Whitechapel – “Hymns In Dissonance” (2025)

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Whitechapel – “Hymns In Dissonance” (2025)

Metal Blade Records
#Deathcore #DeathMetal

Para fãs de: Job For a Cowboy, Thy Art Is Murder, Cannibal Corpse

Texto por Lucas David 

Nota: 10

O Deathcore mais puro e do início do movimento ficou um pouco longe de noções de sutileza e progressão, porém, nos últimos anos, muitas bandas têm aderido a esse lado e agregado novas faces ao seu som. O Whitechapel é uma dessas bandas, e seus dois últimos discos, The Valley (2018) e Kin (2021), lançaram o sexteto de Knoxville em um território curiosamente propício para o rádio. Com a adição de violões acústicos, a banda surpreendeu seus fãs mais antigos e acabou por dividi-los.

Para nossa felicidade, tudo isso é descartado em Hymns In Dissonance, um disco que retoma o espírito old school de se fazer metal e apresenta uma música pesada, densa e explosiva. Aqui, cada nota é uma agressão aos ouvidos, os riffs são cortantes, e os vocais de Phil Bozeman abandonam completamente as melodias que vinham incorporando nos últimos álbuns e focam em soar o mais sujo e demoníaco possível.

Da mesma forma, enquanto os trabalhos recentes se concentram em traumas pessoais, as letras de Phil aqui se voltam para a ficção sombria, despejando um mundo de ódio e escuridão. Em uma entrevista para o YouTuber Nik Nokturnal, o vocalista comentou que a banda não leva a ferro e fogo o que cantam em suas letras — já que muitas bandas fazem isso — porém Hymns… é um ótimo exemplo de como é divertido cantar sobre esses temas malignos no disco e no palco.

O disco abre com “Prisoner 666”, uma explosão que sai dos falantes com Phil gritando a plenos pulmões o nome da faixa, e com o instrumental logo encobrindo o ouvinte com um peso absurdo. Ao final da música, temos Phil falando ao contrário, algo extremamente demoníaco e que dá início à faixa-título, uma das melhores do álbum e do ano também. Ela é mais rápida que a anterior, com uma demonstração incrível de técnica de cada integrante e contando com um dos breakdowns mais doentios de todos os tempos.

O disco não te deixa respirar com toda a brutalidade, e o único momento em que a banda “baixa a guarda” é na instrumental “Ex Infernis”, dotada de um tom tribal e épico que segue para a melhor faixa do disco, “Hate Cult Ritual”. Aqui, tudo é elevado a outro nível: seja a brutalidade, os vocais monstruosos, a bateria punitiva, os riffs de guitarra, tudo é uma viagem alucinante por uma estrada sombria e ameaçadora com toques de Black Metal. Os vocais de Phil novamente dominam a música, que ainda tem um videoclipe incrível.

Muitas outras camadas são adicionadas a esse novo trabalho: não somente o Deathcore sem freio, mas o Grindcore também aparece em “The Abysmal Gospel”, enquanto a melodia surge nos belos solos de Ben Savage em “Mammoth God” e “Nothing Is Coming For Any Of Us”.

Destinado a agradar a todos os públicos, Hymns In Dissonance é um disco que mostra que o Whitechapel nunca perdeu a forma e a capacidade de criar músicas tanto grandiosas quanto brutais. Ele explora com maestria os muitos pontos fortes de seus criadores e, em um ano com lançamentos de Lorna Shore, Shadow of Intent e Signs of the Swarm, temos aqui um forte candidato a melhor disco do ano.

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