
British Lion – “The Burning” (2019)
Parlophone Records
#AOR, #HardRock
Para fãs de: Wishbone Ash, Magnum, FM
Nota: 5,0
Steve Harris é uma das maiores expressões do Heavy Metal. Isso é inegável. Seu legado com o Iron Maiden é uma das maiores obras que o estilo já produziu. Sua capacidade como compositor também é incrível, mas somente no Iron Maiden, pois com sua banda/projeto British Lion, a coisa muda completamente de figura.
Obviamente que Harris não precisa provar nada pra ninguém. E o fato de seu projeto fazer uma música completamente diferente de sua banda principal é algo a ser reconhecido e louvado, com toda certeza. Mas isso não significa que é algo digno de nota, porque, por mais incrível que isso possa parecer, o British Lion apresenta uma musicalidade fraca, com pouquíssimo conteúdo e de fácil esquecimento.
O auto-intitulado álbum de estréia, lançado em 2012, foi muito criticado por não trazer nada que pudesse acrescentar a carreira do experiente baixista e foi considerado por muitos como um trabalho abaixo da média. O segundo álbum, “The Burning”, apesar do estupenda capa à cargo do brasileiro Gustavo Sazes, mesmo que levemente superior, provavelmente apresentará as mesmas críticas.
Se a primeira faixa, “City of Fallen Angels”, traz uma levada mais próxima do Hard Rock, e apresenta um bom resultado, mesmo que aquém das expectativas, a faixa título traz guitarras que até “tentam” lembrar de longe o Iron Maiden, mas sem nenhum tipo de sucesso. Outro ponto que pesa contra é que o vocalista Richard Taylor é fraco, sem nenhum tipo de imposição na voz, mesmo parecendo que em algum momento ele vai deslanchar, o que não acontece. “Father Lucifer” começa com guitarras que criam uma certa expectativa, mas que não chega a ser totalmente correspondida, pois se transforma em uma coisa bem simples e com destaque para o baixo de Harris (o que não é nenhuma novidade), mas mesmo assim, é um dos poucos e raros momentos bons do disco. “Lightining” também traz o “chefe” como destaque, e os guitarristas David Hawkins e Grahame Leslie mostram que poderiam ser melhores explorados. O início de “Spit Fire” nos remete realmente ao Maiden, mas apenas até o momento que Richard Taylor abre a boca. Ainda assim, o instrumental salva a faixa, num misto de Hard Rock e Heavy Metal voltado aos anos 80. “Bible Black” (nada a ver com a faixa homônima do Heaven and Hell), começa de forma empolgante, mas novamente, cai num lugar comum e rapidamente é esquecida.
Steve Harris é um artista livre para fazer aquilo que bem entender (como todo artista deveria ser) e mostra isso ao fazer um trabalho totalmente diferente da sua banda principal. Como escrito lá no começo, isso é louvável, pois seria muito fácil lançar algo na linha do Iron Maiden e se manter na zona de conforto. O problema é que, mesmo que isso seja positivo, a música apresentada pelo British Lion não chega a empolgar. Não é ruim, mas também não é bom. E talvez isso seja algo que Harris não gostaria de ler e ouvir. Mas, a verdade precisa ser dita e escrita. Que ele tenha guardado suas melhores idéias para o próximo álbum do Iron Maiden e aqui apenas tenha “brincado” de compositor enquanto ouvia suas bandas clássicas preferidas.
Sergiomar Menezes




