Enslaved – “Mið” (2026)

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Enslaved – “Mið” (2026)

Nuclear Blast Records
#BlackMetal #VikingBlackMetal #ProgressiveBlackMetal

Para fãs de: Bathory, Borknagar, Opeth, Wardruna

Por: Cristiano Ruiz

Nota: 9

A Nuclear Blast Records, no dia 30/10/2026, trouxe à luz o álbum conceitual Mið, décimo sétimo full-length da veterana banda norueguesa de Viking Black Metal, o Enslaved. Esse lançamento, enfim, encerra a trilogia que teve início em Utgard (2020) e continuou em Heimdal (2023), sendo Utgard o mundo externo e misterioso, Heimdal o guardião da fronteira entre os mundos, ao passo que Mið é o centro de tudo isso, de onde tudo emana.

Atualmente, dois membros remanescentes da formação original fazem parte do quinteto: Ivar Bjørnson (guitarra, teclados e percussão) e Grutle Kjellson (vocal). Os músicos Arve Isdal (guitarra e vocal), Håkon Vinje (vocais limpos, piano e teclado) e Iver Sandøy (bateria, teclado e vocal) completam o line-up.

Eixo Elemental – Do Vazio ao Centro Imóvel

A introdução instrumental “Non-Being”, que soa primordialmente Folk, representa o nada e a ausência absolutos. Em seguida, “I Am Ice”, o mais recente single de Mið, conta com a participação especial do vocalista norueguês Johan Sara Jr. Aqui, a letra é, concomitantemente, uma jornada pela escuridão pessoal e o renascimento, tanto que o narrador desce ao fundo, se transforma pela adversidade e volta. A saber, a letra tem inspiração em poesia escáldica nórdica antiga, ao passo que o joik Sami de Johan Sara Jr. abre um espaço onde idades e lugares distantes coexistem.

“I am treasure, I am torment / In the wake of the wanderer”

Desde quando ouvi o single “Solar Will” pela primeira vez, não sei exatamente a razão, me deu saudade da melhor fase do Dimmu Borgir, na era em que as vozes de ICS Vortex e Shagrath ajudaram a construir uma sonoridade única. Estou falando, portanto, de uma composição de altíssimo nível dentro do Metal extremo.

A parte lírica mostra o Sol como um centro de força ambígua: destrói e cria vida ao mesmo tempo. Como equilibrar tais energias a fim de sobreviver? A mensagem não se concentra em resolver o conflito, mas sim em aceitar e se adaptar às forças contraditórias. Em outras palavras, algo como evoluir espiritualmente ao vencer obstáculos.

“Mountain”, a princípio, tempera Prog com Viking e o resultado é absolutamente fascinante. Logo depois, quando o instrumental ganha peso, ritmo e intensidade, caminho através do que há de melhor no universo extremo do Black Metal. Liricamente falando, a “Montanha” imponente funciona como se fosse o eixo do mundo, porém traduz a pequenez humana diante da natureza eterna.

Eixo Espiritual – Do Encontro ao Meio

Assim como ocorre na primeira parte do registro, a segunda também começa com um tema instrumental, “Spirit Helper”. Ou melhor, é semi-instrumental, já que é baseada em uma espécie de mantra matinal dos Blackfeet, cantada pelo ancião americano Kevin Kicking Woman. De qualquer forma, o Folk está mais presente que nunca

Uma belíssima linha de piano introduz “Parting”. Haverá quem pense que isso nada tem a ver com Black Metal, contudo o equívoco será fatal. Seus vocais limpos que intercalam guturais cantam, sobretudo, sobre a despedida, a separação da carne. Em suma, é a dor da partida como passagem necessária para novos ciclos evolutivos. Faixa espetacular, com um solo de guitarra recheado de feeling. Assim sendo, minha favorita de Mið.

Ainda que não seja a minha predileta desse disco, o peso de “Tales of Trees” me agrada muito e sua letra é a mais interessante dessa obra conceitual. Cada indivíduo nasce, vive e morre, contudo, muitas árvores permanecem muito mais tempo aqui. Dessa forma, é como se cada uma delas tivesse as mais diversas histórias das quais foram testemunhas como legado, tanto que tudo é parte do Cosmos como o Cosmos é parte de tudo.

“I Miðju”, que é praticamente uma referência ao título do disco, encerra Mið. Essa banda, infelizmente, desagrada aqueles metalheads mais reacionários, que parecem ouvir os mesmos discos desde a década de 80. Aliás, não há problema algum em cultuar 70’s e 80’s, sendo que são minhas raízes. Entretanto, ficar preso nisso é um atraso e uma total perda de tempo.

Mið encerra uma trilogia conceitual

Concluindo, a letra de “I Miðju” fecha um conceito: o equilíbrio entre a contradição e a interconectividade. Depois de viajar pra fora (Utgard), pro guardião (Heimdal), você finalmente chega no centro, ao núcleo que emana tudo que existe.

Conclusão

Embora Mið não seja como Eld, meu disco favorito do Enslaved, ele é envolvente e oferece uma agradável audição. Assim o defino e o indico àqueles que não estão presos ao passado, mas sim à música de qualidade.

«Enslaved, det utmerkede syttende albumet, var vel verdt å følge som en del av en trilogi som kulminerte i et enestående musikalsk mesterverk.»

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