
Dorsal Atlântica – “Pandemia” (2021)
Independente
#Metal, #Hardcore, #ThrashMetal, #Rock, #Crossover, #PunkRock
Para fãs de: Ratos de Porão, Motorhead
Nota: 9,0
Após o lançamento do excelente “Canudos” (2017), Carlos Lopes, vocalista, guitarrista e principal mentor por trás da lenda do metal nacional, Dorsal Atlântica, por “n” motivos disse que iria se aposentar do mundo da música, ou melhor, do mundo do rock/metal, para se dedicar exclusivamente a área de desenhista e ilustrador. Mas, devido a tudo que estamos passando de 2020 para cá, as engrenagens de Carlos e a Dorsal voltaram a funcionar. Depois que foi anunciado nas redes sociais da banda que um novo álbum seria lançado, a expectativa dos verdadeiros fãs da banda foi nas alturas, inclusive para esse que vos escreve.
Sou um grande fã e acompanho a banda desde os anos 80, e “Canudos” levou de mim um sonoro 10 com louvor aqui nas “páginas” do Metal Na Lata, então o quão mais inovador poderiam ser em um novo trabalho depois de tantos elogios de seu anterior?
“Pandemia”, financiado através de crownfunding, relata exatamente o que estamos vivendo atualmente em nosso país, um verdadeiro caos desenfreado como um trem desgovernado indo direto a um precipício, só que abordando letras dentro de uma história de ficção, num pais também imaginário chamado Brazilândia, comandado por um quadrúpede e seu rebanho, e com sua população segmentada e dividida em três espécies: equinos (governantes), caninos (povo) e símios (militares), todos contaminados pelo vírus da burrice, ignorância e escrotidão. Qualquer semelhança é mera (ligando o botão da ironia) coincidência, tá?
Carlos Lopes (vocal/guitarra), Cláudio Lopes (baixo, irmão de Carlos) e Braulio Drumond (bateria) gravaram “Pandemia” sem sequer nenhum ensaio soltaram e com recursos extremamente restritos, mas não pense que isso tenha impactado no resultado final, pelo contrário, deu um charme e crueza únicos!
Sua sonoridade difere um pouco de “Canudos” no que tange a influência do Hardcore, o que aqui é mais evidente, tal qual as influências e experimentações de soul e outros estilos brasileiros de raiz ligados ao candomblé e umbanda, por exemplo.
Para aqueles fãs acostumados a algo mais reto e direto ao ponto dentro do metal poderá ter certa estranheza, até mesmo repulsa, mas aqueles que conseguem absorver uma gama maior de estilos e se desprender de rótulos, é um prato cheio.
Produção pesada, simples e eficiente, trabalho gráfico impactante e de extremo bom gosto (o CD vem numa embalagem que simula um vinil de 7 polegadas gatefold, com letras e encarte extra), “Pandemia” tem 11 faixas, recheadas de vinhetas sombrias e cheias de ironias, esbaldando uma sonoridade que consegue unir a secura, aspereza, crueza, robustez, rispidez e versatilidade como se fossem unha e carne. Completamente inrotulável (ainda bem, pois se fosse rotulável com certeza não estaria o nome de Carlos Lopes envolvido), temos riffs thrashcore, outros completamente ‘sabbathicos’ e ‘motorheadianos’, melodias remetendo à música armorial e muita, mas muita energia. Se (tentássemos) situar os ouvintes do que temos em “Pandemia” seria uma espécie de Rock PunkThrashCoreMetal, a ordem dos fatores não altera o produto.
A obra aqui criada é para ser ouvida e apreciada em sua totalidade, mas em quase uma hora de trabalho, gostaria de destacar a impactante faixa título, a excelente “Burro” que bebeu na fonte de “Crucificados pelo Sistema” do Ratos de Porão, a faixa “Caes” que é uma mescla entre hino apoteótico com aquelas introduções mirabolantes de seriados japoneses, a total Motorhead em “Pobre de Direita” (impossível não lembrar de “Overkill”), “Combaterei” com bateria totalmente Black Metal, na pancadaria de “Gorilas” que nos remete novamente ao Ratos de Porão, “Infectados” que poderia ter sua melodia inicial como faixa de abertura de tele jornal de “Brazilândia” e o arrasa quarteirão “Terra Arrasada”.
Na minha concepção, tanto “Canudos” como “Pandemia” são discos fortes, logicamente de protesto e cunho de contestação política dentro da visão de Carlos, goste/concorde você ou não, mas seguem uma mesma linha sonora rebelde que vai de encontro a criação do Rock/Metal, ser contra ao sistema, seja ele qual for. Não sou de esquerda, nem de direita, tenho minhas convicções, mas isso não entra em questão aqui no Metal Na Lata, e jamais entrará, pois aqui abordamos única e exclusivamente música independente de posicionamento político. Exercemos o respeito acima de tudo, mas que estou cansado de tanta atrocidade dos nossos (des)governos, estou!
Voltando ao que importa, eu adoraria ouvir “Canudos” e “Pandemia”, dois grandes marcos SIM da carreira da Dorsal Atlântica, em sua totalidade sendo executados ao vivo na íntegra algum dia, como despedida ou algum show comemorativo. Fica a dica Carlos!
Obs: Qualquer comentário de cunho político nessa resenha, ofensa, desrespeito ou seja lá a merda que for, será desprezado e deletado. Não tenho tempo nem paciência para retardados sócio torcedores de políticos filhos de uma puta!
Johnny Z.





