
Eterna – “Papyrus” (1999)
Independente
#MelodicMetal, #ProgMetal
Para fãs de: Symphony X, Dream Theater, Dr. Sin, Angra
Nota: 10
Quando escutei “Paryrus”, segundo trabalho de estúdio da banda Eterna, pela primeira vez, foi um momento marcante e surpreendente. Em 1999, tinha aproximadamente 4 anos que ouvia música pesada , mais precisamente ouvia somente música extrema, dando pouca ou zero atenção para melodias, agudos, letras com pregação e conteúdo religioso.
Mas justamente a parte religiosa foi a última coisa que me chamou atenção no álbum em si e até hoje esse disco me ensinou a deixar de lado essa questão, o que realmente importa é se a música é boa, se de alguma maneira te passa emoção, seja falando de Deus, capeta, deuses, espadas e dragões, a qualidade sonora tem que vir em primeiro lugar. A abertura com a acelerada “Working Man”, dá uma noção do que o ouvinte terá nos próximos minutos, um grupo afiado, apostando suas fichas num instrumental cheio de melodias, mudanças de andamentos, refrãos grudentos e o principal, um dueto de tirar lagrimas entre Danilo Lopes (Bateria e Voz) e Alexandre Cláudio (Baixo e Voz), que contam com timbres completamente diferentes um do outro, mas que no final traz uma combinação ímpar, poucas vezes vistas no Metal mundial.
A produção cristalina ajuda bastante há trazer a percepção de como os instrumentos estão cada um no seu devido no lugar e o melhor ainda, soando bem na cara. Pegue as guitarras de Paulo Freire, por exemplo, elas trazem em suas notas bastante influencias de músicos consagrados como Yngwie Malmsteen e John Petrucci, e por não contar com uma segunda guitarra, o teclado de Douglas Codonho segura bem a bronca, trazendo passagens inspiradíssimas e ricas, sem aquela coisa de fingir que há uma orquestra por trás.
Destaques? VÁRIOS!!! “Mary´s Son” e seu peso, “Da Pacem Domine”, com seu começo com slap no baixo e uma cadencia de extremo bom gosto, fazendo com que a música ganhe uma dramatização. O trabalho por um todo é soberbo, mas sempre tem que ter aquela música, a faixa que você para no repeat e lá ficar por horas. No meu caso, são duas as músicas que mais me chamaram a atenção. “War Is Over” e “Resurrection”, ambas com suas similaridades e ao mesmo tempo distanciamento, apresentando linhas calmas, que remetem a baladas pesadas, com letras que carregam consigo a mensagem de esperança e fé em dias melhores, que cada um escolhe sua terra prometida.
Sinceramente, “Papyrus” está entre o meu top 10 nacional, um disco que foi e vai muito além de extremismos, e brigas infantis de “brancos x pretos”. Se você, caro leitor, não conhece essa obra, ouça e descubra um dos melhores álbuns dos anos 90 e você que já o conhece, redescubra!
William Ribas





