Entrevista exclusiva com Marcelo Frizzo e Loks Rasmussen (POP JAVALI)

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Com pouco mais de duas décadas, o Pop Javali trabalhou bastante para poder começar a colher bons frutos e, agora, lança seu novo álbum, ”Resilient”, terceiro de uma discografia que segue sempre em evolução. Batemos um papo com Marcelo Frizzo (Vocal/Baixo) e Loks Rasmussen (Bateria) que nos contaram muitos detalhes. Confira!

Por William Ribas

Metal Na Lata: Primeiramente, em nome de toda equipe do Metal Na Lata, digo que é um enorme prazer conversar com vocês. O novo álbum mostra vocês mais acessíveis, mas ao mesmo tempo com peso e fiéis ao próprio estilo, concorda?

Marcelo Frizzo: Saudações a toda a equipe do Metal Na Lata e aos estimados leitores! Obrigado pela oportunidade! O novo álbum marca 25 anos da banda, o que, por si só, já é o bastante para mostrar o amadurecimento musical que conseguimos através do tempo. Sem dúvidas estamos mais acessíveis e, ao mesmo tempo, mais “pesados”. E isso não foi por acaso. Nos trabalhos anteriores buscamos composições que soassem agradáveis a nós mesmos, primando por técnica e nuances progressivas. Dessa vez, o que fizemos foi dar mais ouvidos à opinião dos fãs e público em geral, de forma que, podemos dizer, ‘RESILIENT’ é um álbum feito para os fãs do rock pesado, mas que também nos agradou 100%. Manter a essência da banda é uma consequência natural após um quarto de século tocando juntos, mas essa “pitada de metal” veio para coroar esse trabalho.

Loks Rasmussen: Olá primeiramente muito obrigado de poder estar falando ao público do Metal Na Lata. Acho que a banda evoluiu naturalmente as músicas novas são um reflexo dessa evolução, também tem muito a ver com que escutamos durante toda a nossa carreira como músicos, sempre buscando novas informações e influências.

Metal Na Lata: De onde vêm a inspiração para criar músicas como: “Hollow Man”, “We Had It Coming” e “Broken Leg Horse”, pesadas com bastante técnica e ‘feeling’?

Marcelo Frizzo: A parte técnica e o feeling são uma característica marcante da POP JAVALI, já que gostamos de aplicar nossos melhores esforços na execução das músicas. Mas, com certeza, o que contribuiu muito para influenciar e inspirar as composições mais pesadas foi a tour pela Europa, onde tocamos com várias excelentes bandas de Metal muito pesado. Como almejamos o mercado internacional para nossa carreira, nada melhor que seguir a tendência, mantendo nossas origens.

Loks Rasmussen: As composições fluíram naturalmente, mas queríamos que esse álbum soasse mais pesado e creio que através de algumas músicas atingimos nosso objetivo.

Metal Na Lata: O novo álbum é bem diversificado, e um dos destaques fica para “Renew Our Hopes”, faixa mais longa do disco, onde a banda experimenta bastante transformando-a em um ótimo encerramento para o disco. Quando estão montando o tracklist, como escolhem a ordem de cada música?

Marcelo Frizzo: Realmente fizemos vários testes para chegar a um tracklist final. A palavra-chave foi “equilíbrio”. A ideia é que a audição soe como se fosse um filme, com começo, meio e fim, de forma que mantenha a atenção do ouvinte na íntegra.

Loks Rasmussen: É um trabalho árduo (risos), mas testamos muitas variáveis até chegar em um ponto de equilíbrio para que o álbum se torne uma audição agradável.

Metal Na Lata: Antes de “Resilient”, vocês lançaram dois grandes álbuns de estúdio, “No Reason To Be Lonely ” (2011), “The Game Of Fate” (2014), que colocaram o nome Pop Javali em destaque, qual a expectativa para “Resilient”? Houve uma certa pressão interna?

Marcelo Frizzo: Depois de tudo o que já passamos, nada mais causa pressão para a gente (risos). Mas é claro que nosso desejo é que “Resilient” agrade tanto quanto “NO REASON” e “THE GAME”.   O primeiro nos credenciou a tocar ao lado de grandes nomes do rock mundial. O segundo proporcionou uma turnê pela Europa. Esperamos que esse novo trabalho nos leve ainda mais alto!  Mas o principal é que o público curta esse álbum.

Loks Rasmussen: “Resilient” na verdade é uma realização para a banda, conseguimos colocar em prática toda nossa experiência e evolução como músicos tanto tecnicamente como também profissionalmente.

Metal Na Lata: Qual é a relação do título do álbum com a belíssima capa?

Marcelo Frizzo: O João Duarte captou muito bem a ideia: a menina (que lá no “NO REASON”) era uma criança inocente, cresceu e conheceu a vida como ela realmente é, encarando as dificuldades de frente. Resiliência é isso: não desistir apesar das lutas e percalços do dia-a-dia. Às vezes quebramos a cara, caímos…, mas é só levantando e tocando em frente que superamos os problemas.

Loks Rasmussen: É uma história interessante abrilhantada pelo grande João Duarte (designer), é uma resistência de nossa banda atravessar todo esse tempo de estrada com a mesma formação e nos manter fortes perante a todos os problemas que uma banda de rock no nosso país enfrenta. Na Capa de nosso primeiro álbum há uma menina entrando num quadro que remete a audição de uma nova experiência, e agora no “Resilient” essa mesma menina (agora já bem adulta) nos representa de forma simbólica atravessando e resistindo as intempéries da vida a qual todos nós nos submetemos.

Metal Na Lata: O nome Pop Javali é um nome diferente, mas forte, algo que você escuta e já grava, como surgiu este nome?

Marcelo Frizzo: Primeiramente, obrigado pelo elogio (risos). É preciso pontuar que o nome da banda foi criado em 1992.  O termo “pop” não causava tanto preconceito na época. E não remete ao tipo de música da banda, mas sim a um nome irreverente e marcante, como você bem disse, uma vez que se ouve não se esquece. Ao mesmo tempo, foge do lugar comum, é completamente diferente, o que o torna único. Sabemos que não agrada a todo mundo, mas quem é que agrada? O mais importante é que NÓS amamos esse nome!

Loks Rasmussen: Há isso é uma incógnita! Existem várias versões para esse pseudônimo (risos). Porém, no meu ponto de vista, escolhemos esse nome e fomos trabalhando, compondo, tocando, estudando e de repente nos vimos no meio da carreira com o nome já conhecido e de certa forma apesar de irreverente é como você disse o nome fica gravado na cabeça das pessoas e se essas atravessarem a barreira do preconceito e se derem oportunidade de ouvir a música pela música creio que terão muito a ganhar, pois é um trabalho que transcende o nome e aí fica nossa dica.

Metal Na Lata: A formação da banda está junta deste a fundação da banda há 25 anos atrás, qual é o segredo?

Marcelo Frizzo: A longevidade se deve muito ao respeito mútuo, amizade e carinho que temos um pelo outro e pela banda. Mas, com o passar dos anos, o que realmente solidificou o status foi a profissionalização. Uma banda é uma empresa, um negócio. Se os “sócios” estão imbuídos do mesmo propósito e dedicação, torna-se bem-sucedida. Sabemos e praticamos isso. Profissionalismo acima de tudo.

Loks Rasmussen: É uma boa pergunta, creio que se deve a nossa afinidade musical e pessoal e também o foco de querer fazer uma música de qualidade a qual poderemos nos orgulhar quando olhar para trás e ver o quanto fizemos com nosso dom.

Metal Na Lata: Em 2015 vocês fizeram a primeira turnê pela Europa, como foram esses shows e quais experiência conseguiriam absorver?

Marcelo Frizzo: Foi uma experiência incrível, em todos os sentidos. O contato com a cultura dos cinco países por onde passamos nos abriu a mente e trouxe muito conhecimento, não só musical. Para mim, a melhor parte foi testemunhar o tratamento que o europeu dá para o artista. O carinho e consideração são muito grandes. A “brodagem” dos músicos de outras bandas também chama muito a atenção. Não há competição entre as bandas, há sim um senso de cooperação e interação que não encontramos no Brasil, infelizmente. O público, por sua vez, se interessa demais por bandas brasileiras e apoiam de verdade, indo aos shows, comprando material da banda como CDs e camisetas, além de que já conheciam a banda, pois tinham pesquisado sobre nosso trabalho na internet. Como tocamos junto com bandas locais em alguns eventos, éramos nós a banda “gringa” da noite (risos). Fomos tratados com muito respeito!

Loks Rasmussen: Foi sem dúvida a melhor experiência de nossa carreira, ali pudemos entender o porquê do Rock ser uma coisa única no mundo, é uma linguagem universal. Conseguimos absorver o respeito que o público tem com o trabalho das bandas e a influência de muitas bandas que tocaram com a gente além do respeito, qualidade técnica, UNIÃO, o nível cultural o qual nos expusemos com certeza causou uma grande transformação em nossas vidas.

Metal Na Lata: Como surgiu a ideia de gravar “Live In Amsterdam”?

Marcelo Frizzo: A alta qualidade dos equipamentos proporcionou uma gravação muito boa. Em princípio, gravamos apenas no intuito de ter uma recordação, mas ouvindo o material final concluímos que seria bem legal, pois representa muito bem como foram os shows na Europa. É uma forma de dividir com os fãs a energia e o clima que vivemos no velho mundo.

Loks Rasmussen: Fomos gravando os Shows e em Amsterdam tivemos uma atenção especial dos técnicos da casa que captaram e nos deram a master sem edição e aberta para podermos mixar do nosso gosto, aí quando chegamos aqui sentamos com nosso produtor (Andria Busic) que deu um trato nas mixagens aí ficou o que vocês ouvem esse trabalho onde capta totalmente a essência do show ao vivo sem mexer em praticamente nada.

Metal Na Lata: O Pop Javali já abriu shows do Deep Purple e Uriah Heep aqui no Brasil, como foram esses shows?

Marcelo Frizzo: “Opennig Acts” são excelentes para ganhar maior visibilidade, uma vez que você se apresenta para um público geralmente grande e que ainda não conhecia seu trabalho. Fomos muito felizes todas as vezes que fizemos aberturas de bandas grandes, porque os públicos presentes sempre gostaram muito da POP JAVALI. Sem contar que ganhamos muita experiência de palco participando de eventos de maior porte.

Loks Rasmussen: É uma forma de divulgar o trabalho e conseguir tocar para um maior número de pessoas, alavancou a carreira da banda e nos credenciou para passos maiores, os Shows foram ótimos cercados de muita motivação de nossa parte, pois estávamos no palco junto com algumas das maiores referencias do começo de nossa carreira.

Metal Na Lata: Quais bandas brasileiras foram e ainda são uma influência para vocês?

Marcelo Frizzo: Ouvi muito “RADIO TAXI” e “HERVA DOCE”, principalmente seus primeiros trabalhos, bandas brasileiras que faziam um som muito trabalhado e ainda assim bastante popular. Bandas como ‘TAFFO’ e ‘ GOLPE DE ESTADO’ também contribuíram muito. Mas, com certeza, até pela similaridade, o DR SIN foi a maior referencia.

Loks Rasmussen: Sei que existe uma variação pessoal dentro da banda, mas com certeza, Dr. Sin é uma unanimidade, no meu caso Sepultura (no começo da carreira) Casa das máquinas, entre muitas outras.

Metal Na Lata: Após o lançamento do novo álbum, quais são os próximos passos do Pop Javali?

Marcelo Frizzo: Pós-produção é algo abrangente. Estão na lista vídeos, shows, entrevistas.  Temos que trabalhar muito esse ano! E vontade não nos falta!

Loks Rasmussen: Estamos trabalhando no desenvolvimento de alguns clips desse novo álbum, também estamos em conversação com algumas produtoras e produtores de shows para um tour do “Resilient Live” podendo essa atravessar nossas fronteiras em breve novidades.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, espaço final é de vocês.

Marcelo Frizzo: Nós que agradecemos! Muito! Desejamos que o público continue dando seu suporte ao Rock, e aí me refiro não só as bandas, mas a galera da imprensa especializada que luta muito, passando pelas mesmas dificuldades que o músico enfrenta nesse país. Parabéns ao METAL NA LATA pela consciência e dedicação ao Rock’n’Roll. Aos leitores, convidamos a nos acompanhar em www.facebook.com/popjavali e a assistir aos vídeos em www.youtube.com/popjavali92. LONG LIVE M.N.L. \,,/

Loks Rasmussen: Gostaríamos de agradecer a oportunidade a todo pessoal do Metal na Lata e desejar muita força a todos, pois assim como nosso trabalho é árduo o de vocês também é, e com certeza acho que a imprensa especializada merece credibilidade pois creio que a maior luta é em prol das bandas e seus fãs, grande abraço à todos.

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