
Blaze Bayley – “Live in France” (2019)
Blaze Bayley Recordings
#HeavyMetal
Para fãs de: Iron Maiden, Absolva, Saxon, Wolfsbane
Nota: 8,5
É muito difícil para mim falar sobre Blaze Bayley. Como fã de Iron Maiden que sou, lembro quando Blaze foi anunciado por Steve Harris como substituto de Bruce Dickinson e muitos de imediato já torceram o nariz. Goste ou não dele, aceite que Blaze foi fundamental para salvar a banda, fato esse admitido por Steve dizendo que pensou em encerrar a carreira após “Fear of the Dark” (1992) e os álbuns ao vivo “A Real Live One” e “A Real Dead One” (1993).
Após sua passagem pela Donzela, Blaze lançou excelentes álbuns, principalmente os três primeiros, até passar por uma montanha russa de mudanças de formações, altos e baixos na vida, até mais baixos que altos, mas seguiu firmemente sua carreira solo que deu uma renascida após o ano de 2015, quando de lá para cá lançou uma trilogia de álbuns de estúdio, mais alguns projetos acústicos com Thomas Zwijsen e Anne Bakker, e agora mais um lançamento ao vivo para os fãs, mostrando ao mundo que ele está mais ativo do que nunca.
“Live in Paris” é o resultado da gravação de 2 shows feitos na França, mais precisamente entre os dias 25 e 26 de maio do ano passado. Blaze tem ao seu lado uma excepcional banda de apoio, com o guitarrista Chris Appleton, Karl Schramm (baixo) e Martin McNee (bateria), todos integrantes da banda Absolva.
O set list desse álbum, que também será lançado em DVD, é praticamente o mesmo realizado nos shows que aconteceram no Brasil, especialmente em São Paulo mês passado (veja a resenha em AQUI). Como de costume, Appleton faz um trabalho brilhante, porém é nítido que a ausência de uma segunda guitarra para fazer as bases durante os solos faz muita falta. Das 20 músicas do tracklist, 15 delas fazem parte da recente trilogia já citada: “Infinite Entanglement” (2016), “Endure and Survive” (2017) e “The Redemption of William Black” (2018), numa clara opção de promover sua atual formação ao invés de ficar relembrando à exaustão sua passagem pelo Iron Maiden.
Temas como “Redeemer”, “Are You Here” e “Independence” podem cair no gosto de todas as fases da carreira do cantor. Sua passagem pelo Maiden foi lembrada em “Futureal”, “Virus”, a polêmica “The Angel and the Gambler” e a clássica “Man on the Edge”, todas elas com um toque bem pessoal da banda e não apenas como simples covers.
Os famosos discursos de Blaze entre as músicas mostram que o álbum foi lançado sem muitas (ou nenhuma) mexidas de estúdio, o que deixou a coisa ainda mais orgânica e dinâmica.
Infelizmente, muitos ainda preferem lembrar/achar que Blaze não passa de um mero cantor que, por obra do acaso, caiu de paraquedas no Iron Maiden e teimam em não dar-lhe mais uma chance e conhecer sua interessante carreira solo. Uma pena, pois não sabem o que estão perdendo! Blaze é humilde, carismático e um cantor diferente da maioria. Aqui, mais uma oportunidade para conhecer suas músicas e sair do mundinho Iron Maiden. Eu já saí faz tempo desde “Silicon Messiah” (2000), e vocês?
Mauro Antunes





