Amon Amarth + Abbath – Tropical Butantã, São Paulo/SP (27/05/2017)

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Bandas Principais: Amon Amarth + Abbath
Abertura: Sinaya
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 27/05/2017
Produção: Liberation
Assessoria: The Ultimate Music
Video: Thiago Rahal Mauro

Por Johnny Z.

Graças ao enorme trânsito que a cidade de São Paulo teve, mesmo sendo um sábado tipicamente caótico, acabei perdendo boa parte do show de abertura das meninas do Sinaya, mas mesmo assim consegui acompanhar as três últimas músicas de seu curto setlist. São esforçadas, mas ainda precisam de um pouco mais de lapidação em som, bem como presença de palco, mas é nítido que sangue nos olhos e muita lenha para queimar elas tem. O tempo e a estrada, com toda certeza, dará a elas o que precisam.

Sem nenhum atraso, o que é algo típico da belíssima casa e da produção – belíssimo ponto positivo, diga-se – Abbath e sua banda entraram em cena muito saudados, principalmente nosso “meme vivo”, Abbath. Confesso que não sou fã da sonoridade Black Metal por conta do estilo ‘bate estaca’ desenfreado com zumbidos de abelha emanando das seis cordas mas, mesmo assim, com muito profissionalismo e respeito, estava lá conferindo a apresentação.

O som no início se mostrou bem embolado, mas para o Black Metal (me desculpem os fãs, é puramente minha opinião pessoal) não mudaria muita coisa se estivesse bem equilibrado, e mal se ouvia a voz de Abbath. Era o início de algo que JAMAIS vi em quase trinta anos assistindo shows de Rock/Metal. Sim, foi um festival de presepadas por conta dos roadies e tudo caindo sobre Abbath. Guitarras desafinadas, microfones que não funcionavam, mais guitarras que não ligavam e todo tipo de ‘zica’ que um artista jamais gostaria de ter em pleno palco, aconteceu nesse show.

O mais engraçado foi que Abbath lidou de uma forma sobrenatural com todos os problemas e divertiu MUITO o público de uma forma que eu JAMAIS esquecerei. Que o cara é um “meme vivo” ninguém discorda, vide as inúmeras papagaiadas que criam com a imagem dele pela internet, mas poder ver certas coisas dessas AO VIVO não teve preço. Nas horas dos problemas, que aconteceram numa boa parte do show, o cara entreteve o público sem a menor vergonha e na maior cara de pau (no bom sentido) dançava, rebolava, deixa o público cantar e isso tudo com sua típica indumentária ogra e ‘corpsepaint’, o que ficava mais engraçado ainda.

Não o chamem de palhaço, isso seria uma afronta de um desrespeito, mas que TODOS presentes riram demais com suas atitudes isso não tem como se negar. Faixas do Immortal sem vocal, sem guitarra, faixas do seu projeto I da mesma forma, faixas de seu primeiro álbum como Abbath, tudo rolou da pior forma possível, mas acreditem: bisonhamente AGRADOU!

O baixista King Ov Hel agitava feito um louco e o baterista “Creature” espancou a bateria violentamente, mesmo eu achando que foi usado muito ‘trigger’ na apresentação. Não que isso atrapalhe, mas…. enfim, estava meio visível ao meu ver. Saí de lá fã do cara (veja bem, eu disse do cara!) (risos). Mesmo após os problemas técnicos, incompetência dos roadies ou quem sabe ‘o dia da zica brava’, enfim, depois de serem solucionados já se passava mais da metade do show, mas pela reação do público aprovaram com muito respeito e alegria! Estranho de se dizer isso, mas era um show de Black Metal (risos)! Valeu pela diversão Abbath!

Rapidamente a atração principal da noite entrou no palco com jogo ganho. Os suecos do Amon Amarth inciaram seu set com “The Pursuit Of Vikings” foi ‘covardia’ e a cada nota e palavra todo o público cantava junto!!! Som estava impecável, o que me deixou bem mais tranquilo após o que presenciei nas primeiras bandas da noite. Não estava nem alto em excesso nem baixo, o que é o ideal para prestarmos atenção em todos os instrumentos.

Segui-se a apresentação com “As Loke Falls” e uma trinca de tirar o fôlego do mais recente álbum “Jomsviking”, “First Kill”, “The Way Of Vikings” e “At Dawn’s First Light”. Após a saída do monstro Fredrik Andersson, eu estava meio receoso com quem ocuparia seu lugar já que “Jomsviking” foi gravado pelo baterista contratado Tobias Gustafsson (Cut Up / God Macabre) e, ao meu ver fez um ótimo trabalho só que não abusou tanto dos bumbos duplos como seu antecessor, o que me agradava e muito. Enfim, o escolhido para o posto oficial foi Jocke Wallgren e, meus amigos, que show que esse cara deu, substituindo Fredrik nos mesmos moldes não alterando em nada como foi gravado! Resumindo: fez bonito!

O espetacular Johan Hegg muito comunicativo com o público chegou até a conversar alguns momentos em português e, acreditem, fez direitinho! Incrível o alcance grave desse cara ao vivo! Me pergunto a cada show que vejo deles: “Como esse cara aguenta urrar como urso no cio por horas a fio, dias e dias seguidos”??? Na atualidade não tem pra ninguém, o cara domina o gutural!

Ted Lundström sempre preciso e a dupla de guitarras com Olavi Mikkonen e Johan Söderberg, dispensam comentários, são a espinha dorsal do som da banda, e mesmo se mostrando mais contidos no palco – como de costume – colocam peso descomunal, solos e dobradinhas de guitarra como poucos! Voltando ao setlist ficou bem claro que a banda se foca praticamente por completo em álbuns pós “With Oden On Our Side” (2006), sendo que apenas duas faixas anteriores a esse álbum foram executadas, “Death In Fire” e a já citada “The Pursuit Of Vikings”. Não que tenha sido um ponto negativo, mas poderiam ter dado mais espaço aos álbuns antigos e faixas como “Masters Of War” ou “Without Fear”, por exemplo.

Já vi vários shows da banda e em todos eles o sorriso estampado nos rostos de cada presente era nítido, e me incluo nisso. A monstruosa “Cry Of The Black Birds”, seguida da linda “Deceiver Of The Gods” deixaram a pista numa espécia de guerra nórdica, o que deu uma leve ‘esfriada’ em “Tattered Banners And Bloddy Flags”, mas não demorou muito para explodir em adrenalina com a cacetada “Destroyer Of The Universe”. O peso que emanava daqueles riffs sendo pressionado pela metralhadora de Jocke deixava nossos peitos até apertados! Se alguém ficou parado nessa hora que me desculpe, vá ouvir Coldplay porquê essa é a sua bandinha de merda (risos).

O clássico “Death In Fire” veio na sequência para continuar a devastação e limar qualquer tipo de pseudo-metaleirinho de bosta que, por algum motivo, tropeçou e caiu lá dentro da casa. A épica “Father Of The Wolf” fez bonito com todo mundo cantando junto com Johan cada estrofe precedendo a aniquilação em forma de riff e ‘blast beasts’ chamados como “Runes To My Memory”. A belíssima “War Of The Gods”, com sua rifferama e velocidade Thrash fez esse redator aqui passar mico já que o óculos voou longe na hora de bater cabeça. Ainda bem que disfarcei e quem estava ao lado não viu (risos).

Encerrada a primeira parte do show, a banda se retirou do palco para voltar com um bis simplesmente ASSASSINO! Sim meus caros, “Raise Your Horns”, a melhor música que foi lançada em 2016 na minha opinião, deu o ar das graças com direitinho a comemoração, corinhos de “ô ô ô” e tudo mais. Simplesmente arrepiou até o último pelo do corpo.

Fechando o set os presentes dos Deuses nórdicos para a posteridade foram executados: “Guardians Of Asgaard” e “Twilight Of The Thunder God”. O que falar desse fechamento com chave de ouro? Nada, veja bem, NADA descreve o sentimento de se presenciar um show da banda que mais gosta na atualidade executando no bis as três músicas que mais gosta em uma pancada só!!!

Belíssimo show, belíssima performance, belíssimo setlist priorizando os hits, belíssima banda, belíssima noite! AMÉM!

Agradecimentos à Liberation e The Ultimate Music pela parceria de sempre!

SETLIST SINAYA:

“Life Against Fate”
“Always Pain”
“Obscure Raids”
“Infernal Sight”
“Bath Of Memories”
“Buried By Terror”
“Legion Of Demons”

SETLIST ABBATH:

“To War”
“Winterbane”
“Nebular Ravens Winter”
“Warriors”
“Ashes Of The Damned”
“In My Kingdon Cold”
“Tyrants”
“Count The Dead”
“One Ny One”
“All Shall Fall”

SETLIST AMON AMARTH:

“The Pursuit Of Vikings”
“As Loke Falls”
“First Kill”
“The Way Of Vikings”
“At Dawn’s First Light”
“Cry Of The Blackbirds”
“Deceiver Of The Gods”
“Tattered Banners And Bloody Flags”
“Destroyer Of The Universe”
“Death In Fire”
“Father Of The Wolf”
“Runes To My Memory”
“War Of The Gods”
“Raise Your Horns”
“Guardians Of Asgaard”
“Twilight Of The Thunder God”

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