Baú Metal na Lata 10: Bathory, Metal Extremo da Suécia

Quorthon / Bathory / Acervo Kerrang
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Baú Metal na Lata 10: Bathory, Metal Extremo da Suécia

Se Venom amaldiçoou o Metal para sempre no início dos anos 80, Bathory conseguiu injetar ainda mais maldade e sujeira ao que estava acontecendo. Não só isso, conseguindo servir de base, não apenas para um, mas dois gêneros do Metal, como também a formular um conceito muito utilizado no meio.

Bathory, o início

Quorthon / Bathory / Acervo

Formado em 1983 pela mente criativa do multi instrumentista Thomas Börje Fosberg, mais conhecido pela alcunha de Quorthon, em uma época que as bandas estavam expandindo todos os limites criativos para mostrar quem era mais maligno, conseguiu um feito em seu primeiro disco, “Bathory” (1984), pois aliou uma produção totalmente primitiva, conceitos malignos, a clássica capa com bode em preto e branco. Tal qual o Venom fez no eterno “Black Metal” (1982), soando tão perverso e impactante quanto sua maior influência. Como resultado, virou o conceito do que era o Black Metal de cabeça pra baixo, influenciando toda uma geração seguinte, pois a banda é um dos pilares da chamada “Primeira Onda De Black Metal”.

O que foi construído ali, mexeu ainda mais com o imaginário dos headbangers da época, sendo praticamente uma base musical pro que viria a ser a “Segunda Onda do Black Metal”, onde as bandas escandinavas marcaram época, explorando aquele som primitivo, sujo, e infernal.

“The Return…” (1985) e “Under The Sign of The Black Mark” (1987)

Os dois discos seguintes, “The Return…” (1985) e “Under The Sign of The Black Mark” (1987), mantiveram toda aquela essência maligna. Ao mesmo tempo, têm composições mais maduras, principalmente falando do terceiro disco. Inclusive, esse foi o último registro o qual a banda ainda contava com músicos creditados, já que, a partir do disco seguinte, Quorthon foi centralizando a banda ainda mais ao seu redor, tendo por um período, músicos que tenham participado das gravações sendo creditados como “Kothaar” (baixo) e “Vvornth” (bateria). No entanto, sem associação a seus nomes reais, tendo apenas o Quorthon como figura principal.

“Blood Fire Death” (1988)

Se nesse primeiro momento, Bathory já era um nome marcante, seu quarto disco de estúdio, o monumental “Blood Fire Death” (1988), elevou sua música para outro patamar, unindo elementos épicos à sua fórmula de tocar Black Metal. Dessa forma, o álbum tornou-se um verdadeiro marco na história da música extrema, com Quorthon aliando a brutalidade do gênero, com temas heróicos e criativos. Além disso, inseriu trechos acústicos, algumas músicas mais longas, uso de teclados, inserindo temática viking em suas composições. Tudo isso só serviu de base pro que viria em seguida.

Quorton / Acervo

“Hammerheart” (1990) e “Twilight of The Gods” (1990)

O disco “Hammerheart” (1990) foi um marco pra época. Não bastasse o pioneirismo no Black Metal, a partir desse disco, Bathory desenvolveu o que ficou conhecido como Viking Metal. O estilo teve iniciou no disco anterior, mas aqui ganhou ainda mais proporção, principalmente no fato de Quorthon abrir mão do vocal mais extremo, passando a cantar limpo, agregando um tom mais épico nas músicas.

Com durações mais longas, a faixa mais marcante é, sem dúvida, “One Road To Asa Bay”, certamente a música mais conhecida do Bathory, por ser a única que ganhou um videoclipe em toda a história da banda. Essa nova fase se estendeu no disco seguinte, “Twilight of The Gods” (1990), outro marco de sua fase Viking.

Fim, recomeço e a fase mais fraca da banda

Após o lançamento das coletâneas “Jubileum – Volume I” (1992) e “Volume II” (1993), Quorthon resolveu por um fim ao Bathory. Mas, por clamor popular, retomou o projeto. Contudo, durante essa retomada, lançou seus dois discos mais fracos, “Requiem” (1994) e “Octagon” (1995), discos que praticamente abandonaram o que a banda vinha fazendo, trazendo um som que flertava muito com Thrash Metal, e não sendo tão bem recebido pelos fãs.

O reencontro do Bathory com o melhor de sua música e a lamentável morte de Quorthon

Mas isso mudou no disco seguinte, “Blood on Ice” (1996), esse sim um disco fantástico, com toda a essência que marcou a sua fase Viking. Após esse disco, Quorthon então assumiu a gravação de todos os instrumentos, pois até aqui, ainda contava com músicos de apoio anônimos.

Desse modo, ele lançou o razoável “Destroyer of Worlds” (2001), e os excelentes “Nordland I” (2002) e “Nordland II” (2003), duas obras maravilhosas de uma mente singular. Infelizmente, pouco tempo após o lançamento dos discos, foi encontrado morto, vítima de um ataque cardíaco, com apenas 38 anos de idade, colocando um fim abrupto ao seu legado musical.

Em um espaço de 20 anos, Quorthon marcou a história da música pesada para sempre com o Bathory. Seja pelo primitivismo de seu início, a evolução gradativa até algo simplesmente grandioso e épico nos anos 90. Tudo isso partindo de sua mente, algo que ajudou até a fomentar o conceito de “one man band”, onde uma única pessoa faz tudo, ou tudo o que consiga, para que possa preservar a essência musical que existe unicamente na mente de um músico.

Em suma, é difícil medir a extensão da importância de tudo o que Quorthon deixou para nós. Mais impressionante ainda, sem nunca ter se apresentado ao vivo, como uma forma de ter sua arte intacta. Ainda assim, sua música ecoará por toda a eternidade.

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