
Aeternitas – “Tales of the Grotesque” (2018)
Massacre Records
#SymphonicMetal, #PowerMetal
Para fãs de: Nightwish, Edenbridge, Celesty
Nota: 9,0
Quando o principal defeito de um disco é o fato de as músicas serem muito pequenas e deixar aquele gostinho de “quero mais” no final, é forte indício de que estamos diante de um trabalho grandioso. Pois com “Tales of the Grotesque”, do hepteto alemão Aeternitas, o ouvinte se vê percorrendo um caminho repleto de melodias da mais alta qualidade, arranjos inteligentes e um belo dueto entre o casal de vocalistas Julia Marou e Oliver Bandmann. Uma pena que esse caminho tenha sido tão curto.
O disco, que é conceitual e baseado na obra do dramaturgo americano Edgar Allan Poe, tem a tônica no metal sinfônico, mas conversa diretamente com o power metal, incorporando o melhor de cada subgênero. Exemplo dessa mistura é “The Raven”, baseada no mais famoso conto de Poe. Destaque para o pedal duplo e o bom refrão onde Julia canta “Nevermore!” enquanto um coro faz uma melodia complementar.
As músicas curtas (nenhuma passa de 5 minutos) impedem a banda de mostrar mais da criatividade, embora isso seja pedir demais de um disco que mantém a qualidade das melodias lá no alto desde o começo. É o caso de “The Experiment”, onde o dueto funciona muito bem sem precisar ficar naquele lado gótico lento e meloso. “Dream in a Dream” já opta por começar com um pequeno solo sequenciado por uma levada mais pausada de guitarra e baixo. Bom para a dinâmica do disco.
Tuomas Holopainen (Nightwish) já dizia que é muito difícil criar baladas realmente tocantes, porque basicamente a única arma que você tem para tocar o ouvinte é a melodia. O Aeternitas não fez por menos e o refrão da balada “Eldorado” não é fácil de ser esquecido, ainda mais com Anja Hunzinger fazendo um bom trabalho de piano. Já “Child of the Darkness” explora o lado mais teatral da dupla de cantores e a bateria de Frank Mölk não nos faz esquecer da veia power metal dos alemães.
“Tales of the Grotesque” é um trabalho ousado, que bota a cara a tapa e não se esconde por detrás de pós-produção. É melodia acertada atrás de melodia acertada que alça a banda a um nível alto no panteão do gênero. O disco mostra claramente que o metal sinfônico pode ser um estilo camaleão, que vem sendo muito adaptado ao death metal e ao gothic metal, mas que ainda cai muito bem ao se incorporar ao seu “irmão” power metal.
Obs: A banda ainda não lançou nenhum material em vídeo do novo disco.
Gustavo Maiato





