Carach Angren – “The Cult of Kariba” (EP) (2025)
Season of Mist
#BlackMetal #SymphonicBlackMetal #HorrorBlackMetal
Para fãs de: Dimmu Borgir, Cradle of Filth, Septicflesh
Texto por Lucas David
Nota: 10
Reconhecidos como um dos grandes nomes do Black Metal Sinfônico e por sua habilidade ímpar de narrar histórias, o Carach Angren retorna com o novo EP “The Cult of Kariba”, mais uma vez hipnotizando o ouvinte com um som digno de uma trilha sonora de terror. Neste trabalho, os holandeses mergulham em lendas históricas e no folclore regional, revisitando o mito da Dama Branca de Schinveld. Desta vez, apresentam Kariba, uma figura sombria que expande o conceito introduzido em seu álbum de estreia, “Lammendam” (2008). O EP narra a história de um culto que busca ressuscitar Kariba — uma envenenadora e suposta bruxa cujo espírito carrega um legado de vingança.
Oferecendo horror e beleza em doses iguais, o Black Metal teatral da banda ganha vida já na introdução “A Malevolent Force Stirs”, uma faixa cinematográfica que prepara o terreno para “Draw Blood”, que chega com uma enxurrada de riffs pesados, blast beats e teclados que criam uma atmosfera verdadeiramente amedrontadora. O refrão é marcado por um riff denso e sujo de Patrick Damiani, enquanto o violino acrescenta um toque de beleza macabra — um perfeito contraste ao horror que permeia a obra. É um ótimo exemplo de como o culto descrito está disposto a derramar sangue em nome de Kariba.
“The Resurrection of Kariba” é rica em camadas, especialmente em sua parte narrativa, que retrata o ritual do culto tentando despertá-la e descreve também sua execução. Apesar da beleza orquestral, o Black Metal impiedoso — fiel à cartilha do gênero — impressiona pela força e intensidade. Já “Ik Kom Uit Het Graf” apresenta uma pegada mais industrial, com grande destaque para os vocais de Seregor, que alterna entre o brutal e selvagem e o tom mais pecaminoso e sedutor. O videoclipe, assustador, mostra a ressurreição de uma das vítimas de Kariba, e o fato de a música ser inteiramente cantada em holandês só reforça sua atmosfera sombria — tornando-a uma das faixas mais sinistras da carreira da banda.
Encerrando o EP, “Venomous 1666” segue em direção oposta, adotando uma abordagem mais direta e old school. O som é cru e pesado, mas o contraste com o violino se torna ainda mais marcante à medida que as orquestrações ganham peso e densidade. É um desfecho perfeito: Kariba renascida, e o terror de suas ações pairando sobre nossas cabeças.
Com “The Cult of Kariba”, o Carach Angren entrega um excelente exemplo de como contar uma história envolvente e bem estruturada em apenas 20 minutos. O horror — ainda que fantasioso — soa palpável, enquanto o ataque mais direto de Black Metal promete conquistar novos ouvintes. Tudo é apresentado com a dose certa de beleza e terror, reafirmando o domínio da banda sobre o equilíbrio entre o grotesco e o sublime.





