Brazil Painted Blood – “The Brazilian Tribute To Slayer” (2021)

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Brazil Painted Blood“The Brazilian Tribute To Slayer” (2021)
Secret Service Records
#ThrashMetal, #BlackMetal, #DeathMetal

Para fãs de: Slayer e Thrash Metal porra, o quê mais seria???

Nota: 9,5

E cá estamos com mais um tributo da Secret Service Records somente com bandas brasileiras para grandes nomes do Metal mundial. Dessa vez, o onipresente, poderoso e já saudoso (não vou me acostumar com essa aposentadoria nem a pau!), SLAYER!

A qualidade do CD digipack duplo e a arte gráfica, bem como em todos os outros tributos, dispensa comentários e ainda mais nesse temos capa por Marcelo Vasco, artista quem desenhou as últimas capas dos próprios americanos. Só isso já dá uma credibilidade ainda maior ao projeto.

A cada 10 bandas de Thrash Metal e metal extreo no mundo, 11 tem influência direta de Slayer, então ou faz a coisa certa ou vai tocar outra coisa. Aqui o negócio é bruto, beleza?

Só um adendo a esse tributo em relação aos anteriores: Aqui 99% das versões são extremamente fieis as originais, variando somente produção e vibe de cada banda.

CD 1:

Korzus – “War Ensemble”
Se o Korzus não estivesse nesse tributo e não fizesse outra faixa senão “War Ensemble” não teria fundamento nenhum. Jogo ganho! Falar da importância da banda é desnecessário, mas o que eles fizeram com “War Ensemble” é uma verdadeira hecatombe. A original já é algo descomunal de agressivo, mas a versão do Korzus é covardia! Não mudaram praticamente nada da original, apenas colocaram mais palhetadas abafadas nos riffs e deram uma subida nas bases em termos de produção, o que me agradou em cheio. Marcelo Pompeu canta com tanto ódio que chega a escorrer sangue dos nossos ouvidos. Uma das melhores versões desse tributo e logo de cara na primeira música! E esses solos??? Brutal!

Chaos Synopsis – “Fictional Reality”
Ótima versão, coesa, bruta e ríspida na produção, com guitarras bem cruas da mesma forma que a versão original. Mandaram muito bem e o vocal de Jairo Vaz Neto é um diferencial bacana por ser bem diferente do Tom Araya, mais não menos brutal. Ficou uma cacetada!

Dyingbreed – “Criminally Insane”
Que versão brutal! Peso em todos os sentidos, vocal, guitarras, levadas, blast beats, um verdadeiro arregaço. Essa é aquela versão que dá vontade de bater até na mãe (risos). Se o Slayer fosse Death Metal, seria exatamente isso! Coisa linda de se ouvir. Estão de parabéns, pois a produção evidenciou todos os instrumentos e tudo ficou bem claro ao ouvinte.

Apple Sin – “South Of Heaven”
Outro brilhante destaque do tributo, sem dúvidas. A introdução tocada no piano/teclado/órgão deixou-a ainda mais sinistra. O riff inicial já é algo assustador, e dessa forma chega a arrepiar de verdade. Assim que entra o vocal de Patrick Belchior vem o “susto”: Bruce Dickinson, de sua fase “Accident Of Birth”, fazendo um cover do Slayer??? Sim meus queridos, já imaginaram isso??? E não é que ficou soberbo o negócio? Pesado, agressivo, climático, eu bato palmas de pé para essa versão!

Endrah – “Repentless”
Mais porrada para nossos ouvidos, numa mistura de Hardcore, Death/Thrash Metal com blast beats e transbordando ódio pelos quatro cantos. A bateria de Bruno Santin parece que esta cravando pregos no seu ouvido. Uma das bandas mais agressivas do tributo, sem dúvida nenhuma. Que é louco de não curtir isso? Só mais um comentário, o senhor Cesar Covero (guitarra) é monstro demais!

Hell’s Punch – “Stain Of Mind”
Muitos falam asneira do álbum “Diabolous In Musica”, por acharem “new metal”. Pode ter até algumas influências sim, ninguém discute isso, mas até aí ser taxado e odiado só por causa desse detalhe? Façam-me o favor! Eu gosto e muito. “Stain Of Mind” é um clássico e aqui podemos falar que a Hell’s Punch poderia roubar para si essa música (calma gente, é no sentido figurado, o Slayer é o Slayer!). Os riffs e as palhetadas abafadas cheias de groove deram um ar mais agressivo a faixa, o que me faz coloca-la como uma das melhores do tributo também. Provalmente, a melhor de todas para mim. Peso descomunal! Jesus Cristo… oops.

Thunderspell – “Tormentor”
Se o Slayer fosse Heavy Metal tradicional seria como o Thunderspell aqui. Gravação e produção ótimas, banda afiadinha, tudo no lugar, alguns exageros nos solos e vocal aqui e ali, mas de resto tudo certinho. Tive que ouvir muitas vezes para escrever essas linhas, pois acho que meu fanatismo em termos de Slayer falou mais alto nas primeira audições, mas depois soube apreciar numa boa.

Hylidae – “Chemical Warfare”
Vocal (feminino) puramente Black Metal rasgado que deixa muito marmanjo no chinelo e que se encaixou muito bem nessa versão bem fiel a original.

Tailgunners – “Dead Skin Mask”
Outra versão mais Heavy Metal, mas com um certo peso um pouco mais avantajado, lembrando também como se o Iron Maiden (mais pesado) fizesse um cover do Slayer. Bom, para quem conhece a banda, lê o nome dela de bate pronto já mata a charada. Baixo muito bem tocado e colocado na mixagem (ah vá, sério? Porquê será?). Destaque para as guitarras, parecem que cortam sua jugular!

Tosco – “Piece By Piece”
A outra banda explodindo agressividade no tributo junto com o Endrah. Aqui é cacetada do começo ao fim, pois a faixa original já é criminosa. Os caras tocaram-na de uma forma tão fiel que chega a assustar, a única diferença é o vocal de Oswaldo, que é mais puxado para o Hardcore, pois de resto é Slayer purinho. Mais uma que entrará para o podium de melhores do tributo.

Pátria – “At Damn The Sleep”
Os caras devem me odiar, pois malhei duas versões que eles fizeram em tributos anteriores, se não me falhe a memória. Mas essa aqui eu vou elogiar, e muito! Se o Sepultura do “Morbid Visions/Schizophrenia” fizesse uma versão do Slayer, seria essa. Só que melhor produzido. Sim, dessa vez eu tenho que dar a mão a palmatória, achei a produção melhor do que as outras versões que fizeram. Não sou fã de Black Metal mais cru, sisudo, mas a vibe Black/Death Metal de responsa me representa sim.

Carniça – “Blood Red”
Bem fiel e produzida, instrumental impecável, mas ao vocal não me agradou muito. Isso não desqualifica o material, é apenas gosto pessoal. Conheço a banda e sei que fazem excelentes trabalhos. Destaques para as guitarras que ficaram desumanas!

Vulture – “Show No Mercy”
Suja, crua, agressiva, veloz, pesadíssima, da mesma fora que sua versão original. Senti uma ‘vibezinha’ meio Punk Rock no meio de tanta agressão Death Metal da banda. Gostei demais!

Burn The Mankind – “Dittohead”
Praticamente idêntica ao original, mudando somente o vocal. Agressão do começo ao fim, como tem que ser. Se você está procurando novidade em termos de ‘criação’, definitivamente esse não é seu tributo. Fidelidade pura.

Obskure – “Seasons In The Abyss”
Impecável! Esses caras arregaçaram! Baixo mais alto, galopando junto com as guitarras, produção perfeita, execução idem. Peso avassalador com vocal bem Amon Amarth. Excelente.

CD 2:

Dorsal Atlantica – “Altar Of Sacrifice”
O que dá uma banda seminal homenagear outra? Só pode dar no que deu aqui. Qualidade acima da média e o mais interessante é que todos os toques clássicos da Dorsal foram incorporados na música. Quem é fã das antigas vai notar com facilidade! Outro ponto alto do tributo!

Leviaethan – “Raining Blood”
Mais uma versão bem fiel que se não acrescenta muita coisa, arranca o pescoço do ouvinte sem dó nem piedade. Tem certos clássicos que não se pode mexer e “Raining Blood” é um deles. Excelente interpretação vocal de Flávio Soares. Os gaúchos fizeram a lição de casa muitíssimo bem e levaram um dez por conta da excelente produção.

Siegrid Ingrid – “Skeletons Of Society”
Essa era uma das que eu mais estava ansioso para ouvir e os caras arregaçaram! O peso ainda maior que colocaram nas guitarras abrilhantou muito e se tornou uma das melhores (também). A rifferama cortante da versão original está intacta e te arrancará o casco a cada compasso e batida certeira da bateria! O vocal sujo de Mauro ‘Punk’ parece que te joga para dentro das trevas e no refrão ainda te coloca fogo com muito ódio! Nada mais a declarar dessa que é, para mim, a versão mais desgraçada do álbum!

Pagan Throne – “Divine Intervention”
Pagan Black Metal bem feito, muitíssimo bem produzido, sinistro, cheio de sinos e teclados fúnebres que soam como um funeral dentro do inferno, tudo que essa cacetada precisava numa nova interpretação. O fator climático por toda a faixa é de extremo bom (não seria mal?) gosto! Tudo tinindo, todos os instrumentos cristalinos e um peso monstruoso. Acertaram muito!

Uganga – “Mandatory Suicide”
Esses mineiros nunca erram. Se tem o nome Uganga, pode escrever que será acima da média sempre. Inseriram algumas sonoridades extras que deram outro ar a faixa, principalmente no primeiro minuto. O riff original dessa faixa, enquanto o solo corta e despedaça sua carne, é de deixar arrepiado e aqui senti a mesma sensação. E ao final, o mesmo se repete acabando de vez com a vida do pobre coitado ouvinte. É de arrepiar mesmo!!

Genocídio – “Kill Again”
O que falar dessa versão mais ‘emputecida’ de “Kill Again”? Agressão ‘destroçante’ do começo ao fim. Ainda estou para ouvir algo apenas bom desses caras. As levadas de bateria e de bumbo duplo simplesmente te mastigam como um animal selvagem sem comer há semanas. Produção (para variar) impecável é outra coisa, mesmo que o negócio é brutal você consegue escutar tudo com clareza. O vocal de ‘ogro’ e ‘bruo’ de Murillo deu como uma luva.  Sério, vou parar por aqui porquê essa é mais uma das “covardias” desse tributo.

Armum – “Postmortem”
Sou muito fã dessa faixa em especial e de seu riff principal, então estava também curioso para essa versão. Pois bem, não me agradou muito por conta da timbragem “mais aberta” das guitarras que deixou justamente o riff principal meio embolado. Talvez, se essa timbragem fosse mais “grave” eu teria outra opinião. Não é ruim, nunca, apenas um aspecto pessoal que tive em sua audição. Mas, por outro lado o vocal e os blast beats eu já achei que casaram muitíssimo bem.

Macumbazilla – “Expendable Youth”
O baixo já se destaca logo de início e por toda a faixa, o que preencheu muitíssimo bem todo o espaço sem deixar as guitarras apagadas. Gosto muito dessa faixa e aqui fizeram um lance mais ‘groovado’ que eu particularmente adorei! A própria faixa original já tem essa levada, mas o Macumbazilla (eu sempre dou risada com esse nome gente, me perdoem) escancarou-a ainda mais. Parabéns mesmo! Digna de aplausos, também.

Andralls – “Bloodline”
Baixo ‘estaladão’ que já chega na sua cara te peitando e chamando para a briga.Ne ssa versão (também) bem fiel a original, mas com esse toque especial deu um preenchimento muito bom. Aqui tudo está no lugar, vocal, guitarra, bateria e baixo. Reta e impecável.

Losna – “Hell Awaits”
Mais uma música que tem uma introdução completamente diabólica e icônica que eu estava ansioso para ouvir uma regravação. O Losna fez bonito demais e não só ai, mas por toda a faixa, com direito a uns bumbos duplos ‘a mais’ e umas linhas de guitarra bem diferentes que ficaram ótimos e deram um charme diferente, mas não menos agressivo. Aliás, o negócio aqui é brutal e cheio de groove com bateria/pedal semelhante a uma metralhadora!

Malefactor – “Angel Of Death”
Com uma introdução falada e alguns nuances diferentes do original, até entrar no riff atemporal e na porradaria que é de conhecimento de todos, o Malefactor fez bonito e com honras a importância de “Angel Of Death”. Jeff Hanneman com certeza está orgulhoso, onde que que esteja. Uma avalanche Thrash Metal, tal qual sua original, com muito bumbo duplo e guitarras na cara. Seu riff da parte do meio, um dos mais vibrantes e sensacionais criados nessa vida, está de forma intacta e bem recheado, o que dá um ponto extra ao resultado. Passou de ano com nota sobrando! Destaque para o vocal agressivo, os solos e o baixo que mantem tudo preenchido. Você a ouvirá repetidas vezes, garanto!

Bulletback – “World Painted Blood”
Sem perder a pegada bem apocalíptica da versão original, o Bulletback colocou não quis se arriscar e fez o arroz com feijão que você come, repete e leva marmita para a janta. A banda se denomina apenas Heavy Metal, mas nessa versão não ouvi isso não, para mim isso é bem mais pesado que Heavy Metal, talvez um Power/Thrash Metal se encaixasse melhor. Bom, estou falando por essa versão, pois tocar Slayer não tem como soar “bonzinho” ou “retinho”, não é? Grande banda, vou procurar ouvir seu material próprio e indico que todos façam isso.

Chaosfear – “Love To Death”
Os caras tiveram colhão de sobra e meteram uma levada de baião na bateria e alguns efeitos na guitarra que vão deixar os fanáticos pelo Slayer putos só por ler isso aqui, mas após ouvir vão bater palmas de pé! Só por isso já mostra o quão músicos esses caras são! Vocal de Fernando Boccomino casou muito bem com a vibe da música e as guitarras arranham sua jugular de forma criminosa. Não é uma faixa muito conhecida do Slayer, então, passem a patente pro Chaosfear, pois aqui temos uma versão que superou a original, sim! Aceita que dói menos!

Matricidium – “Spirit In Black”
Thrash Metal de responsa sem firulas lembrando bastante uma mistura de Pro-Pain com Sepultura e alguns nuances de Slipknot principalmente nas guitarras. Mandaram muito bem, principalmente pela velocidade mais acelerada, o baixo vistoso e a bateria destruidora!

Ignispace – “Seasons In The Abyss”
Enfim, chegamos na última e derradeira faixa do tributo. Sim, já teve outra “Seasons In The Abyss” aqui, mas essa é digamos uma “bonus track” já que é a versão mais diferente, esquisita e melodramática que ouvi de um cover do Slayer. Nos tributos anteriores, o Ignispace me agradou em cheio em todos, mas nessa aqui sinto lhes dizer, não me agradou em nada. Tudo bem que foram muito corajosos em fazer uma versão acústica, cheia de cordas, teclados e orquestração (muito bem feitos e bonitos, diga-se de passagem), mas não rolou para mim. A voz de Larissa Zambon é excelente, mas aqui não combinou, uma pena. Pode ser xiitismo inconsciente meu, mas ao ouvir os primeiros segundos dessa faixa sempre me leva diretamente ao clima agressivo do videoclipe original da música, aquela agressão característica e não sonzinho de ‘lounge’ de dentista. E olha que eu gosto muito de desconstruções! Nota 10 pela execução, coragem e musicalidade, mas para quem tem estômago a esse tipo de som, para mim não rolou mesmo.

Finalizando, um dos melhores tributos lançados pela Secret Service Records, ao lado do tributo ao Black Sabbath, sem sombra de dúvidas. O que mais me impactou nesse foi a qualidade de gravação e das produções em geral, todas impecáveis, cristalinas e muito pesadas. Não teve diferenças significativas entre elas, o que ao meu ver é muito importante para um tributo ou compilação. Que venham outros, pois todos foram golaços, mas esse foi gol de placa para mim.

Johnny Z.

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