Poltergeist – “Pax Satana Infernale – Luciferi Imperium” (2025)
Independente | Heavy Metal Rock | Mutilation Records | Cossoco Records
#BlackMetal
Para fãs de: Dark Funeral, Mayhem, Immortal
Texto por Lucas David
Nota: 10
Com uma carreira iniciada ainda em 2015, o Poltergeist é um dos nomes que mais vêm ganhando destaque no underground nacional. Praticando um Black Metal visceral aos moldes dos grandes nomes do gênero, a banda de Campinas chegou a 2025 com seu primeiro álbum de estúdio, Pax Satana Infernale – Luciferi Imperium. O som do Poltergeist é cru, sem firulas, mantendo a fórmula do True Norwegian Black Metal, mas com uma produção grandiosa e foco em uma atmosfera ritualística e sufocante.
Distribuídos em 12 faixas e pouco mais de 35 minutos, Pax Satana… é uma aula de técnica e brutalidade, com força suficiente para derrubar o ouvinte por meio de blast beats selvagens, riffs rápidos e cortantes, além de vocais tão venenosos que parecem penetrar por baixo da pele. A capa também merece destaque pela incrível arte criada pelo vocalista Tristenius Von Doom, remetendo aos discos do Behemoth, principalmente Evangelion (2009) e Evangelia Heretika (2010).
Após a intro “The Announcement of the Devilish Pope”, com um tom amedrontador e cinematográfico de horror, “To Méga Diábolos Apokálypsis” explode nos alto-falantes com blast beats, uma enxurrada de riffs e ótimos vocais rasgados. A faixa possui um clima épico e grandioso, impulsionado pelo ataque brutal do baterista Impetus, aos moldes do Belphegor em seus momentos mais rápidos e pesados. “The Omen of Antichrist” mantém o ritmo acelerado e ainda encontra espaço para algumas mudanças de andamento. Ainda assim, o que impera aqui é a brutalidade pura e sem respiro.
“The Nuns of Satan” adiciona uma camada extra de agressividade, principalmente por conta dos vocais, que estão ainda mais insanos, cuspindo blasfêmias poderosas. Mesmo que, em determinados momentos, tudo possa soar como uma repetição ou uma cacofonia desenfreada, o Poltergeist executa a proposta com maestria e não deixa de atingir seu objetivo de profanar nossas mentes. “My Name is Legion” traz um clima sombrio, ainda rápido e sufocante, mas capaz de prender o ouvinte de forma hipnotizante entre riffs incansáveis, blast beats e o título da música sendo bradado pelo vocalista como se invocasse mais demônios para se unirem ao seu corpo.
Próximo ao fim, “Rend The Bible, Vomit on The Torah and Explode The Koran!” reúne um ataque sem concessões ou piedade contra todas as religiões da maneira mais suja, poderosa e blasfema possível. A faixa alterna entre momentos de velocidade desenfreada e passagens mais cadenciadas, sustentadas por riffs arrastados, funcionando muito bem — além de ostentar um título excelente.
Com um material que não busca revolucionar o gênero, mas ainda assim traz um frescor, principalmente para a cena nacional, Pax Satana Infernale – Luciferi Imperium é um excelente álbum de estreia e apresenta uma banda com força suficiente para romper a bolha do underground e alcançar novos patamares. O inferno nunca pareceu tão poderoso e vivo, e o Poltergeist tem tudo para ocupar, em breve, a linha de frente das hordas infernais.





