadora mesmo estando na Inglaterra é dirigida por um brasileiro que ama o Metal nacional como ninguém!). Compre e seja feliz! E agradeça que não tem nada pós “Brave New World” no tributo! Pronto, agora quem está ferrado sou eu (risos)
Johnny Z.





