Arcane Tales – “Power of the Sky” (2019)

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Arcane Tales – “Power of the Sky” (2019)
Broken Bones Records & Promotion
#SymphonicMetal#PowerMetal

Para fãs de: Turilli / Lione RhapsodyFreedom CallStratovarius

Nota: 8,5

Guitarras abafadas em semicolcheias, bumbos duplos marcando presença, orquestrações épicas, e um eu lírico que clama para que as forças da natureza abençoem o gume de sua espada. Em tempos de tanto experimentalismo musical (nem sempre bem sucedidos), às vezes isso é tudo que o ouvido de um amante do bom e velho power metal sinfônico quer escutar. E é isso que “Power of the Sky”, terceiro álbum do Arcane Tales, se propõe a trazer.

Em um cenário lírico e instrumental já aparentemente esgarçado e esgotado por todos os epígonos do Rhapsody dos anos 90, “Power of the Sky” se encaixa com surpreendente competência; quase como uma ode ao power metal noventista, mas sem se deixar cair na obsolescência. O que torna a experiência ainda mais interessante é saber que o Arcane Tales é uma “one-man band”. O cantor, escritor e multi-instrumentista italiano, Luigi Soranno, é responsável pelas composições, vozes, guitarras e programações rítmicas e orquestrais do álbum.

Percebe-se que, intencionalmente, não há virtuosismo no instrumental. A sonoridade é direta, sem muitos enfeites ou exageros. Os refrães são marcantes e com coros bem colocados, as melodias são bonitas no geral, temperadas por harmonias muito bem trabalhadas e agradáveis de ouvir. A faixa-título abre o álbum com competência e convence o ouvinte a seguir em frente, em um álbum onde cada música traz cenários e delineamentos bem característicos, com identidade própria, sem deixar que o álbum caia na mesmice. Luigi mostra sua competência como compositor desde as músicas mais rápidas e pesadas, como “Genesis”, com sua bela introdução com violinos, até as baladas “Wind of Doom” e “The Magic Dance of the Snow”.

Entretanto, alguns pormenores não passam despercebidos. Em certos momentos a mixagem peca na presença da voz principal, que perde força em meio à profusão de instrumentos. Os solos de guitarra e teclados são melódicos, com belas intenções neoclássicas, mas em alguns momentos soam repetitivos, causando a sensação de “tá bom, tá bom, já entendi o que quis dizer”. Mas, ainda assim, são detalhes aceitáveis quando lembramos que é uma “banda” de um único integrante.

“Power of the Sky” é um ótimo álbum, e uma boa contribuição para o gênero. Possui falhas que podem ser atribuídas ao baixo investimento de produção e pós-produção. Ainda é difícil encontrá-lo nas plataformas e fontes digitais mais famosas e, apesar de não ser o primeiro trabalho do autor, o projeto ainda é muito pouco divulgado, apesar de sua qualidade e potencial. Mas, apesar disso, merece a audição, e chama a devida atenção para os trabalhos futuros.

Will Menezes (Colaborador)

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