Exkil – “Violence Prevails” (2025)
Independente
#ThrashMetal
Para fãs de: Korzus, Death Angel, Testament, Suicidal Angels
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 8,5
Três anos após o lançamento do seu primeiro EP, “Between Death and Chaos” (2022), a banda de Thrash Metal Exkil lança seu disco de estreia, “Violence Prevails”, de forma independente.
Formada em Piracicaba/SP, em 2021, a banda pratica um Thrash Metal Old School vigoroso e direto, com riffs pesados, refrões marcantes e uma bateria pulsante. O grupo, formado por Daniel Ferrante (vocal/guitarra), Gabriel Bunho (guitarra), Evandro Tapia (baixo) e Evandro Kandalaft (bateria), vem conquistando espaço na cena nacional, tocando um estilo que está cada vez mais em alta por aqui. 2025 tem sido um ano muito positivo para o Thrash, com trabalhos de altíssimo nível surgindo tanto de nomes consagrados quanto de bandas novas – e o Exkil se coloca como um dos destaques desse cenário.
Abrindo com a pesada introdução instrumental “Oblivion”, a primeira faixa, “Drive You Nuts”, é um chamado à violência sonora, mostrando uma produção excelente, com cada instrumento tendo o devido destaque. O baixo, mais presente e encorpado, adiciona um peso extra ao contexto musical, principalmente no groove matador no meio da faixa.
A faixa-título, “Violence Prevails”, traz um Thrash clássico bate-estaca, com forte influência da escola norte-americana atual, e se consolida como um dos melhores momentos do álbum. “Titans Rising” é perfeita para o headbanging: com um ritmo mais cadenciado e groovado, evidencia o ótimo trabalho do baterista Evandro Kandalaft e mantém o nível do disco lá em cima. A faixa ainda conta com a participação especial de Marcello Pompeu (Korzus), uma das vozes mais icônicas do Thrash nacional, que agrega ainda mais intensidade com trechos falados e uma presença marcante nos refrões.
Já “Blood Fueled Desires” e “Intoxicate” seguem a proposta do álbum, sendo que esta última se destaca com blast beats e sutis guturais, o que a torna uma das mais furiosas do registro.
Na segunda metade do disco, “Nothing Shall Remain” apresenta uma pegada mais moderna, misturando o Thrash tradicional com alternâncias de riffs cavalgados, harmonias de guitarra e trechos dedilhados, se consolidando como uma das composições mais completas do trabalho. “For The Frightened” aposta em uma veia mais Speed Metal, com bumbos duplos percorrendo toda a faixa e mudanças de tempo sutis, mas precisas. É uma das músicas mais simples do álbum, porém extremamente eficaz, funcionando muito bem ao vivo por sua energia direta e envolvente.
“Mistreat” engana no início, dando a impressão de que será uma balada, mas logo acelera para o 220 e retoma a brutalidade sonora que permeia todo o disco. “Reckoning”, que ganhou o clipe mais bem produzido de divulgação, condensa tudo o que o álbum apresentou até aqui, sendo um dos momentos mais intensos da obra e um dos grandes destaques do Exkil. Por fim, “Lies” encerra o álbum sem dar sinais de cansaço, mantendo a brutalidade e a energia do começo ao fim, fechando com chave de ouro essa estreia poderosa.
Para um disco de estreia, “Violence Prevails” cumpre com sobra o que o título promete: a violência sonora aqui realmente prevalece. São doses cavalares de peso, riffs certeiros, uma cozinha sólida e bem entrosada, aliados a uma produção de qualidade. Mesmo com quase uma hora de duração — um tempo relativamente longo para um álbum de Thrash —, o disco não se torna cansativo.
É claro que algumas faixas se destacam mais do que outras, mas o Exkil mostra que está no caminho certo. Se mantiver a pegada apresentada aqui, a banda tem tudo para se firmar como um dos novos nomes de destaque do Thrash nacional.





