Twisted Sister
– “Stay Hungry” (1984)
Atlantic Records
#HardRock, #HeavyMetal
Nota: 9,5
“You Can’t Stop Rock And Roll” pode até ser o melhor álbum do Twisted Sister, mas “Stay Hungry” é “Stay Hungry”. Tendo em mãos um baita orçamento, Dee Snider (vocal), Jay Jay French (guitarra), Eddie Ojeda (guitarra), Mark Mendoza (baixo) e A.J. Pero (bateria) tinham a missão de entregar a Atlantic o disco de suas vidas. Acabaram entregando não apenas um sucesso de vendas, como também as canções pelas quais seriam lembrados passadas mais de três décadas de seu lançamento, ocorrido em 10 de maio de 1984.
Não podendo contar com os produtores Max Norman ou Martin Birch, o Twisted Sister acabou nas mãos do figurão Tom Werman, que havia produzido nada menos que “Shout At The Devil” do Motley Crue. Só que Werman não acreditava na força do repertório, insistia para que a banda trouxesse compositores de fora, achava que as rimas de Dee Snider eram infantis. Mas foi justamente essa linguagem, digamos, simplificada, que levou o Twisted Sister a vender sua música para públicos cada vez mais jovens.
Exemplo máximo dessa conexão está no primeiro single de “Stay Hungry”, “We’re Not Gonna Take It”, o poderoso declare guerra às autoridades. Qualquer um que se sentisse pressionado a seguir determinadas normas ou comportar-se de alguma maneira específica, seja por pais, professores ou chefes, identificou-se imediatamente com a mensagem. Vista pela PMRC como um incentivo à desobediência e uma convocação à desordem, a música seria incluída na infame Filthy Fifteen em 1985.
Os singles seguintes foram “I Wanna Rock”, que é basicamente um apêndice de “We’re Not Gonna Take It”, com riff galopante no estilo Iron Maiden e letra que reforça a ideia de brigar pelo que é seu, e “The Price”, que se tornaria a balada mais popular do Twisted Sister – não que eles tenham muitas, mas beleza -, onde ouvimos um Dee Snider morrendo de saudade da esposa e do filho cantar sobre os sacrifícios necessários para tornar os sonhos realidade.
Fora da raia dos singles, vemos outra marca registrada do Twisted Sister, que são as músicas com conteúdo de fantasia dark. Aqui temos “Horror-teria (The Beginning)”, uma mini ópera-rock dividida em duas partes que acabaria inspirando o filme “Mórbido Silêncio” em 1988; “Burn In Hell”, que é como se fosse o diabo em pessoa nos alertando sobre o risco da danação eterna caso andemos fora da linha; e “The Beast”, uma tenebrosa investigação acerca da natureza do mal. Pode ter sido apenas uma infeliz coincidência, mas logo após a gravação das pistas básicas do álbum, o Record Plant de Nova York pegou fogo, obrigando o Twisted Sister a finalizar os trabalhos em Los Angeles.
Amparado por dois videoclipes de enorme sucesso na MTV, “Stay Hungry” vendeu mais de 3 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e foi direto para a 15ª posição no ranking da Billboard, coisa que o Twisted Sister jamais conseguiria repetir. Em 2004, a banda resolveu regravar o álbum, lançado sob a alcunha de “Still Hungry”. Se vendeu 50 mil cópias, foi muito.
Marcelo Vieira





