Alter Bridge + Alice Cooper + Guns N’ Roses – São Paulo Trip, São Paulo (21-26/09/2017)

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Alter Bridge

Festival: São Paulo Trip
Local: Allianz Parque, São Paulo/SP
Data: 21/09/2017
Produção: Mercury Concerts

Texto e fotos por Johnny Z.

Ok, muitos vão perguntar qual o motivo de não termos feito a cobertura dos outros shows do Festival São Paulo Trip. A resposta é bem simples. Como fomos credenciados para o festival Rock In Rio muito tempo antes da resposta do credenciamento para o São Paulo Trip, nossas passagens para ida e volta ou coincidiam com dias de festival em São Paulo ou contrariaríamos as leis da física por tentar estar em dois lugares ao mesmo tempo. No dia 21, pontualmente as 18:15 o Alter Bridge entrou no palco e ás 19:15 encerrou seu show, fazendo com que este repórter fosse obrigado a sair do evento sem ver os shows do The Cult e The Who, ir correndo para casa terminar de arrumar as malas e embarcar rapidamente para o Rio de Janeiro, pois a passagem já estava comprada há semanas. Infelizmente perdemos o The Cult pois não foram escalados para o Rock In Rio, mas em compensação o The Who pudemos conferir de perto lá (veja resenha AQUI).

O trânsito local estava um verdadeiro pandemônio onde a melhor solução era andar a pé. Se alguém opto por táxi e afins, perdeu dinheiro, pois quem andava pelas calçadas chegavam mais cedo (risos). Bizarro esse trânsito em São Paulo. Chega a dar raiva.

Voltando ao Alter Bridge, sabíamos que como se tratava de um festival, o setlist teria que ser reduzido, coisa que os fãs em Curitiba dois dias antes não tiveram esse azar, pois a banda lá fez um show completo pois era co-headliner do evento junto com o The Cult. Uma pena.

Era a primeira vez que a banda pisava em solo paulistano (lembrando que todos os quatro músicos já haviam tocado aqui antes com o Creed e com a banda solo de Slash) e, como de costume, mandou muito bem! Falar que os quatro caras são exímios músicos chega a ser redundante, mas poder vê-los de perto executando com perfeição suas músicas – mesmo que faltando muitos clássicos por conta do tempo – foi impressionante. A paixão e energia que Myles Kennedy (vocal/guitarra), Mark Tremonti (guitarra), Brian Marshall (baixo) e Scott Phillpis (bateria) passavam para o público – que não era tão grande devido o show ser num horário não muito agradável em uma quinta-feira normal – era contagiante. Era nítido que os caras se divertem e curtem cada minuto em cima do palco, mostrando que estão lá não para cumprir contratos, tabela ou encher o rabo de dinheiro, mas sim fazer o que amam com esmero total.

Minha preocupação era com o som do Allianz, já que alguns shows anteriores lá muitos me disseram que não era lá essas coisas, dependendo e muito do lugar que você estava. Nos primeiros segundos da cacetada “Come To Life” minha preocupação foi totalmente embora. Que nitidez, qualidade e volume impecáveis. Dava gosto de estar ali presente! Na pista premium, bem próximo ao palco e onde a imprensa foi credenciada para cobertura, tudo estava nota 10, então só vou responder pelo que vivenciei (risos).

Iluminação muito bem feita e mesmo que ainda era de dia, tudo foi muito bem executado. Parabéns para a organização e produção.

O show segui-se normalmente com os riffs de Mark cortando os ouvidos de todos os presentes, pois o cara é fora da curva. Um verdadeiro gênio contemporâneo da guitarra. Vale lembrar que Myles Kennedy, além de ter uma belíssima voz, carisma e presença de palco, empunha muito bem sua guitarra se mostrando, também, um exímio guitarrista.

O contraste de “Addicted To Pain” e “Ghost Of Days Gone By” ficou muito interessante na apresentação, pois a primeira vindo na veia mais pesada concilia o peso com o refrão mais comercial nessa ordem, já a outra é exatamente o contrário, pois começa quase que radiofônica culminando num peso descomunal que só gênios conseguem tal proeza sem soar forçado. “Radiofônico”, gosto muito de usar essa expressão em se tratando de Alter Bridge, pois é evidente que a banda preza em muitas de suas faixas esse fator mais “comercial” que o extinto Creed usava e abusava em doses cavalares – se tornando algumas vezes chato – mas de uma forma menos pomposa e mais voltada para o metal como diferencial. E um baita diferencial, diga-se! Resumindo, são melodias que grudam e que te fazem cantar junto, mas ao mesmo tempo preenchida por muito peso. Portanto, se você é daqueles babacas que falam “ah, é o chato do Creed com outro vocalista”, sinto muito, mas vá procurar tratamento urgente, pois não vejo semelhança.

Myles como tinha pouco tempo de show mesmo assim arriscou algumas palavras em português como “E aí, galera?”, mas logo em seguida voltando a sua língua mãe, bem emocionado agradecendo muito por estar ali e fazendo um comentário que achei muito bacana: “Finally, we made it!” (Finalmente, conseguimos!). Isso prova que o Brasil é SIM muito querido pelos artistas internacionais e somos uma espécie de “xodó” para eles. Logicamente tem muito filho da puta (brasileiro e artista gringo) que não merece esse elogio, mas aí vai de cada um e não cabe a mim citar nomes (risos). Fico feliz que com os quatro do Alter Bridge o respeito e a educação perante seus fãs é intocável. Isso eu tiro o chapéu para eles, sem puxa-saquismo.

“Cry Of Achilles”, e seu refrão sensacional, fez todos presentes cantarem e interagirem com a banda de forma muito alta. Aí está aquilo que falei sobre o “radiofônico”, é impossível não se cantar junto! “Crows On A Wire”, talvez umas das mais pesadas faixas do último álbum de estúdio “The Last Hero” (2016) e porquê não dizer de toda a carreira, veio para impor respeito e cauterizar nossos tímpanos! Pena que somente essa faixa do excelente “The Last Hero” foi executada, mas enfim QUE PALHETADAS, QUE RIFFERAMA DE MARK!! Não podemos esquecer que todo esse peso é impactante graças ao baixo de Brian que cria camadas monumentais para Mark brilhar!

Aliás, falando em Mark, a belíssimas “Waters Rising”, na qual divide os vocais com Myles, foi um dos pontos altos do show. Simplesmente vibrante! Falando em porradaria tivemos a arrasa quarteirão “Isolation”, onde cada riff executado sentimos nossos tímpanos sendo cortados sem dó. Logicamente essa faixa, também, foi bem esperada e cantada por todos. A belíssima balada “Blackbird”, e suas melodias e solos maravilhosos, caíram como uma luva e prepararam o terreno para uma trinca matadora que viria a seguir.

“Open Your Eyes”, (lembram-se do “radiofônico”?) veio quebrando tudo! Não teve uma alma viva ali presente que não cantou seu refrão! Uma música que vibra por si só e Myles executou-a de forma impecável com direito a todos os “ô ô ô”. Arrepiante! Na sequência Myles apresenta o baterista Scott Philipps e esse dá início as batidas viciantes de outra porrada e, também, uma das faixas mais aclamadas pelos fãs (e por esse quem vos escreve): “Metalingus”. O título já diz tudo: METAL!!! Sensacional execução e tão aguardada por todos. “Rise Today”, uma das mais emblemáticas faixas da banda, fechou com maestria essa apresentação e deixou um gostinho de quero mais.

Agora, com todo esse sucesso em terras brasileiras, espero que algum promotor se toque e traga-os para uma turnê própria e, assim, não poupem nossos ouvidos de mais e mais brilhantismo pois a banda e nós, fãs, merecemos mais. Partiu Rock In Rio!

Setlist:

Come to Life
Addicted to Pain
Ghost of Days Gone By
Cry of Achilles
Crows on a Wire
Waters Rising
Isolation
Blackbird
Open Your Eyes
Metalingus
Rise Today

 



Alice Cooper
e Guns N’ Roses
Festival: São Paulo Trip
Local: Allianz Parque, São Paulo/SP
Data: 26/09/2017
Produção: Mercury Concerts

Texto e fotos por Johnny Z.

Dois dias após o término do Rock In Rio, eis aqui esse repórter completamente estragado, cansado, quebrado e cheio de bolhas nos pés, foi a mais um show do São Paulo Trip. O trânsito caótico dispensa comentários, mas parece que nesse dia estava ainda pior pois consegui chegar ao Allianz mais tarde que da primeira vez, fazendo com que perdesse a abertura do evento com a banda Tyler Bryant and the Shakedown e o começo do show de Alice Cooper (Vincent Furnier, para quem ainda não sabe, é seu nome real).

Adentrei no Allianz no meio da faixa “Under My Wheels”. Confesso que mesmo conhecendo bem a carreira de Alice Cooper, não me considero um grande fã do cantor, pois achava suas músicas meio datadas. Só que, após esse show, mudei de opinião e passei a apreciar muito mais. Show impecável! Banda afiadíssima! A opinião que tinha sobre “músicas datadas” foi para o ralo graças a sonoridade moderna e pesada que a banda vem impondo ao longo dos anos.

Mesmo que as encenações de palco hoje já não surtam mais efeito, pois o que vemos nos noticiários é muito mais chocante que isso, ao vivo é outra coisa. É a mesma sensação de assistir “de novo pela primeira vez” (risos) um “Hora do Pesadelo” ou “Massacre da Serra Elétrica”. Nada impressiona, mas convence e diverte muito.

Alice é e sempre será o centro das atenções por razões óbvias, só que dessa vez ele dividiu um pouco com a guitarrista Nita Strauss. A belíssima guitarrista destoa não só no aspecto físico e visual, mas simplesmente arrebenta na guitarra numa espécie de Dave Murray mais técnico com complexo de Janick Gers (por conta dos malabarismos). Não é a toa que a moça tocava e ainda toca num grupo tributo feminino conhecidíssimo chamado The Iron Maidens, que não precisa dizer do que se trata.

Da mesma forma que no show do Alter Bridge dia 21, o som e iluminação estava impecável, a diferença entre os shows era, basicamente, de público que aqui ocupou quase toda a pista premium, pista normal, arquibancadas e outros setores mesmo sendo em plena terça-feira caótica. Não dá para comparar quantidade de fãs entre as duas, pois Alice tem mais de 40 anos de carreira, mas apenas um paralelo relacionado ao público.

Alice comandou o show como um maestro e em “Billion Dollar Babies” tivemos o tradicional ritual de dólares (falsos, obviamente) com o rosto do cantor estampado sendo jogados ao público, o que foi um frenesi para os afortunados próximos ao palco. “Paranoiac Personality”, do novo álbum da banda “Paranormal” (2017), casou perfeitamente com o setlist da banda e, provavelmente, se tornará presente nos vindouros shows pois cativa bastante.

A perfeita execução da pesadíssima “Woman Of Mass Distraction”, onde Alice apontava toda hora para Nita (porquê será??? dããã), seguido de um solo de Nita mais voltado para a performance e interação com o público que não tirava os olhos do telão mesmo estando próximos a ela (entenderam, né?) (risos), precederam uma das mais queridas e emblemáticas músicas da noite: “Poison”! Todos os presentes cantaram muito alto esse grande sucesso conseguindo tirar sorrisos emocionados de todos da banda, principalmente Alice.

“Halo Of Flies”, seguido do solo de bateria do monstro Glen Sobel (como toca essa cara!!), deram uma pequena esfriada no público em questão de empolgação e, assim, Alice e músicos deram uma descansada necessária, exceto Glen que arrancou muitos elogios por conta de sua habilidade nas baquetas. Não sou muito adepto a solos, sinceramente acho perda de tempo, mas esse valeu pela técnica aplicada.

A grudenta e sempre necessária “Feed My Frankenstein” dispensa cometários! Um show de Alice sem essa música se torna sem graça, pois ela é a personificação do “Horror Rock” de Alice junto com “Schools Out”. Até mesmo o monstro gigante e as encenações presentes em divertiram muito o público provando que o que disse antes, que “Horror Rock” ainda convence. E isso continuou em “Cold Ethyl”, com direto a dancinha com uma boneca cadáver. Não tem como não se divertir com isso!

A presença de uma bailarina, que é esposa de Alice, toda vestida como uma boneca meio fúnebre, na belíssima balada “Only Women Bleed” arrancou efusivos aplausos de todos, até mesmo na hora que a encenação mostra-a sendo brutalmente morta por Alice. Muito romântico né? (risos).

A decapitação estava próxima! Sim, o show de horrores tem que ter uma decapitação e em “I Love The Dead” tivemos uma excelente encenação onde cabeça de Alice foi cortada por uma guilhotina que muitos em pleno anos 2017 ainda ficaram pensando: “Porra, como fizeram isso?” (risos).

Fechando o espetáculo, “I’m Eighteen”, que já deve ter sido regravada por um milhão de bandas no mundo, mostra o porquê disso. É um clássico atemporal e extremamente agradável de se ouvir em qualquer ocasião. Aqui não foi diferente! Da mesma forma que a queridíssima e sempre aguardada “School’s Out”, talvez o maior clássico de Alice, encheu nossos olhos no famoso e bem sacado medley com “Another Brick In The Wall” (Pink Floyd), com direito a participação de Andreas Kisser (Sepultura) nas guitarras – totalizando quatro em palco – colocou o estádio a baixo! Um dos melhores shows que vi esse ano, sem sombra de dúvidas!

Uma breve olhada para trás e o susto! TUDO L-O-T-A-D-O!
Pensei comigo: “Vai ser bem ‘fácil’ ir embora hoje daqui!” (risos)

Setlist Alice Cooper:

Brutal Planet
No More Mr. Nice Guy
Under My Wheels
Billion Dollar Babies
Paranoiac Personality
Woman of Mass Distraction
Guitar Solo (Nita Strauss)
Poison
Halo of Flies
Drum Solo (Glen Sobel)
Feed My Frankenstein
Cold Ethyl
Only Women Bleed
I Love the Dead
I’m Eighteen
School’s Out / Another Brick in the Wall (Pink Floyd) (com Andreas Kisser)

 

Mas, porquê estava tão lotado? Pergunta besta: Guns N’ Roses estava prestes a subir no palco após um show matador (em todos os sentidos) há três dias atrás no Rock In Rio.

Muito se comentava se Axl Rose daria algum “piti” e atrasasse a apresentação (o que não ocorreu no Rock In Rio, ainda bem), mas aqui apenas quinze minutos foi o bastante, mostrando que uma boa elaboração de contrato com multas “cabeludas” resolve e muito essa palhaçada (risos).

Introduções de shows são ótimas para aguçar os fãs presentes, mas não é nada bacana quando essa demora quase 10 minutos, passando até pela introdução do desenho animado Looney Tunes”. Lembrem-se desses 10 minutos, ok?

As luzes se apagaram, uma outra introdução falada que arrepia toda a espinha e os primeiros acordes do baixo de Duff McKagan começaram em “It’s So Easy” começa com  arrancando gritos, pulos, um verdadeiro pandemônio na pista. Não era a toa: Axl Rose, Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo), Dizzy Reed (teclado/piano) e mais Richard Fortus (guitarra), Frank Ferrer (bateria) e Melissa Reese (Teclado/Backing Vocal) deram início a mais um show em terras paulistanas, lembrando que ano passado já passaram pelo mesmo Allianz Parque na mesma turnê “Not In This Lifetime”.

O vocal de Axl estava excelente, mas “It’s So Easy” e na seguinte “Mr. Brownstone” não exigem muito drive e, com isso, Axl cantou de forma extremamente fiel às versões originais. “Chinese Democracy”, com direito a explosões ensurdecedoras, é uma das melhores faixas do disco homônimo que Axl Rose mais trocentos músicos contratados soltaram em 2008, só que com Slash e Duff a ‘vibe’ e execução saltam aos olhos parecendo que estamos diante de uma faixa clássica da banda.

O verdadeiro teste de fogo para Axl veio na sequência com o clássico atemporal “Welcome To The Jungle”, onde as notas são mais altas que a estratosfera. Axl mandou logo no início de forma estupenda, dando aquele ar de “será que ele vai conseguir???”. Sim, conseguiu e mandou muito bem as notas lá nas alturas. Primeiro ponto positivo a favor do São Paulo Trip contra o show no Rock In Rio, onde nessa música Axl não conseguiu chegar nas notas adequadas.

Vale citar a jovialidade de Slash e Duff! Os caras não aparentem a idade que têm e esbanjam saúde, vitalidade e excelentes formas. Slash, principalmente, pois não parava num lugar, pulava, corria e soava em bicas feito um adolescente. Não tem como não gostar desse cara e, da mesma forma que aconteceu no Rock In Rio, foi um show à parte.

A rápida e acelerada “Double Talkin’ Jive” de o ar da graça, mas a introdução instrumental dela durou quase que 5 minutos! Poxa, isso cansa!! Somem com os 10 minutos lá de cima, por favor. Mas, quando a banda realmente começa a música nos coloca de novo nos eixos, pois aqueles riffs pesados de Slash e Richard, ecoam pelas nossas veias. É bom demais!

Falar em Guns N’ Roses é lembrar de Izzy Stradlin’ e Steven Adler. A ausência da volta de Steven, ou até mesmo Matt Sorum (ótimo baterista que o substituiu em 1990), foi sentida pois Frank – mais uma vez – assassinou algumas faixas e mudou levadas marcantes que até um surdo se importaria. Já Izzy não foi sentido tanto musicalmente, mas sim nostalgicamente, pois Richard é, sem sombra de dúvida, um exímio guitarrista, solando muito e interpretando bases de forma impecáveis. Mesmo gostando de Gilby Clark (que substituiu Izzy em 1992), nem comento, pois não chega nem aos pés de Richard.

Som super nítido, iluminação e produção impecáveis só abrilhantaram o espetáculo, mas não ajudou a melhorar a execução de Axl na ótima “Better”. Simplesmente medonha. Muito ruim MESMO. A pesadíssima introdução e execução mais visceral salvaram de um fiasco total. É Axl, nessa o caldo entornou para o seu lado (risos).

“Estranged”, linda como sempre, trouxe Axl de volta e tirou lágrimas dos presentes. Impossível ouvir faixas da época áurea da banda sem nos lembrar de nossa vida, nossa adolescência e o que fazíamos na época que ouvíamos essas músicas. Deja-vu total! E ponha deja-vu nisso, pois a precisão na execução de “Live And Let Die” colocou o Allianz no chão, da mesma forma que a sequência com “Rocket Queen” e “You Could Be Mine”. Essa última confesso que estava esperando outro fiasco de Axl, mas me espantei pois ele mandou muito bem os agudos que a música exige. Apenas Fran Ferrer deu vontade de espancar por conta de sua introdução. Eu me pergunto: “Porquê cazzo esse cara muda as coisas???” Ruim ele não é, mas podia ser mais fiel a certas passagens e músicos. Descaracterizar um início de “You Could Be Mine” é a mesma coisa que ouvir o começa de uma “Painkiller” (Judas Priest) sendo tocada por bongôs! (risos)

Pausa para Axl respirar depois de “You Could Be Mine”, realmente precisou pois exigiu muito do cantor, e Duff surge nos vocais do cover da banda punk The Damned, “New Rose”, sendo precedida pela introdução lenta de “You Can’t Put Your Arms Around A Memory” (Johnny Thunders), ambas gravadas pelo Guns em “Spagetti Incident” (1993).

Confesso que foi bacana ouvir “New Rose”, ainda mais ver Duff cantando e tocando, mas no Rock In Rio tivemos no lugar dessa Duff cantando/tocando “Attitude”, cover do Misfits, que, em minha opinião, seria uma escolha muito melhor. Mas valeu pela diferença de shows.

O momento “pau mole”, da mesma forma que ocorreu no Rio de Janeiro, veio com a fraquíssima balada “This I Love”. Jesus, que música chata! Nem o belo solo de Slash salva esse troço. Simplesmente grotesca. Mais 5 minutos que poderiam ter sido “tirados do setlist em benefício do público”. A compensação veio em “Civil War”. Que música perfeita e aqui executada com a mesma perfeição. Um dos pontos altos do show! “Yesterdays”, não me agrada muito, mas é nítido que tem um enorme apelo ao vivo e os fãs gostam, por mim, foi um dos momentos para dar uma abaixada porquê as pernas e coluna já “apitavam”.

A sensacional “Coma”, que já não é tão surpresa pois a banda a vem tocando sempre, veio explodindo os alto falantes. Música brilhante, execução idem, mas nessa hora os traços de cansaço no público começaram a aparecer.

Óbvio que todos os fãs que vão aos shows querem mais e mais músicas, só que o Guns N’ Roses dá tudo isso e muito mais da forma errada. Para quê colocar mais de 20 minutos de introduções e besteiras no setlist? Isso cansa quem fica em pé num espaço pequeno no meio do público. Os músicos não sentem, pois no palco tem ventiladores e muito espaço para de correr e andar. É desumano! Mas ainda tinha muito por vir.

Slash veio com o seu famoso e EXTENSO solo que precede um dos carros chefes da banda: “Sweet Child ‘O Mine”. Foram, aproximadamente, uns 12 minutos de técnica apuradíssima e punhetação. Os guitarristas lá presentes com certeza absorveram a aula, mas nós meros mortais torcíamos para acabar o quanto antes pois, como dito antes, pernas, coluna e agora pés clamavam por descanso. Enfim, “Sweet Child O’ Mine” entrou rasgando e o público pulou (fizemos o que pudemos) e cantou muito, até mais alto que Axl.

Lembram dos 20 minutos de besteirol? Pois bem. Somem aos 12 de solo de Slash e mais uns 5 minutos de “Wichita Lineman”. Você pergunta: “Que porra é essa?” Certo? Pois bem, é um cover de Jimmy Webb que Axl gosta muito. Serviu para alguma coisa? Não! Ou melhor, sim! Para ferrar ainda mais com as nossas colunas, pois com isso quase que 40 minutos do setlist foi para bobagens totalmente D-E-S-N-E-C-E-S-S-Á-R-I-A-S. Só serviu para olharmos umas duzentas vezes no relógio para ver quanto tempo faltava para podermos tomar um banho, sentar no sofá e descansar.

“Used To Love Her”, numa versão elétrica e a estonteante “My Michelle” foram bem recebidas e deram uma revigorada no público, mas o estrago estava feito. Mais de duas horas já tinham se passado e nossos corpos não comandavam mais. Estava acabando? Longe disso!

Para quê um cover para “Wish You Were Here” do Pink Floyd num show do Guns N’ Roses? Me digam! Mesmo sendo executado de forma instrumental e com o público cantando a letra, esse dueto de Slash e Richard não serviu para nada a não ser cansar ainda mais. Desculpem-me pela franqueza. Foi bonito, bem tocado, mas puta que pariu, pra quê???? Mais quase que 5 minutos desnecessários. Para ‘ajudara, Axl já em seu paino montado na frente do palco emendou “Layla”, cover do “conhecidíssimo” Derek And The Dominoes. Para quê??? Mais uns 4 minutos brochantes, totalizando 49 de puro tédio.

“November Rain” veio para arrancar lágrimas de casais presentes por todo o Allianz, pois essa música, com certeza, embalou namoros de muitos ali presentes no começo da década de 90. O único porém ficou por conta de Frank Ferrer, de novo, estragando o início impactante da mesma. O solo de Slash nessa música em estúdio é algo fora do comum, e termos o privilégio de ouvi-lo sendo executado pelo seu “dono” ao vivo e a cores é uma sensação indescritível. Sem contar a interação do público que jogava ao ar balões vermelhos por todo o estádio, inclusive nas arquibancadas.

E aí, está cansado? Imagina. Tivemos o ótimo cover de “Black Hole Sun”, do Soundgarden em homenagem ao falecido cantor da banda, Chris Cornell. Não vou dizer que foi desnecessário, pois esse sim valeu a pena presenciar pois foi tocado de forma impecável por todos, mas preferia outro clássico do Guns N’ Roses no lugar como, por exemplo, “Dead Horse”, “Get In The Ring” ou “Out Ta Get Me”. Enfim, não vou colocar esse tempo na contagem de “desnecessários”.

A tradicional cover de Bob Dylan, “Knockin’ On Heaven’s Door”, gravada pelo Guns no “Use Your Illusion II”, precedida pelo trecho inicial de “Only Women Bleed”, de Alice Cooper, veio a calhar nessa hora onde todos cantaram e aproveitaram cada instante parados sem se mexer pois não conseguíamos mais tal proeza.

Que tal mais um coverzinho desnecessário? Sim! “I Got You (I Feel Good), de James Brown, veio para deixar a nossa conta mais “gorda” com mais 5 minutos de tédio, totalizando 54 minutos de embromação. Mais uma vez eu pergunto: Pra quê isso meu Deus do céu? Depois fica sem voz e não sabe o motivo!

“Nightrain”, veio linda como sempre, mas dali em diante muitos já saiam do estádio com medo de perder condução ou evitar aglomerado de pessoas na saída. Os que permaneciam curtiam, mas totalmente inertes e curtindo psicologicamente, pois fisicamente não dava mais. E isso ocorreu até mesmo em “Don’t Cry” e “Patience”, clássicas baladas com direito a luzes apagadas, celulares acessos e assobios em profusão. Mesmo assim, valeu cada segundo ali de pé, pois eram músicas do catálogo da banda e todos as conhecem e amam ouvi-las.

Querem mais um converzinho? Tome um! “The Seeker”, do The Who, veio e mesmo aplaudido por todos não convenceu por estar num lugar totalmente errado no setlist e, até mesmo, de show. Portanto, mais 4 minutos desnecessários, totalizando 58 minutos bobos!

Finalizando, dessa vez de verdade, “Paradise City”, levantou os defuntos que combaliam de cansaço por todo o Allianz e deu aquele sopro de vida que todos necessitavam para encarar a maratona de volta para casa. Ver a banda com Slash, Axl e Duff tocando esse clássico absoluto do Rock/Hard Rock é, também, indescritível.

Foi um show ruim? Nunca! Pelo contrário, foi magnânimo, execução brilhante de todos da banda, produção de palco maravilhosa, tudo perfeito, mas acredito que um show de 3 horas e 20 minutos foi um pouco demais. Até mesmo para a banda, pois nenhum ali possui 18 anos mais. Se tirássemos aquela 1 hora de bobagens, teríamos um show de 2 horas e pouco de duração, o que seria de certo modo mais tranquilo e proveitoso. Chamem a ambulância agora! Socorro! (risos)

Observação: Perdoe-nos pela qualidade das fotos, pois apenas jornalistas foram credenciados para o evento, e não fotógrafos.

Setlist Guns N’ Roses:

Intro
It’s So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome To The Jungle
Double Talkin’ Jive
Better
Estranged
Live and Let Die (Wings)
Rocket Queen
You Could Be Mine
You Can’t Put Your Arms Around A Memory (Intro) (Johnny Thunders) (Duff McKagan nos vocais)
New Rose (The Damned) (Duff McKagan nos vocais)
This I Love
Civil War
Yesterdays
Coma
Slash Solo + “Johnny B. Goode” (Chuck Berry)
Speak Softly Love (Love Theme From The Godfather) (Nino Rota)
Sweet Child O’ Mine
Wichita Lineman (Jimmy Webb)
Used To Love Her
My Michelle
Wish You Were Here (Pink Floyd) (Slash e Richard Fortus dueto)
Layla (Intro) (Derek and The Dominoes)
November Rain
Black Hole Sun (Soundgarden)
Only Women Bleed (Intro) (Alice Cooper)
Knockin’ On Heaven’s Door
I Got You (I Feel Good) (James Brown)
Nightrain
Don’t Cry
Patience
The Seeker (The Who)
Paradise City

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