
Lunar Swamp – “Moonshine Blues” (2021)
The Swamp Records | Clostridium Records | Burning Coffin Records
#StonerMetal, #DoomMetal, #BluesRock, #PsychedelicStonerRock
Para fãs de: Wo Fat, Black Sabbath, Danzig, The Doors
Nota: 9,0
Vapores, criatividade, Blues e psicodelia. Pântanos sob o luar — estrelas nascendo e morrendo no silêncio dos anos-luz que as separam de nós. A estridulação de uma assembleia de grilos saudando os absolutos reinos noturnos. A audição pede por uma bebida quente e reconfortante, na vertical da necessidade, e com um bom fumo como companhia a mesma. A vida repousa distante da loucura urbana em estéreo e pela tangente da vida, através de pensamentos horizontais, fugimos do concreto e vamos enfim à música.
Seres com PhD em noites brancas, eis “Moonshine Blues” — a primeira oferenda devidamente completa da Lunar Swamp —, banda oriunda da fotogênica e paisagística Catanzaro — Itália. Em 2020 o trio formado por Machen (guitarras e baixo), S.M. Ghoul (bateria) e Mark Wolf (vocais) lançou uma pequena, mas bonita porcentagem de sua música, o portentoso single “Shamanic Owl”. Essa degustação ganhou novos condimentos e ingredientes de igual sabor e suculência, e em março do mesmo ano foi a vez do acachapante EP “UnderMudBlues” (um recomendável artigo de Stoner/Doom Metal da melhor categoria). Devidamente resenhado e elogiado por nós (MNL).
Riffs tão sujos e sinuosos quanto corrosivos e viscosos se espalham por seis odes dedicadas ao arrasto sonoro. A produção é propicia, aquosa e adequadamente abafada, mas não a ponto de soterrar ou tornar as músicas ininteligíveis. Os arranjos são ótimos e as estruturas criadas pelo baixo, bateria e guitarra compartilham dessa mesma qualidade.
“Muddy Waters” dá início ao rito invocando deidades setentistas e entidades “sabbathicas” por dentre o bolor de suas paredes sonoras… A energia é densa e atmosfera insalubre. Boa abertura. “MoonBurst Smoke” é pura peçonha. Torta e brisada, com os vocais de Mark Wolf emulando tanto Glenn Danzig quanto Jim Morrison. “The Redneck Squatch” é mais ácida, volumosa e com referências claras de Southern e Psych Rock. A audição segue deliciosamente patológica, assim sendo, se riffs sujos e feiura musical lhe desagradam sugiro que procure pelo catálogo perfumado da Frontiers.
Uma gaita chamativa dança sobre a lama de “Old Ben The Gator”. Ao meu gosto, a melhor composição de “Moonshine Blues”. “Cross Swamp Blues” (belo título) dá sequência ao arrasto. Mais uma ótima faixa onde os vocais de Mark Wolf se destacam novamente. A excelente versão de “Sweet Sue” (originalmente lançada em 2008 no segundo álbum, “Paralyzed” dos Witch) coloca fim à nossa jornada. Saímos dos pântanos e voltamos à pieguice da civilização moderna. O Lunar Swamp soma muito à cena com seu impecável “Moonshine Blues”. As qualidades apresentadas no EP de 2020, foram aqui, totalmente maximizadas. Um álbum realmente hipnótico do início ao fim, onde inspiração não é exceção e sim regra!
Fábio Miloch





