Absolva
– “Defiance” (2017)
Rocksector Records
#HeavyMetal
Nota: 9,0
Ninguém é louco o suficiente em negar que a Inglaterra não foi o berço do Heavy Metal mais tradicional, classudo e elegante em sua forma mais clássica, vide a NWOBHM na longínqua década de 80. Saxon, Judas Priest, Iron Maiden, dentre outras, surgiram não só para pavimentar o estilo como, também, forjar em aço, fogo e couro onde o menos era mais. Hoje em dia isso se modernizou de tal forma que poucas bandas tomam o mesmo caminho da simplicidade abrangendo o que um dia já foi gigante. Uma delas é o Absolva, que para quem não sabe é a banda de apoio de Blaze Bayley, tanto ao vivo (europa) como em estúdio, e que veio das cinzas do Fury UK.
Com “Defiance, seu quarto álbum de estúdio, a banda sobe mais um degrau em sua carreira mesmo indo na contra mão de modernismos que às vezes descaracterizam o Heavy Metal.
O tradicionalismo é levado a sério nas 12 faixas normais do álbum, lembrando que o mesmo ainda contem um CD bônus com mais 8 faixas, sendo elas ao vivo, acústicas e outras raridades.
Heavy Metal de ponta a ponta, sem frescura ou inovação, apenas muita energia, adrenalina, e paixão despejadas em forma de riffs de guitarra em profusão por conta da dupla Chris Appleton e Luke Appleton (esse último, também, baixista do Iced Earth).
Para situar melhor os ouvintes que ainda não conhecem a banda, posso afirmar que a sonoridade do Absolva é, basicamente, um Iron Maiden dos tempos de “Powerslave” (1984), ainda mais pesado, com pitadas de Megadeth nos riffs cortantes, solos esplendorosos e levadas mais técnicas. Mesmo não sendo agudo, o excelente vocal aberto de Chris, ás vezes, me remete ao que Paul Di’Anno fazia na época de “Killers” (1981), com incursões que vão de algo mais Pop até lampejos de Jon Bon Jovi (em sua melhor fase) e, também, partes mais viscerais de puro metal. Com certeza prestem atenção nesse cara, pois sua voz nos trás uma sensação total de deja-vu.
Não, não estamos diante de uma cópia da Donzela de Ferro, por mais vezes que você lerá “Iron Maiden” nessa resenha, mas é impossível não achar similaridades. Não é a toa que Blaze Bayley escolheu a banda para acompanha-lo em sua jornada desde 2013.
O peso clássico se faz presente em praticamente todas as faixas, exceto na belíssima balada acústica “Connections” que, também, merece sua atenção por conta de seu clima e musicalidade.
Destaques para a frenética cacetada que abre o álbum. “Life On The Edge”, onde você jurará que uma hora entrará Blaze Bayley cantando (risos), os riff cortantes da faixa título lembrando muito o Accept, “Rise Again” que parece ter saído do “Brave New World” (2000) do Iron Maiden, “Fistful Of Hate” com seu início no baixo e riffs dobrados lembrando (e muito) “Stranger In A Strange Land” de quem mesmo? (risos), “Never Be The Same” numa espécie de “Be Quick Or Be Dead” (de quem mesmo?), a “quase” Megadeth (fase “Cryptic Writtings”) de “Alarms” e a monstruosidade/rifferama de “Midnight Screams”.
Um excelente disco que não só trará maior visibilidade para a banda como, também, provará que o futuro poderá estar a salvo em se tratando de Iron Mai… oops. Heavy Metal, a não ser que as (em breve) viúvas da Donzela sejam, também, xiitas.
Johnny Z.





