
Tragedies – “Just Silence” (2021)
Eclipsys Lunarys Productions | Anaites Records
#FuneralDoomMetal, #DoomDeathMetal
Para fãs de: Funeral, Mourning Beloveth, Paradise Lost, My Dying Bride
Nota: 8,5
A Tragedies foi fundada em 2010 no Reino Unido, a princípio, como uma one-man-band de Funeral Doom Metal, capitaneada pelo veterano e multi-instrumentista Nattens (Raphael Ferreira). Figura emblemática e prolifera no circuito underground, cujo quilométrico “CV” porta nomes como: lgoz Profanador, Arma, Black Celebration, Blackmoon Eclipse, Dark Desires, Goat Kommander, Madrigal, Nocturnal Fog, Old Coffin Spirit, Primitive e Serpent Coven (a lista é bem mais extensa). Em 2013, o projeto ainda solo, lançou seu primeiro single “Tragic Existence”. Um novo single, intitulado “Under The Rubble”, foi lançado em 2020 após uma reformulação do projeto, que passou então a atuar como um duo com a entrada da talentosa vocalista, multifacetada e dona de mil parágrafos musicais Melissa Rainbow.
“Just Silence” foi lançado em agosto de 2020 como um ep de 4 composições e complementado e lançado nesse ano como “full-lengt” pelas sempre prestativas, Eclipsys Lunarys Productions e Anaites Records. O lançamento inclui ou ao menos deveria incluir 7 faixas, mas, sabe-se lá por qual razão, mas no Spotify (link que me foi passado para audições e impressões) só constam 6.
A faixa título abre o disco com riffs lentos e esmagadores, somados a vozes que, ora são abissais e noutras limpas e lamuriosas. Interessante notar que, apesar de exibir o rótulo de Funeral Doom, o disco se desenvolve de maneira fluida e sem discrepâncias. Sem se alongar demasiadamente e sem ser de todo pesaroso. A maioria das faixas exibe uma duração incomum ao gênero — entre 4, 5 e 6 minutos, com apenas uma passando dos 9 minutos de duração. “ Ego”, que certamente é o grande destaque do trabalho possui diversos tipos de vocalizações — os clássicos guturais, novamente as entoações limpas e também alguns falsetes (que sendo franco, funcionaram muito bem).
“Heart Turned To Stone” consegue ser densa e teatral. Novamente Melissa dá um show de interpretação e ouso dizer que sua performance se aproxima das dramatizações clássicas do mestre Robert Lowe (Grief Collector, Solitude Aeturnus, ex-Candlemass). A estrutura simples da faixa, apenas com discretos teclados e acordes limpos permite que Melissa explore seus dotes e deposite a carga emocional necessária na mesma. A última composição é “Tragic Existence”, precedida por dois instrumentais: “Towards The Abyss” e “Cold Breeze” — entre ambas, era suposto que constasse a faixa “Under The Rubble”. Uma pena, pois a mesma é um baita Doom Metal com excelentes riffs e inspirada nos influentes ingleses do Paradise Lost; mais especificamente no clássico “Gothic” de 1991. Ah! Sim, eu pude ouvir a faixa ausente no Bandcamp. A supracitada “Tragic Existence” encerra o trabalho monumentalmente, amarga, áspera e depressiva como pedem “a moral e os bons costumes” do Funeral Doom.
Um ótimo lançamento e que muito acrescenta à coleção dos fãs dessa arte mais extrema. Que ambos os selos prossigam apoiando bandas nacionais e que continuem a nos oferecer registros categóricos como esse! Do mais, longa vida ao Doom Metal nacional e aos fiéis fãs do mesmo.
Fábio Miloch





