
Carcass – “Despicable” (EP) (2020)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#DeathMetal, #MelodicDeathMetal, #Goregrind, #Splatter
Para fãs de: Exhumed, General Surgery, Cadaver, Impaled
Nota: 10
Quem diria que aquela emanação miasmal pútrida e dissonante concebida em meados dos anos 80 fosse se transformar na principal referência de todo um subgênero. Claro que a evolução técnica e estética do grupo foi simplesmente gritante em todos esses anos, construindo com isso um legado dos mais brilhantes dentro do cenário extremo.
Dada sua importância, já que a banda é influência principal de 10 em cada 10 bandas que se arriscam a trilhar por tão espinhoso caminho, o Carcass sempre é foco de atenção e, haja vista que seu último lançamento inédito (“Surgical Steel” de 2013) trouxe uma banda revigorada, com nova formação e um material bastante competente, é natural a expectativa exacerbada acerca de um novo álbum.
Eis que 2020 não fora de todo desperdiçado e o quarteto inglês, despertando de um hiato de sete anos, chega chutando a cara do ouvinte com “Despicable”, seu mais novo trabalho. Composto por quatro faixas, o ep em questão poderia ser considerado uma continuação natural e esperada de seu álbum antecessor, já que toda a estrutura e andamento das composições é bastante similar.
Podemos supor então que temos faixas intrincadas, repletas de melodia arraigada a um peso exacerbado, discernindo sobre corpos além-vida com extrema classe e elegância? Exatamente, meu amigo, e com a mesma competência de sempre. Uma pena é que acaba logo!
E nos meandros da brutalidade, faixas como a de abertura “The Living Dead at the Manchester Morgue” tem muito a dizer. No primeiro segundo de audição já é plenamente identificável a mão de Bill Steer (guitarra) lá, e essa identidade sonora é certamente um dos aspectos mais notáveis na banda. A faixa começa bem melódica, melancólica até, mas quando Jeff Walker (baixo e vocal) começa a rosnar igual a um animal raivoso faminto, aí percebemos o porquê de serem tão respeitados nesse meio.
Tom Draper (guitarra) e Daniel Wilding (bateria) seguram muito bem a bronca, acrescentando demais à banda, embora o protagonismo seja realmente creditado aos remanescentes. Outro destaque irrepreensível se dá por meio de “Under the Scalpel Blade”, com um peso cadenciado e mórbido, intercalando momentos mais velozes, que chega a gelar a cervical. A conclusão com a psicótica “Slaughtered in Soho” é não menos que perfeita, primando outra vez pela cadência e densidade climática de forma quase hipnótica.
Um disco com sabor de “quero mais” por sua diminuta duração, mas que revela e confirma que o Carcass foi, é e sempre será uma das maiores bandas do gênero, se não a maior. Que continuem espalhando sangue e corpos na concepção de música extrema de qualidade inquestionável. Será que um álbum completo vem por aí? Torçamos…e muito!
Ricardo L. Costa (Colaborador)





