Helloween – Pepsi On Stage, Porto Alegre/RS (31/10/2017)

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Helloween
Local: Pepsi On Stage, Porto Alegre/RS
Data: 31/10/2017
Produção: Abstratti Produtora

Texto por Sergiomar Menezes
Fotos exclusivas por Diogo Nunes

E eis que um dos dias mais esperados pelos fãs gaúchos de Heavy Metal havia chegado! Dia 31/10/2017, não acaso dia do Halloween, também seria o dia em que os pais do power metal, metal melódico, ou seja lá o jeito que você preferir, se apresentariam na capital dos gaúchos em um formato inédito e histórico: além da formação atual do grupo, teríamos a presença do guitarrista fundador do grupo, Kai Hansen e do vocalista Michael Kiske, que simplesmente cantou em dois dos maiores clássicos da história do Heavy Metal, os inesquecíveis e seminais “Keeper of The Seven Keys” Part. I e II. Desde o anúncio da passagem da turnê por aqui, a comoção foi tamanha que a produtora veio a público agradecer pois foi o recorde de venda de ingressos em show produzido pela Abstratti Produtora.

Confesso que as notícias sobre o primeiro show desta turnê, ocorrido no México, dando conta de que Michael Kiske teria feito uso de playbacks (o que veio a ser confirmado por Kai Hansen em uma entrevista) deixou a todos com receio, afinal, uma das maiores vozes do Heavy Metal estaria fazendo uso de tal artifício por qual motivo? Depois de esclarecido o acontecido, os shows em São Paulo aconteceram dentro da normalidade (tirando os problemas técnicos ocorridos nos dois shows), o que deixou os fãs mais tranquilos e aumentou ainda mais a expectativa em torno dessa apresentação que entraria pra história do RS. Tinha tudo para ser uma grande noite de celebração. E foi!

Exatamente ás 21hs (algo que vem se tornando uma marca registrada da produtora), Andi Deris (vocal), Michael Kiske (vocal), Kai Hansen (guitarra), Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Großkopf (baixo) e Dani Löble (bateria), após a introdução “Let Me Entertain You” (Robbie Williams), adentram o palco e de cara detonam a clássica “Halloween” para delírio dos cerca de 7000 presentes no Pepsi On Stage. De cara podemos perceber o entrosamento da banda no palco. Hansen e Weikath, apesar das rusgas do passado, demonstravam animação e interatividade, enquanto Sascha, mostrava sua técnica do outro lado do palco. Markus Grosskopf era o mesmo de sempre: risonho e brincalhão. Dani Löbe sentava a mão sem dó em seu kit. Já a dupla Deris e Kiske… Meus amigos! Que show de simpatia, interação e muita, mas muita técnica! Inclusive por parte de Deris que ainda hoje, é criticada por uma parcela de fãs do grupo. Alternando os vocais, a dupla mostrou um entrosamento acima da média para um início de turnê. Claro que estamos falando de duas “puta véia”, mas com estilos bem diferentes, o que deixou tudo ainda mais especial na execução das demais faixas.

Em seguida, “Dr Stein” pôs o Pepsi On Stage inteiro pra pular, em um dos tantos clássicos presentes em Keeper of The Seven Keys Part. II. Novamente a dupla Deris/Kiske se mostrou afiada e muito bem ensaiada. Era chegado o momento da primeira música em que Kiske ficaria sozinho no palco. e então I’m Aive, cantada em uníssono pelo público, mostrou que a história do tal “playback” não teria vez. Incrível como o vocalista mantém o mesmo timbre de quando gravou o espetacular “Live in The Uk” gravado em 1988 (e que foi lançado no ano seguinte). Mesmo com uma grande performance, era perceptível que o vocalista ainda não estava 100% recuperado da forte gripe que quase lhe tirou do início da turnê. Fico pensando o que ele faria se estivesse 100%! Após, Deris volta ao palco para cantar um dos grandes hits de “The Dark Ride” (2000): “If I Could Fly”. não é preciso dizer que a reação do público foi efusiva…

Deris permanece sozinho no palco e a banda executa a pesada “Are You Metal”( 7 Sinners, de 2010). Apesar da faixa não ser das preferidas deste que vos escreve, ao vivo, ela ganhou muito mais peso e mostro que Sascha Gerstner não apenas substituiu Roland Grapow á altura, como oferece recursos diferentes de seu antecessor. Kiske volta ao palco e temos uma grata surpresa: “Kids of the Century”, uma das poucas faixas que se salvam em “Pink Bubbles Go Ape” (1991) e que não havia sido tocada em São Paulo em nenhum dos dois shows. Kiske Deixa o palco e Deris retorna para cantar sozinho “Where The Sinners Go”, mais uma faixa pesada de “7 Sinners”. Então a dupla se une novamente no placo para cantar “Perfect Gentleman”, de “Master of the Rings” (1994) e que ficou perfeita nas vozes de ambos. Kiske com seu tmbre mais melódico e Deris, com seu vocal mais rasgado e pendendo pro Hard, contrastaram de um jeito que a faixa acabou me conquistando, uma vez que, quando tomei conhecimento do setlist que seria executado, pensei que a mesma poderia ser trocada por alguma outra.

Então, os vocalistas deixam o palco e um dos momentos mais aguardados do show tinha chegado. Kai Hansen assume os vocais e a banda manda ver em um medley contendo “Ride the Sky/ Starlight/ Judas/ Heavy Metal is the Law”, relembrando seus tempos á frente da banda, no clássico “Walls of Jericho” (1985), quando muitos dos que estavam ali ainda nem haviam nascido. Deris e Kiske voltam e tivemos um dos mais belos e emocionantes momentos do show. “Forever And One (Neverland)”, de “The Time of The Oath” (1996), foi executa num dueto acústico em sua primeira metade, mostrando toda a técnica e emoção dos vocalistas durante sua execução. E posso afirmar com toda a sinceridade que Deris se destacou bem mais aqui, apesar da ótima performance de Kiske. Em seguida, “A Tale That Wasn’t Right”, mais um clássico da fase Keepers, é executada de forma sublime pela banda em uma das melhores interpretações de Kiske durante todo o show. “I Can” de “Better Than Raw” (1998) veio na sequência. E aqui fica o meu (opinião pessoal, que fique bem claro) único senão com relação ao show. mesmo que funcione bem ao vivo, essa faixa é uma das mais fracas do referido álbum, mas que se tornou “hit” devido ao clipe que foi veiculado à época. Poderia citar aqui, inúmeras outras faixas (e pensar que “Rise and Fall” ficou de fora do set…) que poderiam substituí-la…. Mas, pelo que se viu no público, a maioria dos fãs aprovou, então…

Bom, em seguida era iniciado o solo de bateria. Neste momento, fiquei pensando em qual a real necessidade de um solo (claro que os vocalistas precisariam de um descanso, mas e o baterista?), e pensei ainda o quão chato estes moemntos costumam ser. Mas pra minha grata surpresa, tratou-se um tributo ao falecido baterista Ingo Schwichtenberg, que ficou muito bacana e mostrou o respeito e carinho da banda para com seu ex-integrante… Kiske volta sozinho ao palco para cantar “Livin’ Ain’t No Crime” (lado B do single “Dr. Stein”) e “A Little Time”, do Keeper II. Neste momento, por mais clichê que isso possa soar, passou um filme na minha cabeça. Lembrei dos meus tempos de moleque, quando tinha gravado em fita K7, naquelas de 60 minutos (muitos irão lembrar com nostalgia), “as melhores dos Keepers” e essa faixa era uma das que mais gostava. E Kiske a cantou da mesma maneira! Incrível como o tempo não afetou a voz do alemão!

Outro momento marcante foi quando da execução de “Why?”, presente em Master oof The Rings e que contou com ai nterpretação de ambos os vocalistas. Antes, Deris brincou com Kiske, dizendo que essa música era perfeita para a voz do vocalista. Kiske então, de forma bem humorada, disse que quando o referido álbum foi lançado, ele não ouviu e ficou “brabinho”. Mas depois, passado o tempo, descobriu que Deris, além de grande vocalista, era um excelente cara. Os dois se abraçaram e deram início à um dos melhores momentos do show. Deris fica sozinho no palco novamente e a banda emenda “Sole survivor (uma das melhores músicas de toda a carreira do grupo) e “Power” que a essa altura do campeonato, não precisa de apresentação, numa sequência que levou os fãs ao delírio. Ao término, Deris diz que queria encerrar a apresentação, cantando uma música que, segundo ele próprio, quando era adolescente, queria cantar com sua banda. o grupo então, detona “How Many Tears”, alternando os vocais entre Deris, Kiske e Hansen. E aqui, o guitarrista protagonizou um dos momentos mais engraçados do show, pois por duas vezes, esqueceu a letra da música, num dos raros momentos em Weikath riu do companheiro… A banda agradece a vinda de todos e sai do palco. Como se fosse possível que a apresentação se encerrasse ali…

Com as luzes apagadas, ao som do famoso “Happy, Happy, Helloween”, o grupo retorna ao aplco com o clássico dos clássicos: “Eagle Fly Free”, interpretada com mais um show de Michael Kiske. Em seguida, Deris volta ao palco e “Keeper of the Seven Keys” foi executada como se estivéssemos ouvino o cd, tamanha a perfeição da execução e da performance de ambos os vocalistas. Mais uma vez, a banda deixa o palco, mas rapidamente, volta com “Future World”, onde a participação do público foi insana. Esta, foi cantada por Kiske e pelo público, tamanho era o volume e intensidade com que os fãs cantaram o refrão. E para encerrar, definitivamente, esta mágica noite, “I Want Out” cantada por todos, e que também contou com balões pretos e laranjas, proporcionando um clima altamente festivo no encerramento da apresentação. Um “gran finale” como diriam alguns…

Fica aqui, o agradecimento á Abstratti Produtora pela excelente organização e atendimento á imprensa, não restringindo o acesso apenas á veículos da grande mídia, o que demonstra seriedade e respeito pelo público e também pelo artista. Agradecimento também, ao fotógrafo Diogo Nunes pelas excelentes fotos. E também ao Helloween por proporcionar a todos os presentes, um show inesquecível! E antes de encerrar, já postei isso em uma rede social, mas nunca é demais relembrar: Obrigado Tobias Sammet! (Entendedores entenderão!). Até a próxima! E não esqueçam: METAL NA LATA RULES!

Setlist Helloween:

Intro (Let Me Entertain)
Initiation
Halloween
Dr. Stein
I’m Alive
If I Could Fly
Are You Metal?
The Kids Of The Century
Where The Sinners Go
Perfect Genteman
Ride The Sky/ Starlight/ Judas/ Heavy Metal (Is The Law)
Forever and One (Neverland)
A Tale That Wasn’t Right
I Can
Drum Solo (Ingo Tribute)
Livin’ Ain’t No Crime/ A Little Time
Why?
Sole Survivor
Power
How Many Tears
Invitation
Eagle Fly Free
Keeper of The Seven Keys
Future World
I Want Out

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