Obituary – Fabrique Club, São Paulo/SP (18/11/2017)

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Obituary
Local: Fabrique Club, São Paulo/SP
Data: 18/11/17
Organização: Live Co. e TC7 Produções

Texto e fotos por Ricardo L. Costa

Mas nem todo incidente pluviométrico da natureza me faria perder um evento desses (e olha que São Pedro deu uma grande demonstração de poder nesse dia). Era mais uma visita dos patronos do Death americano por nossas terras, o Obituary. Sem ato de abertura ou qualquer outro tipo de introdução, para às 20:00h estava prevista mais uma aula de Metal da morte pútrido, pesado e asqueroso. E o modesto Fabrique, no bairro da Barra Funda em São Paulo, ficou pequeno para o quinteto da Florida.

“Redneck Stomp” já se tornou uma espécie de “The Good, The Bad and The Ugly” da podreira, pois introduz as apresentações da banda já há um bom tempo. Foi uma demonstração de peso e distorção absurdos. Uma ode a brutalidade em uma das instrumentais mais emblemáticas e empolgantes de todos os tempos. Banda e público devidamente apresentados, o barítono do inferno, John Tardy, adentra o palco saudando a todos com “Sentence Day”, uma das composições mais impactantes de “Obituary”, seu mais novo álbum. Agora, me diga que música do Obituary não é impactante?

Bastou a referida introdução para a garotada (e os jovens senhores, como este escriba), já não manterem mais o controle de seus pescoços e cabeças. O Death Metal com flertes nada discretos de Doom Metal transcorria violentamente em uma noite daquelas com “Visions in my Head”, com sua cadência densa e refrão pegajoso. Cada palhetada de Kenny Andrews e Trevor Peres era um chute na boca do estômago. Nunca vi um Marshall roncar com tanta vontade.

A frente do palco já demonstrava certo risco para minha integridade física, ainda mais com a sobrevinda de “Chopped in Half” e “Turned Inside Out”, ambas surgindo como uma única peça sobressalente de fúria desenfreada. O Obituary ganha o público a cada minuto que passa, não somente por sua música, mas pelo carisma de seus integrantes, principalmente Peres, com seu jeitão viking beberrão irreverente. O cara é “total flex”, ingerindo vários “combustíveis” enquanto produzia uma das bases mais sebosas que já ouvi nesta vida metálica.

O Obituary toca pesado em seus registros de estúdio, mas ao vivo é um negócio fora do comum. Em determinado momento o ranço foi tamanho que chegou a ser vertiginoso. Sério! “Find the Arise”, “A Lesson in Vengeance” e “Brave” são a síntese do puro Death Metal carniceiro e putrefato, e deram continuidade a um espetáculo dos mais completos deste subgênero. Eu já presenciei o Obituary em outra oportunidade, mas parece que hoje eles estavam mais incisivos do que nunca, dispostos a subjugar os fãs, doutriná-los e inseri-los em sua arte.

“Don’t Care” surge para representar um de seus álbuns mais injustiçados, “World Demise”, enquanto “Straight to Hell” demonstra o quão poderoso e visceral é o novo álbum, honrando a tradição Obituary de música extrema e deixando os presentes em êxtase catártico. Que espetáculo de pura violência, Jesus! Se sempre tive John Tardy como máxima referência em termos de vocal odioso, a partir de hoje inaugurarei um busto de bronze em sua homenagem em plena praça. O cara urra, grunhe, com todo o tônus de suas entranhas de forma magistral. É e sempre foi o melhor e mais original vocalista do cenário, e ainda tem muito a oferecer no decorrer da turnê.

Alguém ainda estava vivo o suficiente para prosseguir a esta hora? Boa parte ainda sim, mas após “Dying” e “No”, muito mais corpos sucumbiram de satisfação. Se nunca tive uma audição das mais prodigiosas, a partir de hoje terei menos ainda. Mais clássicos com “’Til Death” e novidades como “Turned to Stone” anunciam que o fim estaria próximo, com a banda agradecendo efusivamente a presença e o prestígio dos fãs e despedindo-se de todos, mas algo me dizia que ainda seríamos recompensados. E fomos mesmo. Um último ato com o maior clássico de todos. Um hino que representa e personifica exatamente o que é o Death Metal: “Slowly We Rot”.

A apresentação de hoje não pode ser resumida a um reles show. Foi algo que transcendeu a barreira do brutal, elevando o Obituary a uma condição quase mítica. A banda, na verdade o baterista Donald Tardy e o guitarrista Trevor Peres, em uma demonstração de muito carinho e respeito para com seus fãs, voltaram ao palco para agradecer e interagir com todos, seja para autografar discos, tirar fotos, ou simplesmente entregar uma baqueta ou palheta. Serviu para me reafirmar como fã máximo dessa que é a maior e melhor formação do gênero. Eu já havia elegido meu show preferido para esse ano, mas depois de presenciar essa carnificina toda, bateu uma dúvida danada.

Efusivos agradecimentos ao amigo Luciano Piantonni pelo credenciamento e parceria, às produtoras Live Co. e TC7 Produções, e a todos os envolvidos na realização deste grande evento. Muito obrigado!

Set List

“Redneck Stomp”
“Sentence Day”
“Visions In My Head”
“Chopped in Half/Turned Inside Out”
“Find the Arise”
“A Lesson in Vengeance”
“Brave”
“Don’t Care”
“Straight to Hell”
“Dying”
“No”
“’Til Death”
“Turned to Stone”
“Slowly We Rot”

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