
Acidemia – “Podridão” (2021)
Independente
#StonerMetal, #DoomMetal, #SludgeMetal
Para fãs de: Sleep, Windhand, Electric Wizard, Black Sabbath, Dopethrone
Nota: 8,5
Navegando entre o peso do Stoner e as texturas esmagadoras do Sludge Metal está “Podridão”, o primeiro trabalho (devidamente cheio) do trio lageano Acidemia. Gravado no Estúdio Fatboo, em Lages — e mixado/masterizado por Stefan Duarte, o álbum, lançado em julho de 2021 nos entrega 7 composições arrastadas, pantanosas e ultrapesadas. Dilatadas à psicodelia, prestando culto aos primórdios do Doom Metal e com aquela qualidade que apenas o Underground atesta (de repetições e clones o mainstream abarrotado). Sem mais, vamos às névoas ácidas criadas por Henrique Soares (baixo e voz), Mateus Varela (guitarra) e Thiago Granetto (bateria).
“Podridão” dilata-se em peso e lisergia logo em sua faixa inaugural — na acrimoniosa e árida “Névoas De Ácido” — primeiro single lançado do trabalho e devidamente “psicodelizado” com um videoclipe sensacional. A composição em si, é extremamente bem estruturada e portadora de um peso que beira a imoralidade. Suas linhas de bateria são rudimentares, mas certeiras, o baixo é estrondoso, a guitarra, no que lhe concerne, vai poluindo o ambiente com riffs tortos e lamacentos.
“Mórbido” segue a mesma doutrina da primeira faixa. Sinuosa, turva e reproduzindo com fidelidade todos os ensinamentos da cartilha sabática. “Existência”, “Angústia”, a faixa título e “Arcturianos” são composições poderosas, expressivas e desafiadoras, por vezes inusitadas, mas orgânicas e altamente prazerosas, principalmente aos ouvidos já iniciados nesse tipo de sonoridade.
A derradeira curva dessa “bad trip” chega sob o título de “Caximbo”, aliás, não uma curva, mas toda uma “highway” dedicada à experimentação composicional. Texturas múltiplas, limites extrapolados, saliências e vertigem sonora. Como se fosse o resultado da colisão entre insanidade e criatividade — ou a comunhão das mesmas. Ao meu gosto, esse é o Everest do álbum. Seus mais de 21 minutos são incrivelmente desafiadores e constituem um verdadeiro épico psicodélico de primeira grandeza.
Uma estreia realmente expressiva e com poucas falhas; uma banda afiada, entrosada e sem delimitações. “Podridão” é acachapante do início ao fim — amplo em sua alquimia sonora, viscoso, alucinógeno e intenso como poucos álbuns lançados atualmente. Que o Acidemia nos ofereça quanto antes mais algumas ampolas de seus riffs torpes e não dogmáticos dissolvidos em experimentalismos e angústias.
Fábio Miloch







