
Angra – “Omni Live” (2021)
Voice Music
#PowerMetal, #ProgressiveMetal, #Melodicmetal
Para fãs de: Shaman, Evergrey, Turilli/Lione
Nota: 9,0
Cada capítulo da bíblia de um fã de heavy metal é o encarte de álbum, e no meu caso tudo que cerca o grupo paulistano Angra é carregado de emoções e memórias. A descoberta na adolescência de “Fireworks” (1997), o primeiro show “grande” – tour do “Rebirth” (dia 13/07/2002), o vinil do “Angels Cry” sendo “furado” nas férias.
Trilhas e enredos de alegria, tristeza e paixão passam pelas letras do grupo até 2005.
“Omni”, em 2018, foi uma redescoberta de algo guardado á 7 chaves — era o Angra que aprendi a gostar dando passagem novamente! E lá fui aos shows, com 4 apresentações da turnê, um mais inesquecível que o outra, com músicas emblemáticas, intimistas e brilhantes, mas faltava uma maneira para marcar de vez essa fase.
Entre diversas datas postergadas, o tão esperado “Omni Live”, gravado no Tom Brasil, em São Paulo, no ano de 2018, acaba de sair do forno. Celebrando o seu terceiro nascimento, o trabalho surpreende e basicamente ensina que num disco ao vivo, quem deve brilhar ao lado do artista são os seus fãs, e não o silêncio de uma “sala de ensaio”. A cada música entoada temos a magia acontecendo, fã e ídolo numa sinergia ímpar.
Da abertura com a trinca “Newborn Me”, “Running Alone” e “Light Transcende”, mostram o absurdo da qualidade dos instrumentos bem timbrados e audíveis, o que surpreende, pois o grupo cogitou em não lançar o material, o que graças a Deus não aconteceu! Seria um erro deixar isso engavetado. Sei que a grande expectativa daquela noite era justamente com “Black Widow’s Web”, e a participação da cantora pop Sandy, a menina agora mulher, que, assim, como na versão de estúdio, deu show! Não teve camisa preta que se intimidasse pela sua belíssima interpretação mesmo que aqui tenha um erro estratégico. Com tanta mulher detonando no meio do thrash/death metal, era necessário “sacrificar” Fábio Lione fazendo às vezes de Alissa White-Gluz (Arch Enemy), a outra convidadas na faixa gravada no álbum de estúdio? Não, né!
“Insania” (o coro da plateia é de arrepiar) e “The Bottom of My Soul” são o ápice do coletivo de Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa (guitarras), Felipe Andreoli (baixo), Bruno Valverde (bateria) e Lione (vocal), e esse quinteto formam um ‘dream team’, o que aliás o Angra sempre conseguiu ter músicos de qualidade inquestionáveis ao longo de seus quase 30 anos. As duas faixas citadas esbanjam criatividades, peculiaridades, feeling, melodias grudentas e suaves que, de certa, forma brindam com a nossa alma.
A porrada “War Horns” e a experimental e dançante “Caveman” pedem passagem mantendo o tracklist do primeiro CD bem alto (o cd é duplo), até o fechamento com o solo de Valverde. Não sou muito fã de “malabarismos” (entendam-se como solos) mesmo sabendo que o baterista em questão seja um dos melhores do Brasil, ou seja, um “drum solo” totalmente dispensável.
Uma das melhores dos últimos tempos, e porquê não dizer da carreira, abre o segundo CD: “Magic Mirror”. Toda musicalidade do Angra,você encontrará aqui. Batidas quebradas, harmonias vocais, linhas instrumentais pegajosas caindo num refrão açucarado, TUDO! Se o álbum terminasse aqui, o preço pago estaria muito bem investido, mas, não, ainda temos no pacote a cativante “Always More”, a clássica “Carolina IV” (Deus abençoe o inesquecível maestro André Matos) e “Rebirth”, pesada e energética sendo um dos pontos altos desse material.
Infelizmente, o fã terá em suas mãos um projeto que teve que ser sacrificado, reduzido ou o que desejar adicionar aqui, graças as “tretas” do AngraVerso. Algumas das músicas tocadas no show tiveram que ser cortadas. Isso mesmo! Plenos anos 2021 e ainda temos essa baboseira. Sinceramente, dentre algumas cortadas, a única que realmente pode ser sentida de fato é “Heroes of Sand”, que contou, também, a participação de Sandy. Não vem ao caso citarmos motivos para essas coisas, quem saiu perdendo foi o fã? Não, todos os lados!
Enfim, “Omni Live”, tirando essa bobeira, cumpre o seu propósito de celebração á era Lione.
William Ribas





