Ozzy Osbourne – “No Escape For Now” (Documentário)
Paramount Plus | Duração: 2h03min
Texto por Mauro Antunes
Falar sobre Ozzy Osbourne é sempre uma tarefa especial. Sua música, seu carisma, sua imagem e tudo o que o cerca são envoltos por uma energia única. Desde a última turnê do Black Sabbath, a figura de Ozzy voltou a ocupar um lugar ainda mais emblemático no imaginário dos fãs de rock e heavy metal.
Dois meses e meio após o falecimento do lendário vocalista, a Paramount Plus disponibilizou em seu catálogo o documentário “No Escape For Now”, que retrata momentos marcantes dos últimos anos de vida do Madman — mais precisamente, de 2018 em diante.
Logo no início, Sharon Osbourne dá um depoimento sobre Ronnie James Dio e comenta o quanto Ozzy vinha assistindo a entrevistas e declarações do ex-colega de banda. O que exatamente ela diz? Sem spoilers! Basta saber que há, já nesse trecho, um excelente motivo para assistir ao filme. Uma única dica: Sharon revela algo bastante curioso sobre o que parece ter sido o único encontro entre essas duas lendas.
A linha do tempo do documentário começa em 2018, quando Ozzy realizava uma turnê mundial aos 70 anos de idade. Um problema de saúde aparentemente simples obrigou Sharon e sua equipe a cancelarem o restante da turnê. No início de 2019, um acidente doméstico mudou a vida de Ozzy para sempre — e, a partir daí, as dores nunca mais o deixaram em paz. Os depoimentos de Sharon, Kelly, Jack e Aimée tornam tudo ainda mais tocante e, em alguns momentos, verdadeiramente assustador.
Pouco depois, já recluso em casa após uma delicada cirurgia, Ozzy conheceu Andrew Watt — músico e produtor que se tornaria peça fundamental nessa fase. Foi ele quem sugeriu que Ozzy gravasse algo com o cantor Post Malone, parceria que se concretizou em duas faixas do álbum “Ordinary Man” (2020). Mesmo debilitado, Ozzy mergulhou de corpo e alma nesse projeto, que acabou se tornando essencial: tirou-o da inércia, reacendeu seu espírito criativo e deu-lhe uma nova razão para continuar.
Um dos momentos mais divertidos do documentário acontece por volta dos 40 minutos, quando Ozzy conta o dia em que, completamente chapado, viu uma galinha atravessando a rua — mas preferiu não comentar com ninguém por medo de acharem que era apenas alucinação. É o Madman em sua essência. Impossível não rir junto.
Em 2022, o Black Sabbath foi convidado para a cerimônia de encerramento dos Jogos da Commonwealth, em Birmingham. Na ocasião, apenas Ozzy e Tony Iommi subiram ao palco e apresentaram a clássica “Paranoid”, com uma performance incrível do Príncipe das Trevas. Ozzy cantou de pé, sem precisar das bengalas que já o acompanhavam, e deixou o palco sob aplausos. A partir desse momento, começou a planejar uma nova turnê. No entanto, ao retornar a Los Angeles, sua saúde voltou a piorar, e os planos foram novamente adiados.
Em abril de 2024, uma notícia trouxe alento: Ozzy finalmente foi indicado ao Rock & Roll Hall of Fame — um reconhecimento tardio, porém merecidíssimo, a um dos maiores nomes da história do Rock e do Heavy Metal. Após alguma hesitação inicial, ele aceitou participar da cerimônia. Contudo, sem condições físicas de subir ao palco, Sharon montou uma superbanda para homenageá-lo: Billy Idol, Maynard James Keenan (Tool) e Jelly Roll nos vocais; Zakk Wylde (guitarra), Chad Smith (bateria), Robert Trujillo (baixo) e Andrew Watt, entre outros. Um time perfeito para reverenciar o mestre.
Dois dias antes do evento, Ozzy foi ao médico saber se poderia viajar de Los Angeles a Cleveland, onde ocorreria a cerimônia. Felizmente, recebeu boas notícias e pôde comparecer ao lado da família nesse momento histórico. Um dos trechos mais emocionantes do documentário ocorre cerca de 1h19min após o início: uma cena de ensaio que, sinceramente, é impossível assistir sem se emocionar. Pura emoção à flor da pele.
Em janeiro de 2025, Ozzy e Sharon decidiram realizar o show de despedida. Em uma entrevista no estádio do Aston Villa, no dia 5 de fevereiro — exatos cinco meses antes do grande dia —, Sharon e Tony Iommi anunciaram o evento, gerando enorme expectativa. Ozzy se dedicou intensamente à fisioterapia para estar em condições de subir ao palco. O resultado, vimos todos no dia 5 de julho, em Birmingham — onde tudo começou há mais de 55 anos. Um dos momentos mais marcantes do documentário é justamente aquele que antecede sua entrada em cena, sentado em seu trono. Impagável. Inesquecível.
Ali, Ozzy encerrou seu ciclo de forma brilhante e grandiosa. A partir daquele dia, pôde finalmente descansar, ciente de que sua missão estava cumprida. Dezessete dias após o show, Ozzy nos deixou.
Que falta ele fará. Nossos ídolos estão envelhecendo, e muitos já se foram. O que mais podemos dizer? Felizmente, temos sua obra — tanto com o Black Sabbath quanto em sua carreira solo — para lembrar de tudo o que ele fez pela música.
“Mais do que um simples registro documental, No Escape For Now é um retrato íntimo e dolorosamente humano dos últimos anos de uma das maiores lendas do rock. A direção é sensível ao extremo, alternando imagens de bastidores com trechos de arquivo, sem recorrer a dramatizações. Tudo é real, cru e comovente — mostrando como Ozzy era genuíno, engraçado, amoroso e louco ao mesmo tempo. Agora, se você não se emocionar com cada minuto de sofrimento, agonia e tristeza ao ver um ídolo seu definhando e se esforçando ao máximo para fazer o que amava, e como amava, você está realmente morto por dentro. Ozzy, você foi um dos meus maiores heróis. Obrigado!” — Johnny Z.
Rest in peace, Ozzy. We’ll see you on the other side.





