Ghost – Espaço Unimed, São Paulo/SP (21/09/2023)

GHOST_RESENHA
Compartilhe

Ghost – Espaço Unimed, São Paulo/SP (21/09/2023)

Abertura: Crypta
Produção: Move Concerts
Assessoria: Midioarama / Catto Comunicação

Texto por Johnny Z.
Fotos por André Tedim (@andretedimphotography)

Num dia de calor escaldante em São Paulo, com temperaturas acima dos 30 graus, a abertura da noite ficou por conta da nossa Crypta, marcando o início da nova turnê de divulgação do excelente álbum “Shades Of Sorrow”. Infelizmente, no dia anterior, devido a atrasos logísticos na chegada do palco da atração principal, os suecos do Ghost, vindo do México, nossas meninas não puderam se apresentar.

Apenas iluminadas por luzes vermelhas (uma escolha curiosa e nada boa para os fotógrafos, não?), Fernanda Lira (vocal/baixo), Luana Dametto (bateria), Tainá Bergamaschi (guitarra) e Jéssica di Falchi (guitarra) entregaram um show repleto de energia e peso, sendo calorosamente (com o perdão do trocadilho) aplaudidas por uma plateia que já estava quase lotando o Espaço Unimed. Muitos fãs gritaram o nome da banda e se entregaram de corpo e alma ao poderoso Death Metal do quarteto.

O som pode ter ficado um pouco embolado, mas isso de forma alguma prejudicou a apresentação, já que o entrosamento das integrantes no palco é evidente. Todas merecem destaque, mas uma que merece menção especial (na minha opinião) é a guitarrista Tainá Bergamaschi, que impressionou a todos com sua imponência, deixando até os marmanjos “metidões” no chinelo!

A imponência, a presença de palco, a pegada, o timbre, o peso e a destreza dessa mulher são dignos dos grandes mestres do estilo. Jéssica também não fica atrás, mandando muito bem, e Luana é impecável, martelando a bateria com técnica e pegada impressionantes. Ela pode ser pequena, mas atrás do kit se transforma em uma gigante! Será que esqueci de alguém?

Ah, Fernanda? Precisa dizer alguma coisa? O palco é o lugar dessa mulher, sempre sorridente (com algumas caretas malucas que lembram muito uma versão feminina do Cronos, do Venom – só que mais bonita, claro ha ha ha), se divertindo e irradiando energia para todos que a assistem numa presença de palco ímpar. Ao contrário de alguns que insistem em focar em polêmicas e besteiras, não entramos em polêmicas aqui, apenas curtimos a música de qualidade que elas nos oferecem, e isso, Fernanda e todas as integrantes da Crypta sempre nos proporcionam. Isso é o que importa!

Confesso que as músicas de “Shades Of Sorrow”, que compuseram a maior parte do setlist (apenas duas do álbum de estreia), ganharam uma dimensão ainda mais poderosa ao vivo. Continuem assim, ok? (risos).

Foi um show agressivo, impecável e extremamente pesado, embora infelizmente curto devido ao seu status de abertura e com uma iluminação predominantemente vermelha. No entanto, ficou claro que a Crypta está em ascensão no Brasil e no mundo, sendo inclusive elogiada pelo próprio Tobias Forge, líder do Ghost. Logicamente que no show normal teríamos muito mais porradaria e arregaço de qualidade! Valeu meninas, arrasaram!

Setlist:

The Aftermath (Intro)
Lift the Blindfold
Stronghold
The Outsider
Lullaby for the Forsaken
Poisonous Apathy
Under the Black Wings
The Other Side of Anger
Lord of Ruins
From the Ashes

A vivência de presenciar um espetáculo ao vivo de uma banda que acompanhamos desde seus primeiros passos muitas vezes transcende a mera experiência de ouvir suas músicas em estúdio ou mesmo ao vivo. Tudo se transforma em um momento mágico, e a magnitude do evento atinge seu ápice quando tudo o que está diante de nós se eleva a um espetáculo audiovisual grandioso. E, meus estimados leitores, os suecos do Ghost – que fazia a segunda de duas apresentações em São Paulo com a turnê Re-Imperatour – demonstrou uma compreensão sólida da importância da alta qualidade estética e sonora para transformar um show ao nível de um verdadeiro espetáculo. Toda essa bem-vinda abundância pode ser comparada a um verdadeiro Cirque du Soleil do mundo do Rock/Metal (sim, metal para aqueles que insistem em falar bobeira por aí!!!)

Pontualmente às 21h, e sob a liderança de Papa Emeritus IV (Tobias Forge), a banda sueca, conhecida principalmente por seu líder já ‘desmascarado’, adota a mesma abordagem do início da carreira, que é manter os outros membros em anonimato constante com máscaras, conhecidos como os “The Nameless Ghouls”. Isso cria uma aura de mistério, onde as trocas de membros passam despercebidas para a maioria, embora alguns ex-integrantes e atuais sejam (des)conhecidos por um público mais atento.

O espetáculo começou com o som mecânico de “Klara Stjärnor”, de Jan Johansson, e “Miseri Mei, Deus”, de Gregorio Allegri, como uma extensa introdução em estilo de canto gregoriano, que, infelizmente, foi considerada enfadonha por muitos espectadores. A combinação dessa monotonia com o calor intenso acabou frustrando bastante a plateia. Mas, agora ‘para valer’, a introdução “Imperium” deu início com a queda de um enorme cortina branca que cobria (quase) todo o palco (o lado era tudo visível).

Passado esse marasmo, todos os músicos da banda (contei 9 durante toda a apresentação, sendo duas mulheres -teclado e backing vocal – que sempre sensualizavam com danças para lá de quentes) deram início ‘a missa’ com “Kaisarion” (bem mais pesada que a original, diga-se!), que fez com que o Espaço Unimed praticamente lotado gritasse e cantasse até mais alto que a banda após a entrada definitiva e cena do canastrão Papa Emeritus IV.

Era impossível não nos aventurarmos pelos detalhes da iluminação e da produção de palco gigantesca que simulava uma catedral com vitrais ao fundo, artefatos religiosos e uma bateria elevada ao centro. No entanto, outro destaque absoluto foi a qualidade sonora, que se mostrou pura, cristalina e impecável, além de surpreendentemente pesada. Sim, você leu certo! Ao vivo, o Ghost soa como uma banda completamente diferente em relação aos seus últimos trabalhos de estúdio, especialmente devido à intensidade das guitarras, o que silenciou aqueles que insistem em espalham recalques por aí.

É digno de aplausos a essência e a maturidade do Ghost, por sua capacidade de fundir com maestria essas diferentes essências e públicos, sem desapontar nenhum de seus apreciadores. Pelo contrário, essa gama de mistura têm o poder de atrair novos fãs para o todos os universos musicais diversificados que os influenciam.

No que diz respeito ao setlist, o segundo show não apresentou surpresas significativas, exceto pela substituição de “Faith” por “From the Pinnacle to the Pit”, mantendo a mesma estrutura da turnê global. Notavelmente, a ausência de “Twenties”, que havia sido tocada várias vezes, foi um ponto a se lamentar.

A faixa “Rats”, uma das pérolas de “Prequelle” (2018), surgiu logo em seguida, despejando seu cativante clima pop sobre o público. Ao vivo, essa música se transforma em um vibrante pop metal de primeira categoria! A teatralidade e as interações bem humoradas e coreografadas entre os membros da banda ao longo do show são tão cruciais quanto a qualidade do som e a diversidade do setlist. Ver o Ghost se apresentar de forma estática, sem energia e sinergia, seria verdadeiramente inusitado.

Durante todo o espetáculo, o público não deu trégua, entregando-se de corpo e alma à performance. Mesmo sendo uma quinta-feira, com compromissos de trabalho na sexta-feira, a plateia não economizou em gritos, danças e pulos, demonstrando seu total envolvimento com o show, o que levou Papa a várias vezes agradecer aos presentes.

Com um setlist bem montado e abrangendo (quase) todos os clássicos, a banda mostrou desde os primórdios mais obscuros dos primeiros álbuns, com as vibrantes, soturnas e teatrais ao vivo “Ritual”, “Con Clavi Con Dio”, “Cirice”, “Absolution”, “Year Zero”, por exemplo, que não só se transformaram em verdadeiras porradas como também foram ovacionadas pelo público principalmente mais ‘old school’ (se é que dá para falar isso nesse caso).

As tiradas e provocações de Papa e seus The Nameless Ghouls (que músicos espetaculares!!!) durante todo o set dá um tom humorístico mesmo que não seja o foco da banda, o que ao meu ver é muito apropriado para calar a boca de quem ainda, em pleno 2023, fica falando de religião, satanismo e outras babaquices de pregação.

Agora, as faixas dos últimos três álbuns foram nitidamente mais bem quistas pelo público, talvez por conterem um apelo ainda mais pop (com exceção do álbum “Meliora”, que é bem metal e denso), mas de “Prequelle”, “Impera” e os covers presentes em versões limitadas de singles em vinil somente, “Mary On A Cross” (com Papa pedindo para o público gritar ‘Mary On A’… sugerindo ‘marijuana’) e “Kiss The Go-Goat”, simplesmente ensurdeceram a maioria presentes com gritos acalorados.

“Call Me Little Sunshine” foi um espetáculo a parte, mostrando que se a banda tira-la alguma dia do setlist vai cometer um sacrilégio. Mas falando em sacrilégio, ou seria uma grande mancada, pelo menos para mim, foi não tocarem a maravilhosa “Hunter’s Moon”. Com certeza colocaria o Espaço Unimed no chão!

Na balada demoníaca “He Is”, que na minha humilde opinião não é nada de mais, mas na opinião da maioria é maravilhosa, mostrou-se uma sinergia entre banda e público de tirar lágrimas. Tenho que tirar o chapéu para isso (risos).

Outro dos momentos memoráveis na noite foi o aparecimento do antigo Papa Nihil, que foi ressuscitado na nossa frente somente para tocar um solo de saxofone na belíssima e descontraída “Miasma”. Os celulares nessa hora deram um “show” também (risos).

Sobre o peso das guitarras que citei várias vezes durante essa resenha, “Mummy Dust” – que já é um arrasa-quarteirão no álbum – ao vivo teve outra dimensão, beirando um Thrash denso, ganchudo e colossal!

O bis realmente foi de chorar, simplesmente avassalador, principalmente com as maravilhosas “Dance Macabre” e “Square Hammer”, encerrando o espetáculo com a adrenalina lá em cima. Se um ser humano não gostar dessas duas músicas em especifico, e nem estou falando em fãs de rock, metal, pop, mas sim de música de qualidade, sinceramente essa pessoa deve ter fanta uva correndo nas veias.

Em se tratando de músicas na apresentação, meu destaque ficou com: “Kaisarion”, “Rats”, “Cirice”, “Absolution”, “Ritual”, “Call Me Little Sunshine”, “Con Clavi Con Dio”, “Year Zero”, “Miasma”, “Mary On A Cross”, “Mummy Dust”, “Dance Macabre” e “Square Hammer”.

O Ghost é uma força imparável no mundo do rock, uma banda que não apenas se reinventa, mas transcende todas as expectativas a cada passo do caminho. Em um cenário musical onde o mainstream muitas vezes eclipsa o talento genuíno, o Ghost brilha como um farol de autenticidade e paixão.

No Espaço Unimed, testemunhamos uma comunhão de almas sedentas por boa música, e o Ghost não apenas respondeu a essa sede, mas aprofundou-a. Com cenários deslumbrantes e uma performance que desafia os limites da perfeição, eles não apenas atenderam às expectativas; eles as transcenderam, deixando uma cicatriz sonora inesquecível em São Paulo.

A devoção ardente dos fãs é um testemunho da magia que o Ghost traz consigo, e o sucesso estrondoso dessas apresentações é um prelúdio do que está por vir. Não há dúvida de que, no futuro, esses mestres do rock pesado contemporâneo conquistarão palcos ainda maiores em todo o Brasil, espalhando sua mensagem musical como um rolo compressor.

Aos ‘haters’ de plantão, não vai adiantar esse ódio e ‘tiração’ de sarro por aí, então preparem-se, pois o Ghost está apenas começando a ecoar no coração e mentes de todos com seu som agregador e original, que um dia vai te fisgar COM TODA CERTEZA e você irá se arrepender das besteiras que um dia falou.

Parabéns pelo excepcional evento e obrigado Move Concerts, Midiorama e Catto Comunicação pelo credenciamento e parceria de anos!

Setlist:

Imperium (Intro)
Kaisarion
Rats
From The Pinnacle To The Pit
Spillways
Cirice
Absolution
Ritual
Call Me Little Sunshine
Con Clavi Con Dio
Watcher in the Sky
Year Zero
Spöksonat (Intro)
He Is
Miasma
Mary on a Cross
Mummy Dust
Respite on the Spitalfields
Kiss the Go-Goat
Dance Macabre
Square Hammer

Compartilhe
Assuntos

Veja também