Banda Principal: Corrosion Of Conformity
Bandas de abertura: Axes Connection e Uganga
Local: Vic Club, São Paulo/SP
Data: 12/05/18
Produtora: Solid Music Entertainment
Assessoria: LP Metal Press
Texto e fotos por Ricardo L. Costa
Corrosion of Conformity ou, se preferir, C.O.C. Banda clássica do cenário Metal americano, serviu de parâmetro pra muito gente em meados dos 80, identificando-se mais com o Hardcore/Crossover, pra depois encontrar o seu caminho no Stoner Metal.
A apresentação neste sábado (12/05) era precedida por muita expectativa, afinal, a formação clássica está reunida e solidificada, além de terem um grande álbum pra divulgar (o recém-lançado “No Cross, No Crown”). Bem, na verdade era sabida da ausência de Reed Mullin (bateria) para esta turnê, já que o músico passou por uma intervenção cirúrgica no joelho há pouco tempo e precisa de repouso pra voltar castigando os bumbos fervorosamente, mas a linha de frente estaria toda lá (ainda bem!).
O ato de abertura com a banda Axes Connection começou muito cedo, antes das 18:00 e, por conta disso, acabei por perder o show quase que por completo. Ainda consegui uma palhinha com “Prepare Your Soul” e o encerramento com uma sensacional versão para “She Sells Sanctuary” do The Cult. Rock ‘n’ Roll pesado e sem firulas! O pouco que presenciei me interessou bastante e espero vê-los novamente em breve num set completo e eletrizante.
Setlist Axes Connection:
The Meaning of Evil
Rearrange Yourself
Wisdom is the Key
Use The Reason
Prepare Your Soul
She Sells Sanctuary (The Cult)
A próxima atração do evento já era bem conhecida de todos. Os mineiros do Uganga destruíram as pequenas dependências do Vic Club com seu Thrash/Hardcore raivoso e empolgante. O set foi muito breve, mas deu pra perceber o real potencial do sexteto em cima de um palco. Apresentação muito pesada, comandada pelo carismático vocalista Manu Henriques, que interagia e agradecia ao público a todo momento.
Contando com uma muralha sônica composta por três guitarras, e sabendo fazer bom uso deste artifício, conseguiram a proeza de deixar as músicas ainda mais brutais que nos registros de estúdio. “O Campo” e “Aos Pés da Grande Árvore” foram soberbas, mas como não sentir uma lágrima nostálgica caindo dos olhos ao som de “Troops of Doom” (Sepultura) desenvolvida numa implacável versão? Puta merda! O Uganga é uma das melhores bandas do cenário nacional, isto é fato consumado. Que show!
Setlist Uganga:
Intro
Guerra
Nas Entranhas do Sol
O Campo
Troops of Doom (Sepultura)
Aos Pés da Grande Árvore
Fim de Festa
Fronteiras da Tolerância
Pois bem, roadies e técnicos de som dão aquele rápido “talento” no palco para recebermos os verdadeiros donos da festa, e eis que lá estão. Os primeiros acordes gordurosos do baixo de Mike Dean chegam a causar um deslocamento de ar naqueles que estavam próximos ao palco. Parece exagero, mas eu estava lá, e cada levada era um soco a mais na boca do estômago. Os parceiros de longa data, Pepper Keenan e Woody Weatherman adentram o palco e “Botton Feeder” ecoa nos falantes, trazendo aquele sorriso de desejo realizado nos presentes.
Um show do C.O.C. é, antes de mais nada, uma celebração ao bom Rock ‘n’Roll. Aquele som potente, swingado e malicioso que os americanos foram moldando e aprimorando ao longo dos anos, seria a nossa trilha sonora pela próxima hora e meia, portanto, curtir era a palavra de ordem. “The Luddite” e “Broken Man” geraram o primeiro contraste da noite. A primeira, por ser uma amostra do novo álbum e talvez não ser familiar a todos ainda, e a segunda por ser um clássico já sedimentado da carreira da banda. Muita cadência pesada, quase Doom, preencheu o salão lotado neste momento, deixando o ambiente em ebulição.
Neste dia, eu estava bem debilitado por uma forte gripe, mas digamos que uma alta dose de C.O.C. cura até câncer, e a esta hora eu havia transpirado tanto que estava realmente me sentindo melhor. Quem precisa de médico quando se tem uma genuína aula de Stoner Metal do mais alto gabarito? “Señor Limpio” foi mais uma de “Deliverance” que veio pra mostrar como esse álbum merece respeito. Não a considero a melhor composição da banda, mas seu ritmo contagiante e envolvente não tem como passar despercebido. “Long Whip/Big America” tem um “know how” todo Hard Rock setentista, e fez o pessoal dançar e pular. A banda toda é muito carismática e parecia estar muito à vontade naquela situação. Bom pra nós que tivemos momentos do melhor entretenimento musical yankee.
O set list foi baseado quase que totalmente em clássicos de “America’s Volume Deeler”, “Wiseblood” e “Deliverance”, ainda que os álbuns “In The Arms of God” (cáustica versão para “Paranoid Opioid”), “Blind” (com a possuída “Vote With a Bullet”) e “No Cross No Crown” (com “Wolf Named Crow”) atendessem aos anseios da platéia, mesmo que brevemente. Dos álbuns clássicos mencionados, tivemos ainda indefectíveis interpretações de “Wiseblood”, “Who’s Got The Fire”, “Seven Days”, “13 Angels”, “Albatross”…ufa! O peso das guitarras dos senhores Keenan e Weatherman a esta hora estava zumbindo alto e forte nos ouvidos, e foi exatamente aí que a banda resolveu deixar o palco por alguns minutos.
Seria o fim? Nem se despediram direito! Que nada! “Trolagem” dos tiozões que antecedia o real encerramento com seu maior clássico (ou, ao menos, sua música mais conhecida) “Clean My Wounds”. Este foi um momento de descontração, em um autêntico festival de improvisações que alongou a música, transformando-a em uma demonstração de talentos individuais. Banda se despede cordialmente, agradecendo a presença de todos. E mais um grande espetáculo se encerra.
O Corrosion of Conformity, literalmente, é uma banda de palco, e esta apresentação foi a prova cabal disso. Formação coesa, afiada e com muita lenha pra queimar ainda. Agradecimentos a Solid Music pelo credenciamento e parceria, as bandas de abertura e a todos os envolvidos na concretização de mais um belo evento. Até a próxima!
Setlist Corrosion of Conformity:
Botton Feeder
The Luddite
Broken Man
Señor Limpio
Long Whip/Big America
Wiseblood
Who’s Got The Fire
Seven Days
Paranoid Opioid
13 Angels
Vote With a Bullet
Wolf Named Crow
Albatross
Clean My Wounds












