Epica
Local: Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ
Data: 11/03/2018
Produtora: Liberation
Fotos e texto por Gustavo Maiato
“Já tem uns 12 anos que a gente toca no Brasil e só agora me disseram que a palavra ‘Epica’ quase soa como um palavrão em português. Como vocês conseguem levar a gente a sério?”. Foi assim, se sentindo totalmente à vontade e em clima de diversão, que o tecladista Coen Janssen conversou com o público carioca entre uma música e outra do show que divulga o ótimo The Holographic Principle, último álbum dos holandeses.
O Epica continua em clara ascensão tanto musical quanto performática e entregou um show revolucionário para o Symphonic Metal, com direito até a uma wall of death comandada pelo baixista Rob Van der Loo. Simone Simons capitaneou a festa dizendo a todo momento que ama o público brasileiro e mostrando uma versatilidade grande, como nos líricos precisos em Once Upon a Nightmare.
O novo disco funcionou muito bem ao vivo, como em Dancing in a Hurricane. A música tem um clima cigano e mostrou a desenvoltura de Coen, que ganhou mobilidade com um teclado móvel em formato de semicírculo. Mas a grande estrela do último trabalho com certeza foi Beyond The Matrix. É muito raro uma música recente ser tocada ao final da apresentação, espaço normalmente reservado para um grande clássico. A banda, porém, reconheceu a força da faixa e apostou no seu refrão contagiante, cantado por uma saltitante Simone acompanhada de todos os fãs.
A impressão é que durante as 13 músicas do show a banda pensava a todo momento: “Como a gente pode agradar nossos fãs?”. Era coraçãozinho com as mãos, Simone tocando a guitarra de Mark Jansen, Coen dançando em círculo em volta de seu teclado… Tudo na medida. Em Once Upon a Nightmare, Simone pediu para todos acenderem os flashes de seus celulares, causando um efeito muito bonito e trazendo o público para fazer parte do show.
Mas com certeza Consign to Oblivion foi o ponto alto da noite. Rob Van der Loo pediu para que fosse aberto um enorme círculo no meio do público e, quando os primeiros acordes soaram, todos se encontraram no meio em uma honrosa wall of death, que evoluiu para um circle pit onde todo mundo extravasou todas as energias possíveis.
Os pontos fracos foram poucos: algumas falhas de som em Sensorium que cortaram o teclado e a guitarra; a falta de um back vocal de Mark ou do seu companheiro de cordas Isaac Delahaye; e por fim, mais uma recomendação do que uma crítica: alguém precisa conter o ânimo do baterista Ariën van Weesenbeek que inseria mil viradas aleatórias durante os versos. A coisa toda funcionou bem, mas chegou perto de passar do ponto.
Outras bandas de Symphonic Metal deveriam ser obrigadas a assistir a esse show para entender o que faz o povo feliz, entender que são pequenas coisas que fazem brotar um sorriso no rosto do fã. Por essas e por outras é que o Epica é, atualmente, a maior força do gênero. A mistura com o death metal está chegando próxima do ponto de saturação, mas ainda entrega um excelente resultado ao vivo.
Setlist:
Intro (Eidola)
Edge of the Blade
Sensorium
Fight Your Demons
The Essence of Silence
Design Your Universe
Ascension – Dream State Armageddon
Dancing in a Hurricane
Unchain Utopia
Cry for the Moon
Once Upon a Nightmare
Sancta Terra
Beyond the Matrix
Consign to Oblivion









































