Distraught – “Involution” (EP) (2025)
#ThrashMetal
Para fãs de: Destruction, Sodom, Testament
Texto por Cristiano Ruiz
Nota: 8,0
Dez anos após o lançamento de seu sexto álbum, Locked Forever, a banda gaúcha de Thrash Metal Distraught lançou, no dia 13 de julho, de forma independente, o EP inVolution. Durante esse hiato, o grupo apresentou três singles — “Crucified Life” (2022), o cover de “Symptom of the Universe”, do Black Sabbath (2022), e “Into the Pit”, do Fight (2024) — além do álbum ao vivo Southern Screams Live (2024).
Assim que a audição de inVolution tem início, os riffs agressivos de “Bloody Mines” apresentam o cartão de boas-vindas do novo registro do quinteto porto-alegrense. Trata-se de uma composição, até certo ponto, cadenciada, mas que carrega o peso característico da música do Distraught. Destaca-se aqui a performance do baterista Thiago Caurio, que imprime à faixa uma dinâmica intensa e agressiva. A letra, por sua vez, aborda de forma crítica a exploração humana e ambiental no contexto da mineração — uma denúncia direta contra a ganância corporativa.
Na sequência, temos “Extermination of Mother Nature”, que, ao contrário de sua antecessora, aposta em uma abordagem bem mais acelerada. Nela, ganha evidência o trabalho da dupla de guitarristas Ricardo Silveira e Everton Acosta, com riffs e solos marcantes. A temática da faixa reforça o viés crítico do EP, denunciando a destruição do meio ambiente e o descaso humano com o planeta.
O tema instrumental “Aether” cumpre a função de introdução para a faixa seguinte, “Truth Denied”, que se mostra ainda mais brutal que as anteriores, alternando constantemente entre velocidade e cadência. A música discute o negacionismo e a manipulação da verdade, refletindo preocupações contemporâneas com desinformação e retrocessos sociais.
O baixo de Alan Holz estabelece a conexão perfeita entre a bateria de Thiago e as guitarras de Ricardo e Everton, enquanto o vocal de André Meyer surge como o tempero final desta receita musical agressiva e de qualidade indiscutível.
Coube a “Setfire” a missão apoteótica de encerrar o EP do Distraught e, convenhamos, o desfecho manteve, inegavelmente, o mesmo alto nível da abertura. Embora traga os mesmos elementos presentes ao longo do trabalho, “Setfire” foi uma escolha acertada para o encerramento. Sua letra sugere ruptura e renascimento, evocando o fogo como símbolo de destruição necessária para que algo novo surja.
Na torcida para que o sétimo álbum completo não demore a chegar e, tão logo venha, estarei aqui de ouvidos atentos para trazer a vocês minha opinião a respeito. Até lá, parabéns ao Distraught por este EP certeiro!






