Venom – “Black Metal” (1982)

BlackMetal
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Venom – “Black Metal” (1982)

Neat Records

#SpeedMetal #HeavyMetal

Para fãs de: Bathory, Hellhammer, Midnight

Texto por Cristiano Ruiz

Nota: 8,5

Dificilmente um álbum se consolida como clássico somente por sua musicalidade, pois outros fatores podem fazer com que ele atinja tal patamar. Por exemplo, quando a NWOBHM estava em efervescência, Venom lançou Welcome To Hell, seu disco de estreia, parecendo que seria o patinho feio do movimento. No entanto, não foi bem isso que aconteceu. O trio Cronos, Mantas e Abadon trazia uma proposta distinta do restante das bandas da época e, dessa forma, fez a diferença, justamente, por ser diferente.

Para os membros do Venom, a atitude era muito mais importante que a própria musicalidade em si, mesmo que eles soassem como Motörhead mal tocado. Ou seja, a mensagem era o principal e o lado musical vinha depois. Ainda assim, despertaram a paixão de fãs do estilo, influenciando importantes bandas da cena.

Black Metal chegou no dia de todos os santos de 1982

Em 01/11/1982, ironicamente, dia de todos os santos, pelo selo Neat Records, Venom lançou seu segundo full-length, Black Metal. Embora o trio de Newcastle mandasse um Speed/Heavy, incluindo alguns elementos que podem ser classificados como Thrash, muitos fãs de Metal os consideram como precursores do Black Metal por conta de sua temática blasfêmica e do nome desse disco. Contudo, deixando bem claro, o estilo musical do Venom não se parece em nada com aquele do movimento que surgiu na Europa entre o fim da década de 80 e início da década de 90.

Entendendo a magia de um clássico

Eis que eu estava lá, em 22/09/2013, no Rock in Rio, e no palco Sunset se apresentariam, em primeiro lugar, Destruction, um dos nomes mais importantes do Thrash teutônico, e na sequência, Krisiun, o mais renomado nome brasileiro do Death Metal naquela época.

Entre os shows, uma jam reuniu os membros de ambas as bandas na execução justamente de “Black Metal”, cover do Venom. Assim que eu ouvi Alex Camargo e Marcel Schmier cantando juntos “Lay down your soul to the Gods Rock’n’Roll”, pude entender o peso e a importância da faixa título, que é a abertura do segundo registro completo do Venom. Aliás, a versão de Destruction e Krisiun ficou excelente.

Blasfêmia é a lei

Em seguida, é a vez de “To Hell And Back”. Ao contrário da música que intitula o registro, essa faixa é mais cadenciada, sendo mais próxima ao Heavy tradicional. O mesmo digo em relação a “Buried Alive”, sua sucessora. Nela, Mr Jeffrey Dunn (Mantas) tenta explorar solos mais melódicos ao propósito de externar suas influências musicais da década anterior.

Logo depois, o Speed/Heavy volta a comandar as ações em “Raise the Dead”.“Teacher’s Pet”, que se assemelha em algumas partes ao que seria posteriormente Thrash Metal, encerra o lado A intercalando pitadas de Blues. Resumindo, uma das composições mais criativas do trabalho.

A consolidação do Inferno em forma de Heavy Metal

“Leave Me in Hell” teria tudo para ser uma faixa clássica de Heavy tradicional, fosse ela tocada pelo Judas Priest. Porém, interpretada pelo Venom, ela é algo próximo ao inferno em seu dia mais quente. Enquanto “Leave Me In Hell” serviria bem ao Judas Priest, “Sacrifice” tem a cara do Motörhead. Sem surpresa, já que o trio comandando por Lemmy é a principal influência do Venom.

Se Venom tivesse sido o compositor de “Ace Of Spades”, certamente o clássico do Motörhead soaria como “Heaven’s on Fire”. Antes que alguém me pergunte, não tem nenhuma relação com o clássico homônimo do Kiss.

A minha favorita do álbum Black Metal não é a faixa título

A faixa título seria a minha favorita do álbum Black Metal, não fosse “Countess Bathory”. A história da malvada condessa húngara Isabel (ou Elizabeth) Báthory é talvez a razão da minha preferência. Ela é responsável pelo assassinato de muitas mulheres, conhecida por sua crueldade e igualmente por sua obsessão doentia pela beleza.

A canção Heavy Metal “Don’t Burn the Witch” tem mais a ver com a sonoridade da maioria das bandas da NWOBHM, mas ficou bem na interpretação do Venom. O álbum se encerra com a faixa narrada “At War with Satan (preview)”, a qual batiza o álbum seguinte, lançado em 1984.

Venom sempre foi assim, ame-o ou deixe-o.

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