
B.Abuse – “Memories of Better Days are Gone” (2018)
Wooaaargh
#NeoCrust, #Screamo, #Atmosferic, #Sludge, #PostPunk
Para fãs de Neurosis, Godflesh, Melvins
Nota: 4,5
Pois bem, como discorrer acerca deste registro. Tarefa perniciosa, mas vamos a ela: primeiramente, “Memories of Better Days are Gone” é um disco difícil em vários aspectos, a começar pelo direcionamento.
Confuso e sem nexo, o B.Abuse parece mais perdido que cego em tiroteio ao não se decidir por qual caminho seguir. Fica complicado até para pormenorizar cada detalhe, pois temos lampejos de Ambient Music, Sludge, Metal, Post Punk, Neo Crust, Hardcore, Screamo e eu já até me perdi pelo caminho ao tentar compreender tal manifestação sonora.
O álbum não segue uma linearidade padrão, por isso o elemento surpresa realmente surpreende, mas negativamente. É perceptível uma tentativa de inovar, de transgredir parâmetros pré-concebidos, mas pessoal: não é bem por aí.
Veio-me a memória aquele fatídico episódio do “Chaves” onde a turma formava uma banda na escola e cada um tocava uma coisa diferente ao mesmo tempo, tornando impossível a assimilação do que estava ocorrendo. Pois bem, guardadas as devidas proporções, é mais ou menos isso que ocorre em “Memories of Better Days Are Gone”.
Andamentos morosos, repletos de dedilhados e ambiências atmosféricas (“We Were Like Ants” e “Den Teufel Der Zeit Vertreiben” são uma tristeza), guitarras entrando pelo meio, uma cozinha um tanto atordoada, quebra brutal de ritmos, elementos insólitos ( só eu ouvi uma gaita ali no meio?), enfim, o B.Abuse nada, nada, nada, mas não chega a lugar nenhum.
É notável a versatilidade e competência dos envolvidos, porém creio que faltou um planejamento, uma meta a ser alcançada. Quando não ousam demais, até que a coisa engrena, como em “Zerfall” (uma das mais “normais” do álbum, digamos assim), mas quando almejam furiosamente a vanguarda musical, aí o caldo entorna e eu tenho uma vontade incontrolável de procurar outro hobby, tipo cultivar bonsais ou praticar tai chi chuan de madrugada no Ibirapuera na chuva.
O fato é que o B.Abuse desperta muitas emoções no ouvinte, porém nem todas elas favoráveis. Parece que as memórias de dias melhores se foram. Quem sabe numa próxima?
Ricardo L. Costa




