
Angel Witch – “Angel of The Light” (2019)
Metal Blade Records | Hellion Records Brazil
#HeavyMetal
Para fãs de: Iron Maiden, Saxon, Diamond Head
Nota: 9,5
Um dos períodos mais interessantes da história do metal é o final dos anos setenta//início dos anos oitenta com o surgimento da New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM). Seja pelos medalhões revelados naquela época (Iron Maiden,Saxon, etc), seja pelas bandas que não atingiram tanta popularidade mas alcançaram o status de “cult”(Demon, Grim Reaper, Diamond Head, Witchfynde General, a lista é imensa). Sem dúvida nenhuma, o Angel Witch é um dos maiores representantes dessa segunda categoria.
Formado em 1977 pelo guitarrista/vocalista Kevin Heybourne, o Angel Witch nunca conseguiu estabelecer uma formação duradoura, e já passaram pela banda mais de trinta músicos (!!!). Entre uma encarnação e outra (a banda acabou e voltou umas cinco vezes), passaram pelas fileiras músicos conhecidos como Tom Hunting (baterista do Exodus), Lee Altus (guitarrista do Heathen e Exodus) e Bill Steer (guitarrista do Carcass). Por estas razões, chegamos a 2019 e em 42 anos de história “Angel of Light” é apenas o quinto trabalho do Angel Witch.
O último retorno aconteceu em 2008 e obviamente houveram mais trocas de integrantes até a formação se firmar em 2015. Além do fundador Heybourne, completam o time o baixista Will Palmer, o guitarrista Jimmy Martin e o baterista Fredrik Jansson. Estes são os responsáveis por “Angel of Light”, que ao meu ver já nasceu clássico. Para quem conhece e é fã do Angel Witch, este é o álbum que deveria ter sido lançado lá por 1984, mas que viu a luz do dia somente em 2019. E se teve que ser assim, que assim seja.
A faixa de abertura “Don´t Turn Your Back” soa muito próxima as clássicas músicas do disco de estréia. Heavy Metal como tem q ser feito. Riff trampado e cheio de peso, enquanto a seguinte, “Death From Andromeda”, se apresenta carregada e cheia de melancolia, uma característica das composições de Heybourne e uma marca registrada do Angel Witch.
Seguindo a audição, temos a Doom “The Night Is Calling”, a excelente “Condemned”, com uma levada mais aproximada ao Hard Rock e a pesadíssima “Window of Despair”. Esta trinca mostra todo o poder de fogo deste trabalho. A produção é propositalmente “datada’, para nos levar em uma viagem de volta aos tempos das jaquetas de couro e calças cheias de patches de bandas, nos gloriosos dias de ouro dos anos oitenta. Muita nostalgia? Pode ser, mas a proposta funcionou perfeitamente.
“I Am Infamy” dá sequência, outra que flerta com o Doom Metal e vai deixar o “Pai Iommi” orgulhoso. Em algum momento ela lembra “Children of the Grave” do Black Sabbath. Para finalizar, chegamos a excelente faixa título. Energética e memorável, o trabalho não poderia fechar de melhor forma. Aliás, uma curiosidade: antes de se chamar Angel Witch, a banda se chamava Lucifer (o tal Anjo de luz do título). Coincidências e lembranças do passado que foram colocadas neste, que para fãs do metal tradicional, estará entre os melhores álbuns do ano.
José Henrique





