Bruce Dickinson – “More Balls To Picasso” (2025)
BMG
#HeavyMetal #HardRock
Para fãs de: Iron Maiden, Samson, Judas Priest
Texto por Luiz Gustavo Santos
Nota: 9,0
Lenda viva do Metal mundial e trabalhador incansável, Bruce Dickinson encontrou tempo entre suas inúmeras atividades para re-imaginar o belíssimo disco Balls to Picasso, lançado originalmente em 1994.
Nesta versão repaginada, o álbum ganha novas guitarras, orquestrações, alguns elementos inovadores e certas intervenções pontuais nas faixas originais. Destaque para o trabalho do compositor brasileiro Antônio Teoli, que incorporou instrumentos de tribos amazônicas no clássico “Gods of War”. O disco também apresenta versões inéditas de “Gods of War” e “Shoot All The Clowns”, gravadas no formato ao vivo em estúdio.
Pelo que tenho ouvido e lido, a recepção ao álbum tem sido mista, com parte dos fãs torcendo o nariz para essa releitura — muitos dos quais, é bom lembrar, já não apreciavam tanto o disco original. E é aí que está o X (ou as bolas?) da questão.
É preciso ter em mente que, assim como seu antecessor (Tattooed Millionaire, de 1990) e seu sucessor (Skunkworks, de 1996), Balls to Picasso é um disco experimental. Na época, Bruce buscava se afastar um pouco das amarras do Metal em geral, e de Steve Harris em particular. Por isso, a rica diversidade de sonoridades do álbum faz sentido — e, da mesma forma, a inclusão de novos elementos, a ousadia e o “risco” adicionados nesta versão também soam coerentes. Bruce precisou de algumas décadas para reunir as “bolas” necessárias para mostrar ao mundo o que queria ter mostrado em 1994.
De minha parte, foi ótimo revisitar esse disco, prestando atenção a cada detalhe, a cada nova camada, ouvindo com calma e concentração, como se fazia antigamente. Como já apreciava o álbum original, tive uma excelente experiência com as clássicas “Gods of War”, “1000 Points of Light”, “Laughing in a Hiding Bush” e, especialmente, com as belas orquestrações de “Change of Heart” e “Tears of the Dragon” — possivelmente a faixa de maior sucesso da carreira solo de Bruce. Os novos elementos, no entanto, não são suficientes para ofuscar o talento de Roy Z e a performance exuberante de Dickinson, que estava em excelente forma à época.
Em resumo, considero válida a ideia de retrabalhar o disco e o resultado final bastante satisfatório. Mas, repito: isso funciona especialmente por se tratar de um álbum experimental. Se Bruce resolver aplicar a mesma abordagem a Accident of Birth (1997) ou The Chemical Wedding (1998), aí sim poderemos ter problemas sérios!





