
Arandu Arakuaa – “Mrã Waze” (2018)
Independente
#HeavyMetal
Para fãs de: Armahda, Tamuya Thrash Tribe
Nota: 8,5
Sabe aquelas bandas que ousam inovar pra valer? O Arandu Arakuaa é decididamente uma dessas peças raras no mercado onde vemos tantas e tantas bandas fazendo sons similares. No meu caso, para que você tenha uma boa ideia, foi difícil decidir o que escrever no campo “para fãs de” nessa resenha.
Quem acompanha o cenário metal no Brasil, deve lembrar-se que o Sepultura deve ter sido um dos precursores nessa mistura de Heavy Metal com sonoridades tribais e que com Soulfly, ganhou contornos ainda mais temperados. Portanto, fazer uma mescla de elementos tribais não é propriamente algo novo, porém é algo ousado, forte e por vezes, de difícil assimilação na proposta.
Segundo a própria banda, o conceito do álbum versa sobre a relação do homem com a natureza, o uso das medicinas de cura nas quais os pajés trabalham com as forças da natureza e os espíritos dos animais, além de toda a mística da lua e do sol. A mensagem central é “todos unidos em matéria e espírito”, assim formando uma grande unidade, onde não há separação entre o plano físico e o espiritual e, consequentemente, se atinge o equilíbrio entre o homem, os animais, a natureza, enfim, todo o cosmos. “Mrã Waze” significa “respeito à natureza”.
As músicas são belíssimas, e a maioria das letras está no idioma tupi, transformando a audição em algo ainda mais desafiador: acompanhar as letras ouvindo as músicas. Para aqueles sedentos por Metal, ouça “Gûaîupîá”, “Îasi”, “Jurupari” e “Îagûara Kûara”. Para quem é mais afeito a sons tribais, a linda “Danhõ’re”, a instrumental “Ko Kri” e ”Gûaînumby” que tem um interessante dueto vocal, faram eco em seus ouvidos após uma audição em volume máximo.
“Mrã Waze” já é o 3º álbum dessa banda que poderá agradar a fãs de mente aberta e que conseguem sair da zona de conforto. As músicas são muito executadas, a produção (a cargo de Caio Duarte) é excelente, tudo na medida certa e sem exageros. Experimente!
Mauro Antunes





