
Withblood – “Dark Wings” (2020)
Eclipsys Lunarys Productions
#DarkMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Dolorian, Cultus Sanguine, Unholy, Funeral, Woe Unto Me
Nota: 8,0
É certo que o Doom Metal viveu um de seus auges criativos e de exposição na década de 90 e sim, o Brasil já tinha seus representantes (de peso, diga-se). Pioneiros como o The Cross, Serpent Rise e Mythological Cold Towers, já estavam por aqui a pavimentar os caminhos do até então “novo” gênero. Grandes discos, fusões com outros gêneros e mesmo com elementos díspares à sua essência… enfim, tudo que foi confeccionado lá fora, foi também confeccionado aqui, mas com um, porém, a identidade, não era apenas dar a sua versão de arte, era preciso fixar sua identidade e criar espaço para sua assinatura musical. Basta dizer que mesmo havendo dezenas de milhares de bandas de Doom Metal mundo afora e incontáveis discos já lançados ou por lançar, ainda assim, nenhum deles sequer aproxima-se da personalidade e atmosfera de discos como: “Sphere of Nebaddon: The Dawn Of A Dying Tyffereth” ou “Gathered By…” Estes trabalhos são exemplos sui generis, embora existam muitos outros que representam e ilustram o cuidado e afirmação que longevo maldito gênero recebeu aqui.
Nos últimos anos o supracitado Doom Metal nacional vive sua segunda ascensão, ou melhor, o seu progresso, com novas bandas surgindo a todo instante, vindas das mais distintas localidades, lançando trabalhos primorosos. Mas de nada adiantaria produzir se o resultado destes esforços não alcançarem os fãs certo? E é aí que entram os selos, pois é deles que as bandas nativas do Underground vem tirando suas forças, graças a iniciativa e ‘incansabilidade’ de seres como Leandro Fernandes (Eclipsys Lunarys Productions) e Douglas Silva (Cold Art Industry). Tudo bem que existam mais selos e distribuidoras, mas raciocine: dê que adianta relançar discos clássicos de bandas também clássicas, em versões luxuosas e consequentemente caras, mas não se prestar ao mínimo de apoiar uma banda local em início de trajetória? “Capitalismo!” Diriam — entendo ser preciso lucrar, mas nem só de lucros sobrevivem as manifestações de arte.
O Withblood é uma one-man-band oriunda de Jundiaí, São Paulo, cuja mente que dá a ela vida é de Marcelo Ricardo (Moriendi). “Dark Wings” é seu primeiro registro, e nele ouvimos um apanhado que transita entre o clássico Death/Doom dos 90s e o Dark Metal, soma-se a eles algumas porções de Dark Ambient e ares experimentais. Ao todo são 09 temas, sendo que dois são covers — “Alice” (The Sisters of Mercy) e “Never Let Me Down Again” (Depeche Mode), claro que ambas trajadas de Withblood. Os demais apresentam características semelhantes, paredes sonoras, guturais (vozes limpas também), cadência rítmica e um caprichoso trabalho nos teclados (ora como pianos, ora emulando órgãos), mas sempre presentes fazendo frente as composições ou preenchendo-as.
Aos primeiros destaques: “A New Life To Destroy”, “She Has Dark Wings” e “With Blood”; essa ultima ambientada numa espécie de melancolia urbana (sim, há mais solidão entre as multidões e suas metrópoles que no isolamento de um recanto nas colinas). “She Walks In Beauty” é tocante e emotiva, com vocais limpos e de certa forma frágeis, como se fossem desafinar a qualquer momento, mas não o fazem, e é essa a sua beleza. Dessas músicas que capturam toda beleza de um único momento — todas as emoções expostas num 3×4 musical. “Lust Without Love” finda a peça nos rigores de um Death/Doom Metal à lá Paradise Lost/My Dying Bride/Katatonia; um deguste aos fãs do gênero e das bandas citadas.
Melancolia, dosada versatilidade, temas bem compostos e certa aspereza são a marca de “Dark Wings”. Um ótimo registro e totalmente indicado aos enólogos de sonoridades introspectivas. Parabéns ao Withblood (que venham mais álbuns) e parabéns ao Leandro por prosseguir apoiando o mais Underground dentro do Underground. Há qualidade na música feita no subsolo e mais ainda nas camadas inferiores.
Fábio Miloch





