Yngwie Malmsteen – “Tokyo Live” (2025)

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Yngwie Malmsteen – “Tokyo Live” (2025)

Music Theories Recordings
#HardRock #NeoclassicalPowerMetal

Para fãs de: Joe Satriani, Steve Vai, Tony Macalpine

Texto por Matheus “Mu” Silva

Nota: 6,5

Em mais um registro ao vivo, o virtuoso e excêntrico guitarrista Yngwie Malmsteen lançou recentemente Tokyo Live, disponível em edição dupla em CD e também em DVD. Gravado na Terra do Sol Nascente, o material reúne cerca de uma hora e meia de seus clássicos, acompanhados de longos momentos solo que exibem toda a sua técnica e velocidade — marcas registradas de sua carreira.

Com mais de 40 anos de estrada, Yngwie Malmsteen se tornou uma figura singular na história da música pesada. Seu ego sempre exerceu um papel ambíguo: por um lado, ele revolucionou a percepção sobre velocidade e precisão na guitarra, além de incorporar a música clássica ao instrumento, algo que marcou profundamente a cena, cujos efeitos ecoam até hoje.

Ao misturar esse conhecimento com o Hard Rock, estilo em alta nos anos 80, conquistou projeção mundial. Por outro lado, sua relação com o conceito de banda sempre foi problemática: apesar de ter contado com músicos excepcionais, raramente permitiu que alguém dividisse os holofotes com ele, trocando constantemente de integrantes até tornar irrelevante a presença de uma banda de apoio. Não raramente, os músicos acabam deixados de lado no palco, enquanto ele se posiciona à frente de uma parede de amplificadores Marshall, centralizando toda a atenção — muitas vezes apenas para inflar o próprio ego.

Musicalmente, sua trajetória é marcada por excelentes discos como Rising Force (1984), Marching Out (1985), Trilogy (1986) e Odyssey (1988), entre outros, já que sua discografia é vasta e, em boa parte, consistente — pelo menos até Angels of Love (2009), quando passou a focar quase exclusivamente em música instrumental, com apenas momentos pontuais de vocais.

O primeiro problema evidente em Tokyo Live é a produção. Um disco ao vivo oficial, ainda mais considerando a tecnologia atual, exige maior atenção ao resultado final, para que o ouvinte sinta tanto os detalhes quanto a atmosfera do momento. Nos primeiros riffs de “Rising Force”, a gravação soa abafada, com a bateria excessivamente destacada e extremamente trigada, além de um eco persistente que compromete o conjunto. A sensação é de um bootleg amador, o que seria perdoável nesse caso, mas aqui fica difícil justificar. Ao comparar com outros registros ao vivo do guitarrista, é possível que ele tenha buscado uma captação mais “orgânica”, sem uma mixagem e masterização adequadas, tentando transmitir algo mais cru. Mas, ainda assim, o resultado fica aquém.

Como de costume, Malmsteen emenda uma faixa na outra, sobretudo as instrumentais. Com 30 músicas divididas em dois discos, apenas um terço delas contém vocais — em sua maioria executados pelo tecladista Nick Marino, com ocasionais backing vocals do próprio Malmsteen.

Clássicos cantados como “I’ll See The Light Tonight”, “You Don’t Remember, I’ll Never Forget”, “Seventh Sign”, “Like an Angel” e faixas mais recentes como “Soldier”, “Wolves at the Door” e “Relentless Fury”, além de versões para “Hiroshima Mon Amour” (Alcatrazz) e “Smoke on the Water” (Deep Purple), aparecem de forma abreviada para dar espaço às longas seções instrumentais, onde o foco está em sua destreza técnica. Clássicos como “Black Star” e “Far Beyond the Sun” são algumas das poucas executadas integralmente. O restante do álbum (mais da metade) reúne diferentes momentos de sua discografia e interpretações de peças clássicas — um dos pilares do chamado “Metal Neoclássico”.

Um disco ao vivo deve transmitir espontaneidade e revelar um lado mais humano do artista, e não apenas replicar os álbuns de estúdio. No entanto, mesmo para os fãs mais dedicados, Tokyo Live deixa a desejar. O maior problema é a produção, somada a um setlist limitado, que torna a audição cansativa. Apesar dos excessos já conhecidos (e por vezes admirados) de Malmsteen, um pouco mais de cuidado no resultado final teria feito toda a diferença aqui. Em sua vasta discografia, há opções ao vivo bem mais sólidas, como o insuperável Live in Leningrad (1989), com mais faixas cantadas, ou o Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in E Flat Minor (2002), voltado ao instrumental com orquestra — curiosamente também gravado no Japão —, mas com o cuidado que falta em Tokyo Live.

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