Accept – Carioca Club, São Paulo/SP (14/10/2018)

accept2018
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Banda principal: Accept
Banda de abertura: Republica
Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 14/10/2018
Produção: Free Pass Entretenimento

Texto, fotos e vídeos por Johnny Z.

E lá fui eu para mais uma aula de Heavy Metal germânico. E meus senhores, que aula! Que show! Que banda! Bom, mas antes vamos começar direito.

Cheguei no Carioca Club bem cedo, fiz meu credenciamento e entrei. Uma pena que não tinha local adequado para a imprensa poder trabalhar decentemente, mas tudo bem, de certa forma foi bom pois acabei ficando grudado na grade (mesmo com a casa completamente lotada no show do Accept) e de lá não saí mais.

A abertura se deu através da banda República, cuja sonoridade eu confesso que estava com um pé atrás por não ter absolutamente NADA a ver com a atração principal. No meu ponto de vista pessoal, acho que uma banda mais similar à banda principal sempre se sai melhor com os fãs presentes. Pois bem, o República tem músicos competentíssimos, talentosíssimos, fazem um Hard Rock moderno, com toques Sabbathicos aqui e ali, e está numa ascendente grande na carreira, inclusive internacionalmente. Não é Heavy Metal, mas não é por isso que devemos malhar ou menosprezar o trabalho dos caras. Confesso que, mesmo gostando de muita coisa moderna, o som deles não me agradava e achava que essa abertura seria um marasmo que custaria “séculos” para acabar. Pois bem, continuo não me identificando com a sonoridade deles, mas confesso que não foi nada chato o show dos caras! A simpatia e a honestidade de seus integrantes contagia, principalmente seu vocalista Leo Beling, que é uma mistura de Stu Block (Iced Earth) com Bruce Dickinson (Iron Maiden), sem as notas altas, com cacoetes de Steven Tyler (Aerosmith). O cara “chama” o público para ele e acreditem, ele GANHA! Ponto para a banda que soube apostar num frontman impecável. Sobre o show, conforme foi caminhando eu fiquei ali prestando a atenção e de certo modo apreciei a apresentação. Não estava familiarizado com seus trabalhos, mas a versão que fizeram para “Head Like A Hole”, do Nine Inch Nails, foi digna de aplausos. Não saí de lá fã, mas eles conseguiram uma coisa que infelizmente não está em voga no nosso país atualmente, RESPEITO. Prestarei mais atenção nos próximos trabalhos deles e, quem sabe, possa gostar mais de sua proposta.


Ás 20:20hs, o gigante Accept, ou melhor, nossos “professores”, lembrando que no dia seguinte era o dia “de todos eles”, entraram no palco (completo com todos os adereços “metálicos” nos cantos) já ganhando de goleada. O Carioca Club estava completamente tomado (bom, lá no gargarejo eu juro que tentei dar uma espiada para trás e foi o que realmente achei) e todos gritavam feito loucos para Wolf Hoffmann (guitarra), Peter Baltes (baixo), únicos remanescentes da formação clássica, Mark Tornillo (vocal), Uwe Lulis (guitarra) e o monstro Christopher Williams (bateria).

Divulgando seu mais recente trabalho de estúdio, “The Rise Of Chaos”, o setlist foi sem sombra de dúvidas um dos melhores que a banda fez com Mark nos vocais. Só musicão da porra! Me desculpem a franqueza, mas com todo respeito que tenho a Udo Dirkschneider, e toda sua brilhante carreira que teve com a banda e artista solo, mas não sinto sua falta nem em estúdio, muito menos ao vivo. Talvez, o Accept hoje seja uma das poucas bandas que tenha passado por mudanças drásticas na formação, perdido membros importantíssimos e icônicos, mas conseguiu não só se reerguer, mas sim crescer e prosperar sem ter nego pentelho defecando uns “volta Udo” por aí. Nunca vi isso! E sabem o motivo? Mark nasceu para estar ali! Demorou, mas quando chegou sua vez, caiu como uma luva! Ele é no mínimo o máximo. Simplesmente virou a nova cara da banda e todos os fãs o amam! Precisa dizer mais algo? Mesma coisa com Uwe Lulis, que mesmo sorridente e carismático, ficando um pouco mais em segundo plano, despejava um peso descomunal saindo de sua guitarra e o monstrão (sim, mais uma vez digo isso), Christopher Williams. Monstro pois o cara é simplesmente impecável no instrumento. Uma mistura dá técnica do saudoso Nick Menza (ex-Megadeth) com Lars Ulrich (Metallica) no auge de sua carreira. Foi um show à parte vê-lo tocar!

Ok, vamos falar de Wolf e Pete agora. Meu Deus! Ver esses caras tocando sempre é um benção. Principalmente Wolf, que sua alegria estampada no rosto era tanta que contagiava todos os presentes. Tocou o show INTEIRO com um sorriso enorme no rosto, brincava com os fãs, chamava o público o tempo todo, ou seja, é o típico maestro da banda. Aliás, para quem conhece o Accept, e já tenha os visto antes, isso não é novidade. O jeito de Wolf, tanto de tocar como de comandar o público, é único, contagiante e nos faz transbordar um sentimento, também, único. Até na hora de dar um “esporro monstruoso”, em alemão, no cara da luz central que estava indo direto no olho de Wolf o atrapalhando na hora de interagir com o público em “Shadow Soldiers”. Bom, pela intensidade do que foi proferido não deve ter sido bom, e foi prontamente atendido. Ai dele se não fosse (risos). Só um adendo rápido aqui: O peso que saia dos auto-falantes vindo da guitarra de Wolf era mais pesado que muita banda de Death Metal por aí! Pronto falei! (risos)

O som, pelo menos de onde eu estava ali grudado no palco, estava cristalino e impecável. Todos instrumentos brilhantemente equalizados, o que ganha muitos pontos comigo. Ninguém merece ir a um show e dar de cara com som embolado. Ponto para todos os envolvidos, técnicos, banda e produção.

Lembram de quando eu disse lá no comecinho do texto: “Que banda!”, “Que Show!”? Pois bem, volto aqui a enaltecer isso. Foi impressionante! Junto com o Armored Saint, foram os dois melhores e mais coesos shows que vi esse ano, disparados! Os caras conseguiram trazer o público para o palco. Vale destacar que, além do palco completo, tivemos no Carioca Club uma excelente extensão do palco, bem na parte central, onde os músicos podiam chegar bem mais próximos do público (vejam as fotos), o que aumentou ainda mais a sinergia banda/público. Só fiquei com “pena” dos fotógrafos profissionais que tiveram que se apertar entre a grade e o palco para poder fazer seu trabalho.

Que mais precisamos em um show Heavy Metal sem ser clássicos absolutos e atemporais do estilo, banda impecável, iluminação excelente, som super nítido, energia e adrenalina? Tivemos tudo isso e mais um pouco. Quem não foi, perdeu um dos maiores shows internacionais em nossa terra esse ano e deve SIM se martirizar ajoelhando no milho por ter sido cabaço em ficar em casa (risos).

Difícil escolher os destaques do show, pois a interação do público em TODAS músicas foi algo fora de série, onde cantavam, também, os “ôôôô” até nas partes instrumentais! Foi uma loucura! Já vi milhões de shows na vida, mas esse foi algo para não se esquecer mais! Meus destaques dentro do setlist “brutal” apresentado foram: “Stalingrad”, “Pandemic”, “No Regrets”, “Final Journey”, “Princes Of The Dawn”, “Up To The Limit”, e a parte final do show com o massacre de pérolas como “Metal Heart”, “Teutonic Terror”, “Fast As A Shark” (essa não teve a introdução clássica em playback dessa vez, não sei o motivo), “Stampede”, “Last Of A Dying Breed” e fechando magistralmente com a icônica “Balls To The Wall”. No mais, saí de lá felizão (de novo!) e já aguardando pelo próximo!

Setlist Accept:

Intro
Die By The Sword
Stalingrad
Restless & Wild
Breaker
Pandemic
Koolaid
No Regrets
Analog Man
Final Journey
Shadows Soldiers
Wolf Hoffman Guitar Solo
Neon Nights
Princess Of The Dawn
Monsterman
Up The Limit
Metal Heart
Teutonic Terror
Fast As A Shark
Stampede
Last Of A Dying Breed
Balls To The Wall

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