Breaking Samsara – “Light of a New Beginning” (2017)
Boersma Records
#ClassicRock, #HardRock, #HeavyMetal
Nota: 8,5
Apesar de o título de seu novo trabalho — “Luz de um novo começo” — parecer coisa de crente recém-convertido, o Breaking Samsara não encontrou Jesus ou coisa do tipo. O “novo começo” tem um porquê: seis anos separam seu disco de estreia de “Light of a New Beginning”, e nesse tempo Jan Reinert (vocal e guitarra), Matze Frerichs (baixo), Lenny Gößling (teclados) e Hauke Lübben (bateria) mudaram um bocado seu som, incorporando influências que vão do hard ao heavy ao classic rock que é a alma do negócio.
Só que ao contrário de tantos outros que parecem redefinir sua música na base do dardo tendo como resultado um disco que atira para todos os lados e erra todos os alvos, aqui a mistureba deu super certo. Momentos em que a veia setentista pulsa acelerada — seja na hardona “Bye Bye Baby” seja na meio Rush meio Meat Loaf de “Time for Things to Change” — intercalam-se com o pegadão estilo Iron Maiden de “End of a Hero”, e “Money Ain’t Worth a Dime”, cuja seção central não nega goles em fontes alternativas dos anos 1990 e pinceladas do rock progressivo que seus pais deviam ouvir nos tempos do bolachão.
Tanto “Rebel At Heart” quanto a faixa-título soam como peças clássicas cujo ápice vem em momentos que soam como um êxtase instrumental: a guitarra afiada de Reinert, que se revela um virtuoso de primeira, e o órgão Hammond quase onipresente de Gößling, espécie de Jon Lord em construção escondido sob a aparência de um Jonas Brothers. Na reta final, “Scarsoul”, a mais longa do álbum, aglutina em seus sete minutos tudo o que o quarteto foi capaz de demonstrar na meia hora anterior: bom gosto na timbragem, gravação de qualidade, execução primorosa e uma senhora noção de estrutura musical: complexidade e carisma servidos numa mesma bandeja.
Muita gente tende a não gostar de um álbum se suas músicas forem muito diferentes entre si. Se você é uma dessas pessoas, fique longe. Se não é, “Light of a New Beginning” é para você. Aumente o som!
Marcelo Vieira





