
Ataraxie – “Résignés” (2019)
Xenokorp | Deadlight Records | Weird Truth Productions
#FuneralDoomMetal, #FuneralDoomDeathMetal
Para fãs de: Bethlehem, Loss, Woebegone Obscured, Funeralium
Nota: 9,0
O Doom Metal é trivialmente conhecido por seus climas mórbidos, pela longa duração de suas músicas, por sua melancolica, tristeza e austeridade, claro que há exceções e bandas que fogem a regra, mas no geral, 99% delas são fiéis a essa característica (e que se mantenham assim), afinal se é felicidade e positividade (good vibes e chá verde) que você busca, ouça Power Metal, Folk, os últimos discos do Anathema ou leia algum livro “vital” de autoajuda.
Os franceses do Ataraxie fazem parte do grupo que se mantém fiel a essas características, mas não “contentes”, eles elevam a negatividade e o pessimismo a níveis impérvios, a um plano onde não existe luz, paz ou sorrisos, apenas trevas, caos, sofrimento e lodo. “Résignés”, seu novo álbum e quarto da carreira, é uma coletânea de torturas, de agonias, de dores múltiplas e sequenciadas, um passeio por um mundo devastado, cujos valores éticos e morais foram esquecidos, a vida, assim como a benevolência e o altruísmo agonizam em comunhão, num canto imundo e fétido, tal qual Deus no Begotten.
Composto por quatro longas faixas, onde a menor passa dos 17 e a maior, passa dos 25 minutos, “Résignés” é niilismo puro de seu início até seus segundos finais, sem pausas para recuperar o fôlego, sem a menor compaixão pelo incauto ouvinte, apenas ódio e desprezo em sua forma mais pura e barbara, “People Swarming, Evil Ruling” abre a sessão de açoites com seus riffs estafantes e prolongados, Jonathan Théry (baixo e vocais) despeja sua insanidade tanto nos guturais assombrosos, quanto nos gritos desesperados, literalmente encarnando o Bethlehem do disco Dictius Te Necare, outro grande (em todos os aspectos), destaque do álbum é a faixa “Le Affres Du Trépas”, uma colossal sombra negra que dizima e torna deserto tudo que cobre.
“Résignés” é de longe, o “pior” melhor álbum que ouvi esse ano, se era Funeral Doom que faltava em 2019, agora não mais, um trabalho altamente indicado, capaz de tornar suicida o mais otimista dos escritores de autoajuda.
Fábio Miloch





