
Stairway To Brazil – “The Brazilian Tribute To Led Zeppelin” (Compilation)
Secret Service Records
Para fãs de: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Lynyrd Skynyrd, Robert Plant, Jimmy Page
#ClassicRock, #HeavyMetal, #HardRock
Nota: 9,0
Não sou um grande fã de Led Zeppelin, sempre fui mais da turma do Black Sabbath, Deep Purple, Rainbow e afins, mas não sou um depreciador do trabalho da banda, longe disso, pois sei que sua importância ao Rock mundial é imensurável da mesma forma que as outras citadas. Posso não ser um enorme conhecedor de sua carreira, mas conheço seus discos, ouvi todos e li muito sobre eles, apenas não me aprofundei como a grande maioria dos fãs mais ‘die hard’ fizeram, mas tenho minhas preferidas, obviamente, e nesse tributo parece que foi até combinado comigo o tracklist (risos).
Com isso, vou dar minhas impressões sobre as faixas de “Stairway To Brazil – The Brazilian Tribute To Led Zeppelin”, mais novo e recente tributo com bandas brasileiras lançado pela Secret Service Records, puramente de acordo com meu gosto pessoal, não me prendendo a nuances das faixas originais aqui retrabalhadas.
Seguindo o foco do excelente tributo ao Deep Purple, “Womam From Brazil”, também lançado pela gravadora, todas bandas aqui também possuem vocal feminino e mais uma vez meus caros vou chover no molhado: elas detonam! Vamos as faixas:
No One Spoke – “Kashmir”
Belíssima versão, com direito a piano e a manutenção do compasso, vibe e clima da original de forma muito coesa e cheia de identidade. Os arranjos orquestrados e cítaras aqui deram um show! Pesada na medida certa, produção e mixagem robusta, guitarra, baixo, bateria e uma aula de vocal bem na cara do ouvinte. Jesus, essa música por si só chega a arrepiar, mas essa versão ficou uma delícia! Palmas!
Revengin – “Living Loving Maid”
Inicío dançante, parecendo até dance music, mas que casou muito bem aqui! Interessante junção dos vocais femininos com os backing vocals masculinos agressivos em certas partes mais importantes da composição deram uma profundidade bem similar a bandas como Lacuna Coil, por exemplo, com muita propriedade. Produção impecável, também. Perto da versão anterior que contem quase dez minutos de duração, a versão do Revengin acaba do nada, dando um gostinho de “ué, já?, ofuscando um pouco a mesma. Na minha opinião, eu deixaria “Kasmir” junto da “Stairway To Heaven” como as cerejas do bolo no final do tracklist. Nada que atrapalhe a qualidade da faixa aqui, apenas um detalhe técnico. Outra bela versão!
Fenrir’s Scar – “Black Dog”
Essa é mais na cara, despejando com dois pés no peito do ouvinte riffs e mais riffs com andamento ligeiramente diferente da original, mas sem descaracteriza-la, ou seja, mantendo o riff inicial em palhetadas por toda a faixa, o que na original tínhamos as “paradinhas” durante os vocais de Robert Plant. Excelente, redondinha e que te fará ouvir novamente várias e várias vezes.
Voccatus – “All My Love”
Orquestração exuberante e, talvez, a versão mais épica e diferente (da original) em todo tributo. Fãs de Nightwish vão se deliciar e tirar o chapéu aqui. Solos belíssimos e uma reconstrução bem emocionante do começo ao fim!
Sacrificed – “Immigrant Song”
Essa faixa é uma das que mais gosto do Led Zeppelin, e logo no começo dela já me colocou aquele sorriso sorrateiro no rosto pois mantiveram a originalidade dos riffs e compassos com muito peso e palhetada, o que eu sou um grande apreciador. Cada galopada do riff é um soco no estômago. Os vocais brilham junto com os outros instrumentos de forma nivelada, não tendo nem um nem outro se atropelando, o que eu gostei demais. São parcos três minutos de faixa original, e aqui foram preenchidos da mesma forma, mas confesso que eu adoraria que essa faixa fosse maior.
Cross Road – “Ramble Onemaster”
Sonoridade que me remeteu instintivamente ao Lynyrd Skynyrd com vocal lembrando uma mistura híbrida de Janis Joplin com Cher, com a essência, classe e influência de monstros como Jimmy Page e Steve Morse, executadas primorosamente. Versão honesta e cheia de classe. Guitarristas vão adorar!
Living Shields – “The Ocean”
Outra que lembra o Nightwish, mas mais voltada as guitarras e orquestração, não tanto na vocalista que é mais contida, mesmo tendo uma belíssima voz. O que notei aqui é foi todos os músicos não quiseram se autopromoverem em seus instrumentos como “os fodões”, mas sim se juntaram para o bem da música numa união em respeito a obra. Versão bem honesta, digna de nota daquelas que dá gosto de ouvir e torná-la a trilha sonora de umas belas férias, pois a original já é viajada e aqui mantiveram isso! Mandaram bem demais!
Corja – “Good Times, Bad Times”
Caraca! Que peso é esse! Os pelos do meu braço arrepiaram nas primeiras notas e nesses riffs cortantes! Eu amo isso! Uma cacetada Death Metal com riffs passeando pelo Djent de arrancar o pescoço e totalmente diferente da original pois passou anos luz da mesma numa reconstrução abominável (no bom sentido) e ignorante de tão agressiva. Nunca iria imaginar uma banda assim fazendo cover de Led Zeppelin! Puta merda, isso ficou agressivo e (muito) bom demais!
Melyra – “Houses Of The Holy”
Depois da versão do Corja te assassinar, nada melhor que algo mais calmo para te fazer ressuscitar dos mortos (risos) e essa versão precisa da Melyra veio na lugar certo. Sua sonoridade me representou aquelas faixas de abertura de seriado norte-americano de sucesso dos anos 80/90, daquelas de grudar na cabeça por soar sexy, cadenciada, grudenta e vitaminada que te joga para cima, Baita alto astral! Adorei! Parabéns a banda que fez bonito com o jogo ganho, já que sua versão original é linda.
Bella Utopia – “Communication Breakdown”
Essa já me soou meio estranha em seu início, me fazendo ouvira novamente para compreender melhor. Transitando por algo bem “datado” no riff inicial, até diminuir sua rotação me fez pensar em ser algo mal produzido e sem esmero nenhum. Ledo engano! Percebe-se que foi proposital, pois logo na sequência veio o “negócio propriamente dito”, com qualidade, produção e tudo mais. Guitarras mais baixas na mixagem, riffs sujos, mas não menos interessantes, mas é do seu meio para o fim que o bicho pega, trazendo todo peso na desconstrução. Super interessante e diferente de todas as milhões de covers que já ouvi dessa faixa. Muito bom mesmo!
Vandroya – “The Rover”
Impecavelmente idêntica a versão original, sem mudar nenhuma nota, talvez a inserção dos teclados Hammond (me corrijam se eu estiver errado, não sou um exímio conhecedor do instrumento) que deram mais profundidade. O gingado e o groove da faixa original foram todos preservados, o que seria um pecado mortal não terem mantido. Se o Deep Purple de hoje chamasse a Janis Joplin para cantar esse cover, seria basicamente o que ouvimos nessa versão. Incrível como as vocalistas de hoje se inspiram na Janis, não é mesmo? Aquele jeito de cantar todo cheio de swing era único mesmo e aqui a vocalista bebeu muito nessa fonte com influências – pelo menos eu achei – de Myles Kennedy (Slash, Alter Bridge) nas vocalizações mais altas. Sensacional! Puta merda, que música!
Weedevil – “Heartbreaker”
Baixão estalando na sua cara numa espécie de Black Zeppelin ou Led Sabbath, te faz viajar no que poderia ter sido de um dia essa união dos gigantes tivesse realmente ocorrido. Reza a lenda que existiu, mas ainda não viu a luz do dia e não sabemos se um dia vamos ver. Enfim, versão PERFEITA que transita naquele meio fio entre sinistro e angelical para ambos mundos e fãs! Se existe uma fronteira entre o céu e o inferno, a trilha sonora é essa! John Boham, onde estiver agora, provavelmente ficará orgulhosodessa versão
Innocent Lost – “Whole Lotta Love”
Outra com baixão estilando na sua cara e ligeiramente diferente da original, com as guitarras dos riffs um pouco baixas e abafadas em certas partes, prejudicando um pouco a mixagem final, mas nada que desonere o trabalho pois quem coloca a mão em “Whole Lotta Love” sabe que tem o jogo ganho, não é mesmo?
White Death – “For Your Life”
Essa versão me trouxe aquela pegada mais Hard Rock enérgica do Motley Crue e Mr. Big (mais recente) rapidamente a mente, com as guitarras bem na cara como as bandas mais modernas de Hard Rock estão fazendo atualmente, com um certo peso quase que Heavy/Thrash Metal, palhetadas e riffs pesados (meu destaque nessa faixa) numa produção nítida, vistosa e encorpada que muito com os vocais fortes e cheios de gana. Outra bela versão que vale a sua atenção.
Sleepwalker Sun – “Stairway To Heaven”
A indefectível “Stairway To Heaven” executada de forma brilhante, com lindas harmonias de teclado que acompanham as melodias de cítaras, violões e guitarras do início ao fim e uma interpretação primorosa dos vocais. Trabalho de bateria e solo de guitarra exuberantes. Nada mais a declarar, o negócio é de um extremo bom gosto!
Mais um excelente tributo lançado pela Secret Service que prima pela excelência na escolha de suas bandas e mais ainda nas versões mostradas, exigindo sempre o melhor de seus participantes em razão dos medalhões homenageados, pois o mínimo a esses gigantes é dar o máximo. Que venham os próximos!!!
Johnny Z.





