
Bretus – “Aion Tetra” (2019)
Ordo MCM
#DoomMetal, #StonerMetal, #TraditionalDoomMetal
Para fãs de: Pentagram, Caronte, Pesta
Nota: 9,0
A Itália tem legado e tradição dentro do tentacular universo Doom Metal, e vai além, pois possui uma das escolas mais originais e características do mesmo. Terror e ocultismo (seja literário, e/ou cinematográfico, são fortemente acentuados nas letras, artes dos discos e na estética visual das bandas, vide Death SS, Black Hole e Abysmal Grief.
Ainda sobre legado e tradição, deve-se por decreto reverenciar o maestro Paul Chain, um dos grandes, senão for o maior representante tanto do Doom Metal, como também da música experimental italiana, assim como também é válido mencionar, instituições poderosíssimas como Thunderstorm, Doomraiser, Caronte e o aqui, “objeto de estudo”, Bretus.
Formado no ano 2000 em Catanzaro (Calabria), o Bretus já acumula um ep, um split e três trabalhos completos, onde destacam-se os ótimos, “The Shadow Over Innsmouth” de 2015 e “… From The Twilight Zone” de 2017; e prepara-se agora para acrescentar mais um volume à sua discografia, é chegada a vez de “Aion Tetra”, disco que é Doom em essência, com o selo de excelência que só mesmo as terras de Dante Alighieri possuem.
Composto por nove faixas que comungam entre o Doom tradicional e o Stoner, com boas (e sempre bem vindas), inserções de Hard Rock setentista e até mesmo, Heavy Metal, como sugerem as bases e solos de “Prisoner Of The Night” e “Mark Of Evil”; ambas, rápidas, intensas e com sutis mudanças de andamento cirurgicamente encaixadas, dois dos pontos altos de “Aion Tetra”, claro!
O lado arcaico e obscuro do disco é regado com boas doses de psicodelia e ocultismo, vide as maravilhosas; “Priests Of Chaos” e sua introdução lisérgica/fantasmagórica, “Deep Space Voodoo”, e a perfeição que atende pelo nome de “Cosmic Crow”.
O álbum tem como prólogo e epílogo, “The Third Mystic Eye” e “City Of Frost”, a primeira com uma rifferama baseada na escola Black Sabbath/Pentagram e que já deixa claro que se é Doom que você quer ouvir, está com o álbum certo nas mãos, enquanto a última entrega uma performance arrebatora do vocalista Zagarus (também vocalista da ótima revelação de 2018, o SuuM), o mesmo atua brilhantemente por todo álbum, mas na faixa em questão, ele entrega toda paixão que um bom porta-voz do Doom deve ter, e nada mais precisa ser dito.
“Aion Tetra” é sem dúvida alguma, um dos mais fortes discos lançados esse ano, feito por quem entende de Doom Metal para quem ama Doom Metal, caso você não goste, sinto muito (por você, claro.)
Fábio Miloch





