
Oriunda de Mossoró, Rio Grande do Norte, a banda Heavenless chegou ao cenário nacional pronta para quebrar qualquer barreira, seja regional, seja com seu Death Metal cadenciado e brutal. Sim, estamos diante de uma grande promessa para um estilo que cada vez mais fica órfão de seus heróis. Batemos um papo com Kalyl Lamark (vocal/baixo), que nos contou detalhes da trajetória da banda e muito mais. Confira!
Por: William Ribas
Metal Na Lata: Conte nos como surgiu a Heavenless?
Kalyl Lamark: Grande William e equipe do Metal na Lata, de antemão agradecemos a oportunidade desta entrevista. O Heavenless surgiu no fim de 2015 quando três malucos resolvem se unir com o objetivo de fazer o som mais pesado que já tinham tocado na vida. A ideia de tocar juntos já vinha sendo alimentada desde antes já que Vini, guitarrista, e Vicente “MadButcher”, baterista, tocavam juntos no Bones In Traction e eu era o baixista reserva dos caras. Sempre tivemos grande afinidade e sabíamos que se formássemos um trio algo de bom poderia sair.
Metal Na Lata: Qual é a mensagem por trás do título do álbum?
Kalyl Lamark: É o medo que as sociedades mais religiosas têm em citar o nome da entidade demoníaca: “aquele que não pode ser mencionado”. Além disso, é uma cultura muito forte do sertanejo. Faz parte da minha infância, já que minha família tem origem na roça e era comum, quando criança, ter bastante contato com as histórias que eram contadas onde meus avós residiam, local sem energia elétrica, bem no meio da catinga, distante muitas léguas de qualquer zona urbana – ambiente ideal para lendas e por isso o folclore local era bem rico.
Metal Na Lata: Como foi o processo de criação para “Whocantbenamed”?
Kalyl Lamark: Esse disco saiu muito rápido, em menos de três meses de ensaio já fomos gravar. Por conta disso, acreditamos que reflete uma sonoridade embrionária, onde houve o primeiro contato dos três. É importante maturar o trabalho e entender onde a banda quer chegar. Precisávamos de tempo para aprumar os eixos e na época a banda passava por esse protocolo. Whocantbenamed foi criado num susto, e nosso processo de criação, geralmente, eu forneço a matéria prima em forma de riffs toscos e os caras fazem o trabalho de lapidar e deixá-los em forma de terremoto. Então foi importante eu passar a conhecer bandas que fossem compatíveis com nossa identidade sonora, é um trabalho de estudo e pesquisa, demanda tempo. O público que acompanha a banda vai sentir um forte impacto quanto às novas músicas que vão habitar o novo disco, Cursed. Nesse disco a banda tá pronta pra guerra.
Metal Na Lata: No som da banda encontramos momentos rápidos, cheio de densidade, groove, Death, Thrash, Hardcore, tudo está presente. A ideia da banda é manter a mente sempre aberta e tocar o que o coração manda sem se prender em rótulos?
Kalyl Lamark: A regra é que nossa música nos cause frenesi no palco, seja tenebrosa, pesada e aos nossos ouvidos soe avassaladora. Não nos prendemos a um estilo específico, se a gente achar que deva estar na música, vai estar.
Metal Na Lata: O clipe da música “The Reclaim” é sensacional e mostra toda a carga pesada que a banda traz no álbum todo. De quem foi a ideia para o clipe e aonde foi gravado?
Kalyl Lamark: A ideia do clipe foi do guitarrista, Vini. Ele quem se deu ao trabalho de preparar todo o aparato enquanto eu e MadButcher enchíamos a cara. Casou perfeito quando nossos chapas Dilsinho e Vicente (não confundir com Vicente “MadButcher”, os dois são bateristas mas só o nosso bebe!) que tocam no In No Sense pediram, imploraram (risos) pra gravar um clipe da gente. Aí os caras vieram lá de Fortaleza, Ceará, 270km de onde moramos e a gente armou tudo nos carros e partimos para o meio do mato pra achar um local legal pra gravar. Soubemos de uma localidade há uns 15km da cidade que há histórias de aparições fantasmagóricas relatadas por moradores locais. Tinha lugar melhor pra fincar uma cruz invertida no chão, tocar fogo nela e gravar o clipe?
Metal Na Lata: A banda se mostra contraria a todo tipo de extremismo. Mas hoje em dia é o que mais se vê seja nas ruas, ou, as pessoas em casa pelas redes sociais. Como vocês enxergam isso?
Kalyl Lamark: FUCK RELIGION. NO GODS NO BULLSHIT.
Metal Na Lata: “Whocantbenamed’, está disponível em várias plataformas digitais, por um lado isso traz mais fãs para a banda e evita os downloads ilegais. Mas infelizmente não se ganha quase dinheiro nenhum, como trazer o fã para mais perto e conscientiza ló que a sobrevivência da banda e até mesmo de uma cena depende dele também que não basta apenas likes no Facebook?
Kalyl Lamark: Aprendemos muito com nossos gurus, Eliton e Susi, que comandam a produtora Som do Darma da qual fazemos parte. Eles nos ensinam que essa questão mercadológica (que aliás, eles cuidam muito bem) é consequência, e está em segundo plano para nós. Queremos principalmente transmitir uma mensagem verdadeira através da arte, da nossa música, sem pensar em monetizar a banda. Quem curtir a banda vai nos ajudar comparecendo aos shows e dando sangue e suor pra bater cabeça com a gente até a testa rachar o chão.
Metal Na Lata: Qual é o segredo para criar uma banda e em menos de 1 ano gravar um disco que está sendo elogiado por todos?
Kalyl Lamark: A gente já roeu bastante osso antes. Estivemos ativamente envolvidos com o meio musical há pelo menos 10 anos, desde casa de show pequeno até festivais, onde fomos roadie, produtor, barman, mesário, motorista, tour manager, etc. Enfim, temos um network na bagagem e utilizamos ele para o Heavenless. Não é nenhum segredo, quem quer rir tem que fazer rir.
Metal Na Lata: Como é fazer Heavy Metal numa região aonde a música que predomina é o forró?
Kalyl Lamark: As dificuldades são principalmente geográficas. Fazer uma turnê no sudeste é uma missão e tanto para nós, pois aeroporto fica há quase 300km daqui. Quanto a cena em si, temos uma atividade alternativa muito forte, não temos do que reclamar. Eu diria que é um dos locais do Nordeste mais confortáveis pra se produzir show de metal, por exemplo. O reflexo disso é que se torna uma rota fixa pra gigs de pequeno e médio portes.
Metal Na Lata: Como estão os planos para turnê? Existe possibilidade de viajar para fora do país?
Kalyl Lamark: Estamos focados na gravação do novo disco que devemos terminar em novembro. Mas este ano ainda faremos uma turnê pelo Nordeste, em uma perna mais ao norte, pro lado do Maranhão, Piauí, além de tocar em alguns festivais do Ceará e Rio Grande do Norte. Para o início de 2018 já temos uma segunda turnê no Nordeste programada para abril, onde queremos fazer de Natal à Salvador, passando também por vários interiores. Além disso há um convite em aberto para o segundo semestre de 2018 para uma tour de 15 dias na Europa.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista. Por favor, deixe uma mensagem para nossos leitores.
Kalyl Lamark: A gente é muito grato a todos que tem nos dado suporte e demonstrado sintonia conosco. Vamos pro show, tomar uma cerveja juntos, ouvir metal e bater cabeça nessa porra!
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