Obscura – “A Sonication” (2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#TechnicalDeathMetal
Para fãs de: Hypocrisy, Necrophagist, Beyond Creation
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 6,5
Quatro anos após o ótimo “A Valediction” (2021), a potência alemã do Technical Death Metal, Obscura, lança sua mais nova obra, “A Sonication” (2025), o segundo capítulo de uma trilogia planejada pela banda.
Um dos nomes mais proeminentes do Death Metal técnico na atualidade, o Obscura vem construindo uma carreira sólida dentro do estilo, muito em função de sua musicalidade cheia de nuances complexas, aliadas à brutalidade e peso. Formada em 2002 e passando por inúmeras mudanças de formação, a banda segue firme sob a liderança de seu fundador, o vocalista e guitarrista Steffen Kummerer, presente desde o início. Ao longo dos anos, construiu uma discografia relevante, com destaque especial para os seminais “Cosmogenesis” (2009) e “Akroasis” (2016), verdadeiras pérolas do gênero. Nestes trabalhos, o grupo conseguiu lapidar muitos dos excessos que o Technical Death Metal apresentou na década de 2000, quando o estilo estava em maior evidência, entregando obras realmente relevantes para o gênero.
“Silver Linings”, que abre o disco, aproxima o som do Obscura de algo mais voltado ao Death Metal melódico, com menos exageros técnicos. No entanto, já apresenta um dos problemas do álbum: a produção. Ela soa um tanto sem brilho em alguns momentos — algo grave, considerando que, neste estilo, cada nota importa. Aqui, ficou um pouco aquém.
“Evenfall”, segunda faixa e primeiro single, carrega forte influência do Hypocrisy em sua fase mais recente. Não que isso seja ruim — a faixa é muito boa —, mas levanta um ponto de atenção: o Obscura é uma banda de Technical Death Metal, e essa mudança pode causar certo estranhamento, especialmente entre os fãs mais puristas. Ainda assim, ouvindo sem grandes expectativas quanto à proposta tradicional da banda, trata-se de uma ótima música, pesada e com andamentos mais diretos do que estamos acostumados a ouvir do grupo. E isso, por si só, não é necessariamente um problema.
“In Solitude” traz de volta a brutalidade mais característica do Obscura, alternando blast beats incessantes com trechos melódicos — o mesmo vale para a faixa seguinte, “The Prolonging”, igualmente brutal.
“Beyond The Seventh Sun”, uma faixa instrumental, é talvez a que mais remete ao que o Obscura apresentou em seus trabalhos anteriores. Belíssima, é um verdadeiro desfile de arranjos, solos e técnica, com cada instrumento ganhando o merecido destaque. Curiosamente, a produção desta faixa soa até melhor do que das músicas com vocais. Se tivesse, ainda que minimamente, algumas linhas cantadas, certamente seria o grande destaque do álbum.
“Stardust”, logo na sequência, também se revela outro ponto alto, uma faixa completa, carregada de groove, riffs instigantes e que mantém essa veia mais melódica que permeia boa parte do álbum.
“The Sun Eater” traz mais doses cavalares de peso já na reta final, mas permanece aquela incômoda sensação de que algo parece… fora do lugar. E essa impressão, infelizmente, persiste ao longo de toda a audição.
O disco se encerra com sua faixa-título, “A Sonication”, a mais longa do trabalho. E, aqui, chega o momento mais cansativo do álbum: uma música que, se fosse reduzida à metade, mantendo apenas seus riffs mais inspirados, certamente seria mais eficiente.
Em resumo, “A Sonication” não brilha na discografia do Obscura. Tem, sim, seus bons momentos, mas, frequentemente, a comparação com o Hypocrisy se torna inevitável. E isso não é, necessariamente, um problema — desde que a identidade do Obscura estivesse mais presente, o que, infelizmente, não acontece aqui. Essa mudança já dava sinais no álbum anterior, mas agora ficou mais evidente. Ainda assim, “A Valediction” (2021) é bem superior.
Como obra que integra uma trilogia, este capítulo do meio acabou deixando a desejar.





