As I Lay Dying – “Shaped By Fire” (2019)

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As I Lay Dying – “Shaped By Fire” (2019)
Nuclear Blast
#Metalcore#MelodicDeathMetal

Para fãs de: Killswitch EngageAustrian Death MachineLegacy Of Kain

Nota: 10

Tudo começou timidamente no dia 07/06/2018 com o lançamento do single “My Own Grave” e lá para cá o quinteto americano As I Lay Dying fez inúmeros shows (inclusive dois incríveis espetáculos em território brasileiro), sendo vários deles completamente lotados, e com a sua legião de fãs dizendo “os reis voltaram!”. Mas a gente queria mais, a gente queria um álbum!

E esse desejo renasceu com o lançamento do single “Redefined” este ano, mas sem muita informação sobre o que o futuro fonográfico da banda iria nos proporcionar. Até que mais pra frente veio a notícia de que sim, haveria um novo álbum, o primeiro após longos anos de espera. E tudo o que começou com um ‘teaser’ desfocado em 2018 culminava em “Shaped By Fire”, sétimo álbum de estúdio e o primeiro fruto da parceria com a Nuclear Blast.

E o que falar dessa coleção de 12 faixas? O que a banda tem a nos passar nesses quase 45 minutos de som? Bem, a princípio a palavra chave é reconstrução. Muito já foi falado sobre o ocorrido com Tim Lambesis (vocal) e como isso prejudicou o andamento de uma das bandas mais frutíferas e vitoriosas dessa geração dos anos 2000, mas esse não é o foco desta resenha. Porém não podemos fechar os olhos para as consequências do ato citado acima e nem a banda parece querer esconder isso. O próprio título do álbum já passa essa pista. Ser ‘moldado pelo fogo’ não é algo prazeroso ou confortável. Irrita, machuca, dói. Mas também limpa, purifica e renova e isso era necessário para que todos pudessem expurgar suas dores e mágoas e juntar esforços para então entregar algo que eles sempre fizeram, música de extrema qualidade.

Tudo o que é comum de um disco deles tá aqui. Aquele som classudo, recheado de melodias, peso e técnica. Chamar de metalcore pode facilitar pro leitor, mas é um termo muito limítrofe e simplório pra encaixar a sonoridade da banda e que por fim afasta muitos potenciais ouvintes, mas no final das contas o azar é deles se não sabem apreciar boa música, independente da forma que ela é classificada.

Se nota uma certa maturidade durante a execução do material, que soa bem dark e sombrio dentro das barreiras do que sua sonoridade permite, claro. A dupla de guitarras formada por Nick Hipa e Phil Sgrosso permanece afiada e jogando pro time, nada que 15 anos tocando junto não façam, certo? Solos hora raivosos e enérgicos (“Gatekeeper” mostra algo que até o momento não me lembro de ter sido feito antes na discografia), hora melódicos e de feeling ímpar tapam a boca de muita gente que fala que não há musicalidade nessas bandas mais “novas”. Claro que não fica só nisso. Há uma saraivada de excelentes riffs e que bebem de fontes de várias escolas da música pesada (death, thrash, heavy tradicional), o que na mão de quem realmente sabe o que e como fazer, só trás enriquecimento pra música.

Apesar de ter feito um excelente trabalho em anos anteriores, nunca fui muito simpatizante de Josh Gilbert (baixo/vocal limpo) mas “Shaped By Fire” me fez torcer o braço quanto a performance do músico, que aqui atingiu o seu ápice. São as melhores linhas de voz e baixo da banda? Não posso afirmar, pois além do fator gosto pessoal precisa passar pelo crivo do teste do tempo, mas as suas partes estão muito bem encaixadas, coexistindo bem com o proposto e entregando o ideal para que cada faixa soe como única, visto “Undertow” e “Torn Between”. O mesmo pode se falar de seu baixo, que mesmo não sendo muito escancarado, tá lá fazendo a sua parte pelo conjunto da obra.

O trabalho de Jordan Mancino na bateria não precisa de explanações, apenas constatações. Ele é desumano nos pedais e tambores. Precisão e força contínua, o que só alimenta as conspirações daqueles que pensam que o mesmo não pertença a este planeta.

A mesma linha de raciocínio podemos aplicar ao vocalista Tim Lambesis. Seus vocais ainda são detentores do mesmo timbre de outrora, mas numa potência bem mais absurda. E mesmo que seja apenas em forma de áudio, o carisma do mesmo está presente em cada berro e vociferação. Musicalmente nunca precisou provar algo para ninguém, mas mesmo se fosse a situação, é só um caso de atestar que não há alguém como ele em cada esquina. Esse álbum é certamente uma forma

Breakdowns para sair ensanguentado do circle pit, refrões pegajosos e que infectam a mente em uma única escutada (estou falando com vocês “Shaped By Fire” e “Redifined’) e aquela porradaria linda. Tem tudo aqui e muito disso já tinha sido mostrado nos singles, no qual “My Own Grave” é o meu favorito. Arrisco a dizer que essa é uma das 3 melhores composições da banda, um “Best of” em uma única música. O medo de ser um disco só de singles e o restante lados B chochos e sem sal é bobo. “Gatekeeper” é pra criar mosh pits cataclísmicos, daqueles que você torce pra encontrar um desafeto e soltar o soco pra extravasar a raiva “sem culpa”; “Take What’s Left” tem uma introdução que você já imagina os brasileiros cantando os riffs junto (e isso se encontra em praticamente todo o repertório) e ao contrário das faixas comuns e genéricas que encerram muitos discos por ai, “Only After We’ve Fallen” e “The Toll It Takes” fazem acampamento no coração e playlist. Pode parecer soberba ou empolgação acima da média, mas o As I Lay Dying não faria feio caso apostasse em uma tour onde o disco fosse executado na íntegra.

Maturidade, renovo, reconstrução e refortalecimento. Isso é “Shaped By Fire”, isso é As I Lay Dying.

Márllon Matos

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