Heavy And Hell Press – “Volume 3: Collection” (2018)

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Heavy And Hell Press
 – “Volume 3: Collection” (2018)

Heavy And Hell Press

#ThrashMetal, #StonerMetal

Nota: 5,0

A coletânea “Collection”, produzida pela assessoria Heavy and Hell Press, dá voz ao trabalho de várias bandas brasileiras que variam do Stoner ao Thrash/Death. A iniciativa tem enorme mérito na divulgação de novos trabalhos para a tão importante renovação da cena brasileira de heavy metal e mostra trabalhos muito bem feitos e outros nem tanto.

O lançamento da vez é a terceira edição da “Collection” e abriu espaço inclusive para artistas de fora da assessoria como a banda Cano Serrado, cuja música chamada “11.340/06” (número da Lei Maria da Penha) é toda em português e fala sobre a violência contra a mulher. Outro destaque foi a banda Stoneria com a faixa cheia de groove chamada “Latino Americano”, coincidentemente outra que foi escrita na língua de Camões.

A banda Sacrario (Porto Alegre) cedeu a música “Deliverance”, com uma forte influência do Thrash alemão, um bom riff e bateria bem grave. A voz rasgada de Fabbio Webber tem um timbre destacado mesmo sendo aquele gutural rasgado agudo tradicional. Infelizmente, alguns trabalhos pecam muito pela qualidade de gravação. É o caso da música “Eternal Pain”, da banda Dark Mirror. Nada salva: guitarra estridente, total ausência de graves, tentativa de solo estilo Black Sabbath e vocal difícil de engolir.

“Return”, da banda Eden Seed vem com uma proposta inusitada de unir o thrash à música árabe. A premissa inicial é chocar, até porque não é todo dia que vemos uma mulher (Gisele Marie Rocha) com uma burca onde só se vê os olhos tocando guitarra. No entanto, o quesito musical perde pontos pela falta de criatividade e pouca qualidade de mixagem.

A compilação é claramente uma coletânea de Thrash Metal com tímidas escapadas ao Hardcore e ao Stoner. As músicas, no entanto, têm quase todas a mesma dinâmica, o que torna a sua audição um esforço: se você não gosta de um aspecto, você não vai gostar de nada. Faltou um pouco de variedade nesse cardápio musical.

A banda Godzorder traz a música “Break”, com uma boa qualidade de gravação com baixo potente e riffs encorpados. Um som pesado e um refrão com uma melodia marcante que promete funcionar ao vivo. Já o Dust Commando traz a música “POTUS”, uma das melhores da coletânea. Thiago Rabuske tem uma voz grave característica do grunge e é acompanhado por riffs bem feitos e uma atmosfera bem soturna.

A banda Embrio foi selecionada com a música “Out For Blood” que tem uma pegada bem moderna e um refrão com quebrada de andamento que também promete agitar ao vivo. A falta de originalidade é compensada por momentos inspirados como no verso do refrão. O guitarrista paranaense Weal Daou aparece em seguida com a música Thorns Of Joy, de longe a música mais elaborada do disco, com diversas pausas, alternâncias entre grave e agudo e um flerte tímido com o prog.

Chegando ao final, a banda I Am One Of Them surpreende ao colocar guitarras gêmeas ao estilo Iron Maiden em sua musica Sadistic Blinder. É um thrash genérico que melhora quando tenta sair da caixinha. A coletânea fecha com a banda Carniça e a música Rotten Flesh, outra que é muito mal gravada e tem uma bateria muito mal equalizada. Contudo, seu refrão foi feito para cantar junto e consegue animar.

A coletânea mostra uma realidade não muito animadora: ideias genéricas (salvo algumas exceções) com baixa qualidade de gravação. Essa mistura com certeza não vai salvar a cena, mas é de iniciativas como essa que todos estão carentes e, justamente por isso, a Heavy and Hell Press merece aplausos.

Gustavo Maiato

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