
Candlemass – “The Door To Doom” (2019)
Napalm Records | Hellion Records Brazil
#StonerRock, #HeavyMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Grand Magus, Avatarium, Stonegrief
Nota: 10
Quando determinada banda em que algum momento da sua história lançou um disco que se tornou clássico ou até referência para um estilo, parece que para sempre estará fadada a viver na sombra dessa obra. No momento em que o Candlemass anunciou a volta do seu vocalista original, Johann Längqvist, parte dos fãs saudosistas esperava que os integrantes abrissem as gavetas cheias de riffs cheirando a naftalina, que o grupo voltasse a comer o pão que o diabo amassou e resgatasse o período do álbum “Epicus Doomicus Metallicus” (1986), mas, para o bem ou para mal, os suecos olharam para frente, como se deve olhar ao lançar um novo trabalho.
Não vou entrar no mérito histórico, nem em álbuns que forjaram a identidade de um estilo ou onde a banda se perdeu ou se encontrou, nem trocas e mais trocas de vocalistas, deixemos isso para os sabichões da internet. “The Door To Doom” é um disco recheado de boas passagens cheias de sentimentos e de uma carga emocional brilhante, que já no primeiro impacto faz o ouvinte se apaixonar por tamanha destreza. Com composições muito bem encaixadas, consegue hipnotizar com facilidade. Muitos vão adorar ouvir e sentir que o grupo soube adicionar alguns elementos em sua “velha” roupagem, como pitadas de Stoner Rock e doses gigantescas de Heavy Metal que literalmente comandam quase que na totalidade o novo álbum. O Doom Metal de outrora ficou mais à cargo das letras ou em breves passagens mais lentas. Se você espera algo mais sombrio, esqueça! Fato esse que poderá deixar muitos dos antigos fãs de cabelo em pé e com uma leve birra.
O grupo abriu mão da roupagem suja e sombria e fincou os dois pés num trabalho mais limpo e cristalino, fazendo com que o instrumental soasse bem vivo, forte e não menos pesado. Obviamente que as passagens arrastadas, com aquele andamento lento, estão presentes no disco, mas é algo que está distribuído em doses homeopáticas entre as 8 faixas aqui presentes, ou seja, nada que fará você se sentir um lobo solitário da Sibéria, com suas roupas pretas derretendo diante de um sol escaldante de verão.
Por se tratar de algo razoavelmente curto, a audição é de fácil assimilação, mas aconselho a não ficar somente na primeira impressão, pois é um álbum que pode te pregar algumas peças, principalmente no quesito feeling. Existe bastante melodia, acredite se quiser, e você fatalmente será seduzido a cada nova experiência.
Destaques? Vários! A abertura com a pulsante “Splendor Demon Majesty”, “Astorolus – The Great Octopus “, essa com a participação do grande pai dos riffs, Tony Iommi (Black Sabbath) e a triste e melodiosa “Bridge Of The Blind” saltam logo de cara. Até mesmo onde houve uma pequena derrapada a banda consegue surpreender bastante, como nos riffs de “Death’s Wheel”, que trazem uma certa lembrança com “Just a Bullet Away”, do Metallica, mas, sinceramente, nada que vá tirar seu sono, afinal, como diz o ditado popular, nada se cria, tudo se copia.
Para aqueles que esperavam uma trilha sonora para dias cinzentos e chuvosos, onde a música se torna a trilha sonora para o corte sangrento da sua alma, sinto muito, “The Door To Doom” passa longe. Agora, se você quer um disco que transborda energia, com uma banda revigorante que soube se reinventar e chegar no seu melhor momento criativo mesmo estando nesse “jogo” há décadas, eis aqui seu disco! Feche os olhos e abra a porta, pois o Candlemass irá te brindar com muito SENTIMENTO!
Aprecie sem moderação.
William Ivan Kotzo Ribas





