SP From Hell – Burning House, São Paulo/SP (30/04/2026)
Produção: TC7 Produções
Assessoria: LP Metal Press
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
Em sua primeira edição, o evento SP From Hell reuniu bandas clássicas nacionais e internacionais de Thrash e Death Metal da velha escola. Contando com o aguardado retorno da banda dinamarquesa Artillery, após longos dez anos sem vir para cá, e também com a volta da banda norte-americana Master, após quase dois anos de sua última visita por aqui, o festival teve como headliner a banda paulista Anthares, e contou ainda com Vulture e Sadistic Messiah.
Iniciando às 19h45, o Sadistic Messiah começou a destilar seu Thrash Metal Old School no evento. Mesmo com breves problemas técnicos no início da apresentação, a banda aproveitou cada um dos seus 35 minutos de apresentação para debulhar um som rápido e cortante.
Na ativa desde 2018, sendo a banda mais nova do evento e vindo de um momento cada vez mais sólido na cena, mesmo com o público ainda chegando na casa, eles entregaram um show direto ao ponto, sem firulas. Focando seu set em várias músicas novas que ainda vão sair, uma das melhores foi a derradeira “Gruesome Fantasies”, último single lançado no ano passado, e que mostra toda a potência sonora da banda.









Às 20h35, foi a vez do Vulture iniciar sua apresentação. Celebrando 30 anos de existência e, certamente, sendo a banda mais brutal do evento, diretamente de Itapetininga/SP, fizeram um dos shows mais destruidores da noite, com seu Death Metal brutal e implacável.
Realizando um set de 40 minutos, passearam por sua discografia, com músicas como a clássica “Evil War Domination” (Test of Fire, 2005), “Abençoado Seja o Homem Ateu” (Through The Eyes of Vulture, 2008), e “Masters of Decay” (Abandoned Haunt of Cosmic Hate, 2018), sendo um verdadeiro atropelo sonoro e reforçando o poder de sua trajetória no underground, como um dos nomes mais longevos e fiéis ao estilo em nosso país.















Às 21h45, a banda Master iniciou seu show. Dispensando apresentações e sendo um dos pioneiros do Death Metal, apoiando sua existência em seu líder, o eterno vocalista e baixista Paul Speckmann, a banda focou seu set nos dois primeiros álbuns, o seminal Master (1990), e o On The Seventh Day God Created… Master (1991), abrindo o show já com o clássico que leva o nome da banda e do primeiro disco, “Master”, incendiando a Burning House.
Mesmo com um breve problema no amplificador de baixo, e com Speckmann levando na esportiva, dizendo que o underground é assim mesmo, o show alternou entre momentos de clássicos como “Judgement of Will” e “Submerged in Sin”, e até mesmo resgatou outro momento histórico de sua discografia, com “Re-Entry and Destruction”, de quando a banda ainda se chamava Death Strike, algo que fez a alegria dos fãs de longa data.
Tocando música atrás de música, e sem muito tempo para respirar, a banda finalizou seu set com “Funeral Bitch”, outro clássico incontestável de seu primeiro álbum, em um set de 75 minutos, e saiu ovacionada pelo público, que já estava bem numeroso na casa.













Às 23h35, foi a vez do Artillery, literalmente, trazer sua artilharia para o palco. Após algumas tentativas frustradas nos últimos anos de retornar à América do Sul, dessa vez, finalmente, a banda conseguiu pisar em solo brasileiro novamente.
Entre hiatos e mudanças de membros, a banda se apoia principalmente em seu baixista, Peter Thorslund, único que acompanhou a banda em toda a sua trajetória, e no guitarrista original, Michael Stützer, que fez parte da maior parte de sua história. Tendo uma última reformulação no line-up em 2023 e comemorando os 40 anos do eterno Fear of Tomorrow (1985), o show da banda foi incrível.
A nova formação esbanja carisma e energia, com uma entrega total no palco, além de terem sido muito bem recebidos pelo público, que cantou em alto e bom som clássicos incontestáveis como “Into The Universe”, “Eternal War”, “Deeds of Darkness”, “The Almighty” e “Khomaniac”, todas do Fear of Tomorrow.
Além disso, também executaram outras igualmente marcantes, como “By Inheritance”, do disco homônimo de 1990, a sensacional “10000 Devils”, do When Death Comes (2008), além da nova “Ghost in The Machine”.
O atual vocalista, Martin Steene, demonstrava clara felicidade em finalmente estar se apresentando no Brasil, como fez questão de mencionar várias vezes, devido às tentativas anteriores que não deram certo, mas deixando claro que ficou com uma ótima impressão do país.
Finalizando com a eterna “Terror Squad”, faixa-título do segundo disco da banda, de 1987, foi um verdadeiro arsenal disparado nos headbangers presentes, que tiveram sua vontade de ver a banda totalmente saciada, diante de um set impecável e de uma excelente apresentação.

















E, finalmente, às 01h30 da manhã, o Anthares subiu ao palco. Mesmo sendo uma véspera de feriado, é um horário ingrato para uma banda tão clássica se apresentar — e isso precisa ser dito, pois muito do público acabou indo embora ainda durante o show do Artillery por conta de transporte.
Ainda assim, quem ficou presenciou mais uma aula dessa verdadeira instituição do Thrash Metal nacional. Equilibrando seu set entre seus três discos de estúdio, trouxeram do mais recente Espetáculo Sangrento (2025), um dos melhores discos do ano passado, músicas como “Cicatrizes”, “Extremismo Sagrado” e o soco na cara “Conservadorismo”.
Além disso, também executaram faixas do segundo disco, o excelente O Caos da Razão (2015), como a faixa-título, “Ócio” e “Pesadelo Sulamericano”, que mostram toda a força sonora que a banda desenvolveu desde o seu retorno definitivo, em 2008, com a entrada do ótimo vocalista Diego Nogueira, que deu um novo gás ao grupo.
Ao final do set, a banda focou no clássico disco de estreia, No Limite da Força (1987), com três faixas em sequência: “Fúria”, “No Limite da Força” e “Chacina”, que ainda contou com a participação aguerrida dos fãs que permaneceram até o fim do evento.
Em sua primeira edição, o SP From Hell trouxe ótimas bandas focadas no metal mais old school. Com um cast equilibrado e bem selecionado, foi um grande evento, que mostrou como o underground é forte e presente. Agora, fica a expectativa para a próxima edição, que, inclusive, foi confirmada hoje pela produtora para o próximo ano.




















