Be Magic Fest 2024 – Experience Music, Lapa/RJ (04/08/2024)

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Be Magic Fest 2024 – Experience Music, Lapa/RJ (04/08/2024)

Produção: Be Magic Produções
Assessoria: JZ Press
Texto por Vinícius Araujo
Fotos por Betho SatierF

No domingo, dia 04 de agosto, aconteceu a primeira parte do “Be Magic Fest 2024”. O evento foi dividido em dois domingos (04 e 25 de agosto) e contou com dois palcos na casa de shows Experience Music. O “Palco Raul” (homenagem ao Raul da lendária casa de shows Caverna) estava situado no andar térreo, enquanto o “Palco Fábio Costa” (homenagem ao Fábio do também lendário Garage) ficava no terceiro e último andar, onde um pequeno mezanino foi destinado à área de merch das bandas.

Vale ressaltar que cada palco tinha um mestre de cerimônias: no “Palco Raul”, era “Keth Demonizer” e no “Palco Fábio Costa”, era “Balthazar” (Motim Underground).

Às 16:11, sobe no “Palco Raul” a primeira banda da noite, o Egocentric Molecules (RJ), um power-trio que toca thrash metal com uma pegada anos 90, ou seja, com grooves e levadas mid-tempo. O set-list incorporou toda a carreira da banda, e a surpresa ficou por conta do cover de “Procreation of the Wicked” do Celtic Frost.

Aqui fica uma nota deste que vos escreve: o primeiro show deveria ter começado às 16:00, e os 11 minutos de atraso não são realmente comprometedores, mas foram o suficiente para transformar a cobertura de todos os shows em uma maratona caótica, pois os shows começaram a ter intervalos quase nulos entre eles, e assim começou o meu parkour de sobe e desce de escadas. Bem, voltemos ao evento!

Subindo para o “Palco Fábio Costa”, às 16:48, os veteranos do Siegrid Ingrid (SP) começaram seu show de forma impactante, com o vocalista Mauro ‘Punk’ saltando no palco e a banda mandando uma versão brutal da faixa “Murder” do seu segundo álbum, o excelente “The Corpse Falls”. A performance da banda foi matadora, agressiva e com um entrosamento que só os anos de estrada podem proporcionar, inclusive nas faixas do devastador e mais recente trabalho dos caras, o brutal “Back From Hell”. O bom e velho Siegrid Ingrid está de volta ainda mais agressivo que antes!

Descendo literalmente para o inferno no “Palco Raul”, às 17:35, a banda Feretral (RJ) subiu ao palco e destilou seu black metal cru, ríspido, cheio de reverbs cavernosos e com aquela aura oriunda do final dos anos 80 e primeira metade dos anos 90. A banda é formada por veteranos do underground carioca e possui um público fiel, o que pode ser comprovado pela aglomeração em frente ao palco, um show extremo e sem espaço para enrolação.

Às 18:14, o mestre de cerimônias “Balthazar” chamou ao “Palco Fábio Costa” a lendária banda Genocídio (SP). Este show foi o primeiro da turnê de divulgação do matador “Fort Conviction” e também o primeiro com o novo baterista, Herbert Loureiro (ex-Siegrid Ingrid). A banda está em uma ótima fase, e faixas como “The Sole Kingdom of My Own” cativaram o público, assim como o inusitado cover de “Never Tear Us Apart” do INXS, que foi muito bem recebido pelo público; o encerramento com o cover de “Countess Bathory” do Venom foi apoteótico!

De volta ao “Palco Raul”, às 19:05, conferimos o thrash metal da Guerra Nuclear (RJ), banda que mistura o thrash tocado pela Nervosa (talvez pela semelhança do vocal de Bruna Chaves com o vocal de Fernanda Lira, quando era vocalista da Nervosa) com o thrash mais tradicional de bandas como Evil Dead e Nuclear Assault. Foi um show que me surpreendeu positivamente, pois foi a primeira vez que vi a banda ao vivo.

Mal acabou o show do Guerra Nuclear e já começava às 19:46 no “Palco Fábio Costa” o show de uma das mais cultuadas bandas do underground: o Velho (RJ). Esta banda arrebata uma legião de seguidores em seus shows; seguidores que cantam as músicas em plenos pulmões, vestem camisas e inclusive vão aos shows com corpse paint (!!!). Podem falar o que quiserem, mas o Velho renovou o público do Black Metal e músicas como “Satã, Apareça” e “Mais um Ano Esfria” são tão grudentas quanto chiclete. Provavelmente o show mais cheio da noite!

Às 20:30, surge o Sutura (RJ), última banda a subir no “Palco Raul”, tocando um death metal com fortes influências do som criado pelos suecos na década de 90. Era possível ver no palco um pedal HM-2 da Boss, mas por problemas técnicos, o mesmo não foi utilizado, o que foi uma pena, pois os riffs remetem diretamente a bandas como Dismember e Entombed. No entanto, mesmo com este percalço, a banda entregou um show empolgante, e era evidente que muitos estavam ali para vê-los, visto que a banda não faz muitos shows devido à agenda do vocalista Nathan Azevedo, que também toca baixo no grande Grave Desecrator.

A última banda no “Palco Fábio Costa” foi o Miasthenia, que subiu às 21:10 e destilou seu “Pagan Black Metal” com altas doses de teclado e passagens épicas. A banda estava bem entrosada, mas o fato de ter um teclado fez com que diversos problemas técnicos surgissem. Em um festival onde diversas bandas tocam em um intervalo muito curto e com estilos tão distintos, manter a qualidade sonora de todos os shows é quase uma tarefa impossível. O Miasthenia não foi a única banda que passou por problemas técnicos, mas, devido à complexidade de seus arranjos, talvez tenha sido uma das mais prejudicadas. Uma pena.

O saldo do evento foi positivo, mas não em 100%. A localização é boa e a casa tem uma estrutura adequada para shows de pequeno porte, porém alguns detalhes, como mesas em frente ao “Palco Raul” e problemas técnicos no “Palco Fábio Costa”, tiraram a medalha de ouro do evento, mas nada que retire a medalha de prata. Que sirva de aprendizado para a segunda parte do evento, que ocorrerá no próximo dia 25 de agosto, no mesmo local, e este que vos fala estará lá.

Obrigado JZ Press e Be Magic Produções pelo credenciamento e parceria de sempre!

continua…

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